Empreendedorismo social: ela criou rede de artesãs de baixa renda que fatura mais de R$ 2 mi por ano

Empreendedorismo social: ela criou rede de artesãs de baixa renda que fatura mais de R$ 2 mi por ano

O empreendedorismo social vem despontando como uma alternativa para fazer o bem ao próximo sem deixar os negócios de lado. Ao mesmo tempo, o artesanato vem sendo usado como instrumento de empoderamento por mulheres no Brasil inteiro, que conseguem tirar o sustento da venda do produto feito por suas próprias mãos. Unir as duas questões foi a grande sacada da Rede Asta, que hoje conta com 609 artesãs em 50 grupos produtivos na região Sudeste, Sul e Norte. Os números são tão grandiosos que, em 2015, o faturamento bruto foi de R$ 2.210.284.

“Nossos grupos trazem em sua maioria mulheres guerreiras – 90% são das classes D e E –, que com seu talento estão transformando sua realidade e a do seu entorno a partir de sua própria força produtiva, seu trabalho, seu sonho, garra e perseverança”, conta Alice Freitas, diretora executiva da Rede Asta.

Entre costureiras, bordadeiras, tecelãs e outras profissionais de mãos habilidosas, a Rede já impactou a vida de mais de 1.200 artesãs – o que se refletiu em suas famílias, afinal, as mulheres destinam 90% de suas rendas ao seu lar, de acordo com o Banco Mundial. Com isso, o empoderamento feminino acabou arraigado no DNA do projeto. “São mulheres incríveis que a cada dia nos surpreendem com sua capacidade de se reinventar e criar novos e belos produtos apaixonantes”, relata Alice.

Rede Asta e o empreendedorismo social

A longa jornada começou em 2002, quando Renata Brandão e Alice Freitas – na época com 24 e 23 anos, respectivamente – pediram demissão dos empregos em multinacionais e decidiram viajar o mundo para catalogar iniciativas nas áreas de educação, saúde e geração de renda. O projeto foi batizado de Realice.

De volta ao Brasil quatro meses depois, o projeto deu origem ao Instituto Realice. Foi quando Alice reencontrou a amiga Rachel Schettino, que havia acabado de voltar da Suíça e topou se unir à amiga nessa empreitada – mesmo sem saber exatamente o que era um negócio social.

Juntas, ainda como Instituto Realice, promoveram um curso de arte em jornal para 30 mulheres das comunidades do bairro carioca Campo Grande por seis meses – tudo isso financiado com recursos próprios. Daí nasceu o projeto Mãos Brasil, primeiro grupo produtivo a fazer parte da futura Rede Asta.

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Artesãs impactadas pela Rede Asta

Os próximos passos foram maiores e mais ousados: depois de alugarem um estande a GIFT Fair – maior feira de decoração da América Latina – e venderem todas as peças, abriram um quiosque em um shopping carioca em 2006. Neste momento, a Rede já contava com oito grupos produtivos e teve um faturamento anual de R$ 70 mil.

Então, veio o primeiro pedido de brindes corporativos, que nada mais eram do que 300 porta-retratos. Com isso, a Rede Asta passou a atender companhias de grande porte. “O melhor é que podemos fazer isso utilizando os resíduos que a empresa produz. Nós os transformamos em produtos sustentáveis e a companhia compra estes itens para ações internas ou de marketing. É o upcycling”, completa Alice. Um exemplo de ação foi feito pela Calçada Construtora, que pediu que dois grupos de artesãs transformassem um banner em bolsas.

Dificuldade que gera solução

Apesar do grande pedido, chegou o momento em que Alice e Rachel sofreram com a falta de dinheiro no caixa – o suficiente para se perguntarem como pagariam a conta de luz. Foi quando Mônica, manicure delas, lhes abordou com um catálogo de cosméticos – e, mesmo sem grana, elas fizeram seu pedido. Percebendo o talento de Mônica com vendas, as sócias logo encheram sua bolsa de peças de artesanato e, depois de alguns dias, ela já havia vendido tudo.

“Então pensamos: ora, por que não criar um catálogo para vender nossos
produtos?”, relembra Alice. O modelo de venda direta fez tanto sucesso que garantiu às sócias o primeiro recurso para o então Instituto Realice, que as permitiu produzir o primeiro catálogo de vendas. Daí, o modelo só melhorou. Depois, elas definiram que as vendedoras seriam mulheres que se apaixonassem pelas histórias por trás dos produtos.

Assim, o Instituto Realice deu origem à Rede Asta, que se consagrou como a primeira rede de venda direta de produtos artesanais do Brasil.

Quando tudo vale a pena

Além de intermediar as vendas das peças das artesãs, a Rede Asta faz treinamentos para que elas sejam independentes e desenvolvam mentalidade empreendedora. “Atualmente temos a Escola de Negócio das Artesãs, que as auxilia nos mais variados modos. Só no ano passado, 254 artesãs foram impactadas por essa iniciativa”, pontua Alice.

Para a diretora executiva, o mais gratificante desta jornada é ver a repercussão na vida das artesãs – mostrada, inclusive, no TEDx que Alice fez junto à Ana Lúcia, do grupo Fuxicarte.

“A Rede Asta me ensinou a ser uma mulher melhor, uma mãe melhor e uma profissional melhor. É a combinação de paixão com visão de negócio, propósito com vida familiar e a concretização de um sonho que amadurece a cada dia”, finaliza Alice.

Fotos: Divulgação

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