Entenda: o que significa a Selic a 10,25% ao ano

Entenda: o que significa a Selic a 10,25% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu pelo corte de 1 ponto percentual na taxa de juros básica da economia, a Selic – que agora está em 10,25% ao ano. Esse foi o sexto corte seguido na taxa, que atingiu o menor patamar desde o início de 2014. Entenda o que é a Selic e como essa redução afeta o seu bolso.

O que a queda significa

O grande papel da Selic é balizar a atividade econômica e, assim, controlar a inflação. Quando a inflação está alta, o BC costuma subir a taxa, freando o consumo da população, mas também os investimentos das empresas. Com um “balde de água fria” na economia, há menos pressão sobre os preços e um maior controle inflacionário.

Quando a inflação dá sinais de estabilidade, por outro lado, a taxa básica de juros pode cair para voltar a impulsionar a economia no País – entenda melhor aqui como a Selic afeta a sua vida. E isso é o que tem justificado os cortes: o IPCA, que mede a inflação oficial do País, acumulado dos últimos 12 meses está em 4,08% – abaixo do centro da meta.

Mas não só de inflação vive a Selic: parte do mercado esperava um corte maior na taxa, antes da crise política iniciada nas últimas semanas com a delação dos executivos da J&F. Os acontecimentos prejudicaram também a capacidade do governo de aprovar as reformas – que são de interesse do mercado – e trouxeram mais incerteza à economia. “O mercado já havia precificado esse cenário, em razão disso, a queda de 1 ponto já era esperada”, explica o professor da Faculdade Fipecafi, Raphael Piza.

Para as próximas reuniões, o Copom indicou um ritmo menor de corte na Selic. O aumento da instabilidade política reforça essa tendência de cortes mais lentos daqui em diante. Por enquanto, a previsão do mercado financeiro é de que a taxa termine o ano em 8,5%.

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Como a Selic afeta o crédito

Com a nova queda na Selic, o Brasil deixou a liderança do ranking de juros reais do mundo, organizado pela MoneYou e pela Infinity Asset Management, ficando, agora, em segundo lugar, atrás da Rússia. Isso, entretanto, não deve fazer com que você se engane: o impacto da queda da Selic sobre as taxas cobradas dos consumidores é muito pequeno.

“No Brasil, o spread bancário [diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e para o consumidor] é elevadíssimo e esse é um problema histórico”, explica Piza. A Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), por exemplo, estima que a taxa média cobrada dos consumidores deva ficar em 7,79% ao mês – 146% ao ano – com a queda na taxa básica de juros. No cheque especial, os juros ainda devem ficar perto dos 300% ao ano. Para a consumidora, portanto, continua valendo toda a cautela com o crédito.

Como a Selic afeta os investimentos

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A Selic tem impacto direto também sobre a rentabilidade dos investimentos em renda fixa. Com a sua queda, há também a redução nos ganhos com investimentos como Tesouro Direto, CDBs e LCIs. Mesmo com a queda, entretanto, esses produtos financeiros continuam atraentes, principalmente para a investidora mais conservadora. “Comparados a outros mercados mundiais, os investimentos em renda fixa no País ainda permanecem interessantes, principalmente em um cenário econômico de incertezas.”

É importante, entretanto, sempre ficar atenta às aplicações que está escolhendo. Entender a rentabilidade oferecida, tributação e taxas cobradas é fundamental. A Anefac estima, por exemplo, que os fundos de investimentos continuem mais vantajosos do que a poupança quando a taxa de administração for inferior a 2% ao ano. Ainda assim, nossa recomendação é procurar taxas ainda mais baixas. De um modo geral, o ideal é conseguir fundos em que as taxas não superem 1% ao ano.

 

Fotos: Shutterstock

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