Entenda: o que significa o corte de juros de 0,75 pp

Entenda: o que significa o corte de juros de 0,75 pp

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), decidiu, na sua primeira reunião do ano (11), por um corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros da economia, a Selic, que está agora em 13% ao ano. O corte superou as previsões de mercado e é o maior desde 2012, quando os juros tiveram uma redução de 9,75% para 9%.

Responsável por “acelerar” ou “colocar o pé no freio” da economia, a Selic é um instrumento fundamental de controle da atividade econômica e inflação. Quando a taxa de juros está alta, ela desestimula o consumo, incentiva a poupança e, consequentemente, pressiona a inflação para baixo. Quando está baixa, pelo contrário, dá ânimo à economia: impulsionando o consumo e os investimentos das empresas, por exemplo.

O corte foi anunciado logo após a divulgação de que a inflação medida pelo IPCA fechou o ano em 6,29%, abaixo do teto da meta do governo (6,5%). A redução dos juros tenta sinalizar informações importantes: que a inflação está controlada e o País está pronto para retomar o crescimento. O governo espera, então, que a queda dos juros melhore os ânimos e incentive a atividade econômica.

A Selic ficou estacionada em 14,25% entre julho de 2015 e outubro de 2016, quando sofreu a primeira redução e foi para 14%. Em novembro ela teve nova baixa, ficando em 13,75%. As quedas, antes tímidas, deram espaço para uma redução mais agressiva na reunião de ontem.

As expectativas do mercado financeiro, medida pelo boletim Focus, do BC, apontam para uma inflação de 4% em 2017, abaixo do centro da meta, de 4,5%. Se as projeções se confirmarem, há espaço para novos cortes na taxa de juros. As instituições financeiras consultadas para o Focus acreditam que a Selic deva terminar o ano perto dos 10,25%.

selic_13_interna

Investimentos
A Selic funciona também como referência para as outras taxas praticadas pelo mercado, influenciando a rentabilidade de investimentos financeiros e juros cobrados na concessão de crédito – confira aqui mais aplicações da Selic na sua vida.

A queda da Selic influencia diretamente a rentabilidade dos investimentos em renda fixa, como Tesouro Direto, CDBs e LCIs. Mas com a inflação também em queda e as taxas de juros ainda altas para os padrões internacionais, o ganho real desses investimentos – ou seja, a diferença entre a rentabilidade e a inflação – permanece atraente.

Os resultados dos investimentos em renda fixa, portanto, embora menores, devem continuar superando o da poupança – que, em 2016, ficou em 8,30%, segundo dados da consultoria Economática. No caso dos fundos de investimentos, eles devem continuar batendo a poupança se a taxa de administração for inferior a 2,5% ao ano.

Leitura complementar

Cuide Melhor Do Seu Dinheiro

Cuide Melhor Do Seu Dinheiro

Ver mais

Consumo e juros no mercado
Com a queda nas taxas de juros, ocorre o incentivo ao consumo também da população. Mas, com a situação econômica ainda incerta, é preciso cautela nas decisões de compra. O SPC Brasil, por exemplo, avalia que os efeitos da queda da Selic só serão sentidos mais intensamente na economia a partir do segundo trimestre deste ano.

Além disso, não se deve esquecer que há um descompasso entre a Selic e as taxas praticadas pelo mercado. Embora haja previsão de queda neste ano, hoje, os juros do cartão de crédito, por exemplo, estão em 482% ao ano. Por isso, as decisões financeiras devem ser sempre pensadas: reflita antes de adquirir um produto, parcelar compras ou assumir créditos. Poupar e investir continuam sendo os melhores negócios.

 

Fotos: Shutterstock

Este conteúdo foi útil para você?

Financas Femininas

Finanças Femininas

Sua independência financeira depende de você, com uma ajudinha nossa.

close