Entenda: quais são as diferenças entre títulos públicos e títulos privados?

Entenda: quais são as diferenças entre títulos públicos e títulos privados?

Quando o assunto é renda fixa, opções não faltam para quem deseja colocar seu dinheiro para crescer. Porém, quanto maior o leque, mais dúvidas surgem. Afinal, é melhor investir em títulos públicos ou privados? Antes de responder a esta pergunta, é preciso ponderar uma série de fatores – desde o rendimento que eles oferecem até os riscos. A seguir, esclarecemos os principais pontos a serem considerados para você colocar tudo na balança e escolher o melhor investimento para seu bolso – ou, por que não, os melhores.

O que são títulos públicos e privados?

A principal diferença entre eles, como o nome indica, está em quem os emite. No primeiro caso, o responsável é o governo, que emite os títulos e os vende para financiar suas dívidas. O investidor empresta dinheiro para o governo e, como recompensa, recebe o rendimento. Há três modalidades: Tesouro IPCA+, Selic e pré-fixado (explicamos mais detalhes a seguir).

Já os privados, conforme o nome indica, são emitidos por instituições privadas, sejam empresas ou bancos. Aqui, há uma gama de modalidades. Empresas que não são instituições bancárias, por exemplo, emitem os debêntures, onde os compradores também emprestam dinheiro para bancar as dívidas. “Geralmente elas fazem isso porque pagar os juros para o investidor pode sair mais barato do que pedir um empréstimo no banco”, explica Valdir Domeneghetti, professor especialista em investimentos da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Da mesma maneira, o banco disponibiliza o Certificado de Depósito Bancário (CDB), onde o investidor empresta dinheiro para a instituição financeira e lucra com os juros que recebe por este empréstimo. Em um primeiro olhar, isso pode parecer desvantajoso para as instituições financeiras, mas elas lucram porque colocam esse dinheiro para girar em empréstimos concedidos aos seus clientes e cobram juros muito maiores do que aqueles pagos aos investidores. Há, ainda, as Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e LCA), que financiam os setores imobiliário e do agronegócio, respectivamente.

Indexadores

Eles nada mais são do que a base usada para remunerar investidores tanto de títulos de renda fixa públicos quanto privados. No Tesouro, por exemplo, cada uma de suas modalidades utiliza um indexador diferente. No Selic, o referencial é a taxa básica de juros da nossa economia. Ela é chamada de pós-fixada porque você só saberá o quanto ganhará ao final do período de aplicação, pois seu rendimento segue o comportamento da taxa Selic. Já no prefixado, você já sabe o quanto ganhará ao adquirir o título, desde que você não venda o título antes do vencimento. No IPCA+, a base utilizada é a variação da inflação oficial mais uma parte prefixada que, hoje, gira em torno de 5,5%.

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Enquanto isso, os títulos privados, por serem emitidos por diversas empresas, também possuem um leque variado de indexadores. O CDB, por exemplo, emprega o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que é uma taxa usada para os bancos emprestarem dinheiro entre si e que costuma acompanhar a taxa Selic. Alguns LCIs também utilizam o Indicador Geral de Preços do Mercado (IGP-M), indicador de inflação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Debêntures de empresas com atividade internacional também podem ter como indexador a variação cambial.

Riscos

Investimentos de renda fixa em geral são conhecidos por oferecerem baixo risco ao investidor. Contudo, isso não quer dizer que eles não existam. “O principal deles é que o credor não pague o comprador”, alerta Domeneghetti. Obviamente, as chances de o governo dar calote são menores do que ocorre com instituições privadas, que estão mais suscetíveis a quebrarem e deixarem o investidor na mão. Por isso, aplicações como CDBs, LCIs e LCAs contam com o apoio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante até R$ 250 mil de indenização por instituição e por CPF caso o emissor do título venha a falir. Quem opta por investir em debêntures deve ter atenção a isso: os retornos oferecidos podem ser mais atrativos do que as aplicações de renda fixa de instituições financeiras, mas elas não contam com a cobertura do FGC, ou seja, o risco do investimento é maior.

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Outro risco – e este vale para títulos privados e públicos – não diz respeito à perda de dinheiro, mas sim a deixar de ganhá-lo. “Isso é mais comum em títulos prefixados. Existe a possibilidade de você adquirir um título prefixado do Tesouro com taxa 10%, mas a Selic disparar e o seu rendimento ser menor do que seria se você tivesse contratado uma aplicação com a taxa básica de juros como indexador”, ilustra o especialista. Por isso, é importante estar sempre atenta ao cenário econômico para saber quais as melhores aplicações.

Liquidez e tributação

Se você investe um dinheiro em renda fixa, mas pode precisar dele em curto prazo – como nos casos de reservas de emergência –, saiba que títulos privados, geralmente, são menos flexíveis quando o assunto é resgatar seus investimentos. Cada instituição define qual é a liquidez de seus títulos. Alguns CDBs, por exemplo, permitem liquidez diária, porém, outros requerem que o investidor espere o prazo para resgatar seu dinheiro. Já o Tesouro, invariavelmente, oferece liquidez diária.

Porém, cuidado ao resgatar seus recursos! “Em ambos os casos há incidência de IOF em investimentos com menos de 30 dias de aplicação, o que pode prejudicar o rendimento”, aponta Domeneghetti. Títulos de renda fixa públicos e privados funcionam com a chamada alíquota regressiva – quanto mais tempo rendendo, menor a taxação de IR ao final do prazo.

E agora, qual escolher?

“É preciso analisar a perspectiva de utilização deste recurso. Qual é o seu objetivo para ele? Em quanto tempo você precisará dele?”, indica o especialista. Por isso, o professor ensina que o ideal seria diversificar seu dinheiro, assim, você diluirá os riscos – aprenda a diversificar seus investimentos aqui. “Lembre-se de comparar o risco e o retorno financeiro das opções. Quanto maior o risco, maiores os juros”, completa. Além disso, leve em consideração o montante que você tem para aplicar. Títulos privados remuneram melhor aplicações mais generosas, enquanto as mais modestas podem sofrer com taxas. Já nos títulos públicos, a pessoa que investiu R$ 30 pagará as mesmas taxas do que aquela que aplicou R$ 100 mil.

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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