Estudo aponta a solução para termos mais mulheres em cargos de liderança

Estudo aponta a solução para termos mais mulheres em cargos de liderança

A falta de mulheres em cargos de liderança ainda é preocupante. Um estudo recente do LinkedIn apontou que ocupamos apenas 25% dos cargos mais altos. Agora, um estudo realizado pela Escola de Graduação em Negócios da Stanford mostrou o que pode ser uma solução para diminuir a desigualdade nas cúpulas corporativas: basta acrescentar mais mulheres à lista de candidatos.

A resposta parece óbvia, mas a comprovação veio apenas quando os pesquisadores testaram dois métodos para aumentar a diversidade nos conselhos de empresas.

Em time que está ganhando não se mexe?

Na primeira fase do estudo, os pesquisadores analisaram dados de cúpulas de três mil empresas norte-americanas. Com isso, descobriram que existe uma maior propensão em indicar homens para ocupar o lugar que era de um homem, e o mesmo acontece com mulheres.

“A última coisa que queremos é contratar um substituto que perturbe o equilíbrio da cúpula. Então, o que fazemos é selecionar pessoas que se parecem com aquela que saiu”, explica Charles O’Reilly, um dos responsáveis pelo experimento.

O fenômeno acontece mesmo que se tenha a consciência de que o certo seria considerar o candidato pela sua capacidade de atender às expectativas do cargo. Para O’Reilly, a descoberta condiz com evidências anteriores a psicologia cognitiva, que dizem que as pessoas tendem a tomar decisões baseadas em hábitos em vez de análises. “É a manutenção do status quo. Somos considerados seres habituais, condicionados o repetir o modelo”, diz a gestora empresarial e coach Andrea Deis.

Por isso, de acordo com os estudiosos, é mais comum que os gestores tomem a decisão seguindo a intuição, associando atributos superficiais entre o candidato e a pessoa que está sendo substituída – um deles é o gênero. “No entanto, considero uma maneira de pensar muito engessada. O mais importante, especialmente em cargos de alta gestão, é o conjunto de competências técnicas e comportamentais, e isso independe de gênero”, acredita Larissa Meiglin, assessoria de carreira da Catho.

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Mais opções, mais mulheres nas cúpulas corporativas

Depois, eles fizeram dois experimentos com dois grupos distintos. Em ambos os casos, os participantes deveriam assumir o papel de presidente de um comitê corporativo, que deverá escolher um substituto para um membro que está de saída. Os participantes tinham acesso aos currículos e informações demográficas. Então, eles foram orientados a avaliar a importância de vários critérios, explicando por que escolheram um candidato específico.

Na primeira intervenção, os estudiosos lembraram os participantes de que a diversidade pode enriquecer as decisões da cúpula. Porém, apenas alertá-los sobre o tema não surtiu efeito, pois a tendência de substituir homens por homens e mulheres por mulheres continuou. Apesar de seguirem a tendência de substituírem os antigos integrantes por candidatos do mesmo gênero, os participantes se mostraram mais propensos a considerarem que outros fatores são mais importantes do que o gênero – mostrando que a escolha pode ter sido inconsciente.

Já na segunda, os pesquisadores aumentaram o número de candidatas, de modo que havia mais mulheres do que homens. A atitude foi suficiente para que os participantes “convidassem” mais mulheres para integrar o conselho. De acordo com O’Reilly, a intervenção confirmou a noção de senso comum de que, com uma gama maior de candidatas, a diversidade também aumentaria.

Teto de vidro

“Percebemos com as pesquisas realizadas pela Catho que as mulheres crescem na carreira até serem gerentes. Depois fica muito mais difícil encontrar uma oportunidade de integrar um conselho, por exemplo”, atesta Larissa.

Para a especialista, isso se deve à crença de que mulheres tendem a se tornar mães neste período – logo, não teriam o mesmo grau de comprometimento de um homem. Porém, isso não condiz com a realidade, pois nem todas querem ter filhos e, para as que desejam, existe maior flexibilidade para que mulheres que ocupam cargos estratégicos possam conciliar vida pessoal e profissional. “Neste cenário, é só uma questão de ligar os pontos e refletir que tanto homens, quanto mulheres podem estar à frente de cargos nas cúpulas das empresas”, finaliza.

A pesquisa completa se chama “Diversidade de Gênero nas Cúpulas Corporativas dos Estados Unidos: Estamos Correndo Sem Sair do Lugar?” e, além de O’Reilly, tem como co-autores Catherine Tinsley, da Universidade de Georgetown, James Wade, da Universidade George Washington (ambas dos Estados Unidos), e Brian Main, da Universidade de Edinburgh (Escócia).

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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