Fabricante da Barbie é criticada por livro sexista

Fabricante da Barbie é criticada por livro sexista

A famosa boneca Barbie fez sucesso em várias gerações e continua encantando grande parte da criançada atualmente. Uma ação recente da fabricante Mattel para trazer uma nova abordagem para a boneca, no entanto, acabou saindo como um tiro pela culatra.

A boneca, que frequentemente é associada a contos de fadas, príncipes encantados ou a algum contexto romântico envolvendo o boneco Ken, desta vez foi colocada em um contexto diferente: um livro infantil chamado “I can be a computer engineer” (Eu posso ser uma engenheira de computação, tradução livre). A iniciativa pode parecer interessante em um primeiro momento. A personagem deixa de ser uma figura associada a uma história de amor perfeito para representar uma mulher focada no sucesso profissional.

Tinha tudo para dar certo, mas a Mattel acabou dando um viés para a história que gerou somente polêmica e revolta. Na trama, ela deixa o computador de um amigo ser infectado por um malware e não consegue dar um passo em programação se não tiver a ajuda de um amigo. Em outro trecho do livro, depende do trabalho de computação de dois amigos para criar um jogo, ou seja, é retratada como uma profissional incompetente que depende da colaboração de uma figura masculina para alcançar o sucesso.

Resposta nas redes sociais

Não precisa nem dizer que o fiasco da Mattel gerou uma repercussão enorme na internet. O péssimo exemplo dado pela fabricante deu origem a uma série de memes críticos ao livro infantil, acompanhados da hashtag #FeministHackerBarbie. Os internautas editaram algumas linhas do livro original para criticar o trabalho feito pela Mattel, além de questionarem trechos originais.

De acordo com o Geek Wire, a repercussão negativa fez com que a fabricante retirasse o produto do site da Amazon e se desculpasse por passar uma mensagem de que uma garota não teria competência para cuidar de programação sozinha. Confira a nota na íntegra:

O livro da Barbie “Eu posso ser uma engenheira de computação” foi publicado em 2010. Desde essa época nós retrabalhamos nossos livros da Barbie. O retrato da Barbie nessa história específica não reflete a visão da marca sobre o que a Barbie defende. Nós acreditamos que garotas devem ser empoderadas para entenderem que tudo é possível e que elas vivem em um mundo sem limites. Nos pedimos desculpas por este livro não refletir esta crença. Todos os títulos da Barbie serão escritos para inspirar a imaginação das meninas e trarão uma personagem que retrate empoderamento.

O conteúdo do livro certamente ofendeu mulheres que trabalham no setor. Ainda segundo o Geek Wire, a CEO do Centro Nacional de Tecnologia da Informação para Mulheres  (National Center for Women & Information Technology), Lucy Sanders, enviou uma carta ao presidente da Mattel, Bryan Stockton. Veja abaixo:

 

Prezado Sr. Stockton,

Nós lhe agradecemos pelo pedido desculpas pela mensagem estereotipada no livro Barbie: Eu posso ser uma engenheira de computação. Nós lhe pedimos para retirar esse livro polêmico das livrarias do país (físicas e virtuais) e que dê novos passos para evitar este tipo de erro no futuro.

Jogos, brinquedos e imagens midiáticas de meninos e meninos têm grande poder em moldar as crenças de pais e crianças sobre que garotas e garotos devem ou não fazer. “Barbie: Eu posso ser uma engenheira de computação” reforça o estereótipo sobre pessoas que trabalham com tecnologia. O livro deixa implícito que mulheres produzem a história e o design, enquanto os homens fazem o trabalho técnico. Aliás, nenhuma parte do livro sugere que Barbie possa fazer outra coisa além de usar o computador. Em vez disso, meninos são chamados para ajudar a pobre menina. Essa representação não é somente uma má representação, é ofensiva para jovens meninas que amam a Barbie e lêem seus livros, assim como ofende também os seus pais.

Nós sugerimos que vocês substituíssem o livro com uma história mostrando meninos e meninos desempenhando funções técnicas, interagindo, compartilhando ideias respeitosamente e fazendo contribuições de ambas as partes para o design, a história e a codificação. Nós também sugerimos que vocês contratem um sociólogo para revisar o trabalho de seus autores e desenvolvedores, para garantir que as mensagens explícitas e implícitas das convicções da Mattel sejam consistentes com a necessidade nacional de fortalecer a criação de mão-de-obra altamente qualificada, diversificada e eficiente no ramo da computação.

MCWIT é uma aliança de mais de 575 proeminentes corporações, instituições acadêmicas, agências governamentais e ONGs trabalhando para aumentar a participação de meninas e mulheres no ramo da computação. Juntar-se à NCWIT pode ajudar a Mattel a avançar em sua promessa de garantir que “todos os títulos da Barbie sejam escritos para inspirar a imaginação das meninas e retratar uma personagem empoderada”.

Senhor Stockton, a NCWIT tem trabalhado duro nos últimos dez anos para reverter esteriótipos. Livros como “Barbie:Eu posso ser uma engenheira de computação” são um retrocesso para o que alcançamos. Como uma grande fabricante de brinquedos, Mattel verdadeiramente tem uma influência importante em criar o “futuro das brincadeiras”. Nós esperamos que vocês daram passos para usar essa influência de forma positiva, avivando a sua missão de impactar pessoas de um modo positivo e de brincar com responsabilidade. Nós lhe pedimos para seguir o código de condutas da Mattel: tomem a difícil e cara decisão de fazer a coisa certa, retirando os livros das prateleiras, físicas e virtuais, e criem uma impressão positiva para garotas, seus pais e a economia nacional.

Cordialmente,

Lucy Sanders

CEO, National Center for Women & Information Technology

 

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