Feiras de troca de brinquedos freiam consumismo infantil e garantem diversão

Feiras de troca de brinquedos freiam consumismo infantil e garantem diversão

Com o apelo da publicidade, o consumismo infantil vem crescendo em ritmo acelerado. Felizmente, existem muitas atitudes e iniciativas que ajudam a contê-lo. As feiras de troca de brinquedos são uma delas, ainda mais populares no fim do ano graças ao Dia das Crianças e Natal. “Acreditamos que com a feira a criança desenvolve uma outra relação com o produto, onde o valor monetário passa a ser o valor afetivo. Vai muito além da compra”, defende Estefania Lima, responsável pelos eventos organizados pelo Instituto Alana. A organização, que criou essa ação em 2012, tem como bandeira garantir condições para a vivência plena da infância. O grande barato desses eventos é oferecer a oportunidade de a criança ter brinquedos novos sem tirar um centavo do bolso. Contudo, esse ambiente é tão rico que a questão financeira se torna apenas um detalhe.

Imagine um grande espaço aberto – geralmente praças, parques, escolas e condomínios que oferecem contato com a natureza –, com vários tapetinhos espalhados, onde os pequenos expõem seus brinquedos assim como em uma feira livre. Não há separação por faixa etária ou gênero. Cada um deve levar um ou mais brinquedos que ele mesmo escolhe com ajuda dos pais no dia anterior, contanto que não tenha avarias, no intuito de trocar por um produto novo. “É um processo de desapego que não é, necessariamente, fácil. Muitas vezes, os pais têm mais dificuldades do que os filhos”, aponta Estefania.

Brincando de autonomia

Essa é uma oportunidade única de incentivar a criança a agir com independência em um ambiente seguro – o processo inteiro as inspira a isso, a começar pela escolha do brinquedo que será levado para a feira. Aqui entra a conversa dos pais, que devem falar sobre a dinâmica do evento, explicando que aquela é uma oportunidade de ter um brinquedo novo, mas sem precisar comprar ou acumular. Só será necessário que ela se desapegue de algo que não queira mais. “Aproveite para falar sobre valores relacionados ao consumo. Pergunte: ‘quantos brinquedos você tem? Com quais você ainda brinca?’ e mostre que ela pode conseguir algo novo que renderá mais momentos de diversão”, orienta a organizadora.

Ao chegarem na feira, cabe aos pais se segurarem e deixarem a criançada exercer sua autonomia. Elas mesmas negociarão com os colegas os brinquedos que almejam – e nem sempre conseguirão o que querem. “Não é só um lugar de desejo, como em uma loja. Elas verão que precisam abrir mão de algo e, quando a troca não dá certo, veem que não é tudo que elas querem que, necessariamente, acontece. É uma experiência de frustração controlada”, explica. Para ter o que deseja, a criança pode até ter que oferecer mais de um brinquedo.

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Nessa brincadeira de trocar suas coisas por aquilo que realmente importa, o valor afetivo acaba falando mais alto do que o monetário. Não interessa se ela tem um carrinho de controle remoto em mãos se ela quer, na verdade, um balão. “Já presenciamos a troca de um tablet por uma bonequinha”, exemplifica Estefania. Em outra situação, ela conta, um menino queria uma boneca. “Quando o pai falou que podia, ele ficou abraçado com ela o tempo inteiro. Ele ficou tímido, pois existe a pressão da escola, mas ali ele se sentiu tão livre que se permitiu”, observa.

Aprendizado para os pais

Ver seu filho trocando um tablet por uma boneca pode ser desesperador para nós, adultos, que costumamos dar mais importância ao valor monetário. Por isso, o processo de desapego pode ser mais doloroso para os pais – e nem todos levam isso tranquilamente. “Muitos estão presos ao dinheiro e ficam intermediando a negociação além da conta, só aceitando a troca se os produtos tiverem preço equivalente. Porém, o objetivo é justamente que a criança exerça o direito de ter vontade própria e que associe um brinquedo ao valor sentimental, não monetário”, aponta Estefania. Assim, os pais também perceberão que não é necessariamente um brinquedo caro que fará seus filhos felizes. A felicidade está além disso.

Então, se você pretende ir a uma feira de troca de brinquedos, prepare-se para deixar seu pequeno livre para fazer suas próprias escolhas e interferir o mínimo possível. Quando o processo é mais proveitoso, acontecem as trocas mais divertidas e o objetivo da ação é atingido.

Organize sua própria feira

Neste mês de outubro, o Instituto Alana realizará apenas dois eventos, mas a ideia é que qualquer pessoa ou organização possa montar uma feira em sua região. Já foram mapeados 30 eventos independentes até o fechamento desta matéria. Se você se animou, também pode fazer a sua: a instituição disponibiliza um material com instruções para organizar, que abrange desde a maneira de arrumar o ambiente até como conversar com os pais e estabelecer a dinâmica de troca saudável para o aprendizado da criança – basta acessar o site do Instituto Alana e baixá-lo gratuitamente. Se você comunicá-los sobre o evento, eles também fazem a divulgação.

Fotos: Divulgação/Renata Franco

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