Filme retrata o peso de uma crise financeira na família

Filme retrata o peso de uma crise financeira na família

Observar o patrimônio financeiro crescer e levar uma vida confortável e luxuosa é um sonho para praticamente todo mundo, o problema é fazer o caminho inverso. Enfrentar uma crise financeira e acostumar-se com novos padrões, com uma nova realidade, exige muito mais do que aceitar uma conta bancária com menos dinheiro.

Toda a adaptação exige ainda que quem passa pela crise esteja apto a entender uma nova realidade, uma nova cultura. Não seria ousado dizer que quem sofre uma grande perda financeira se vê forçado a rever suas perspectivas sobre o que é preciso realmente valorizar.

Sob essa ótica, o cineasta Fellipe Barbosa fez o filme “Casa Grande”, baseado em sua própria história. A narrativa aborda uma grave crise financeira sofrida por um empresário de classe média alta no Rio de Janeiro, que ocorre no mesmo momento em que o filho vai prestar vestibular.

Em conversa com o portal de conteúdo Glamurama, o cineasta contou que fazer o filme foi uma necessidade do que propriamente uma vontade. No período em que a família atravessou a crise, o pai dele não se abria sobre o que estava acontecendo e ele, ainda garoto, sentiu falta de ter sido mais presente durante aquele momento, de ter tido ciência do que realmente acontecia com o pai dele.

Na ótica de quem foi criado na alta sociedade, ele traz ainda mais um questionamento: buscar entender a nossa necessidade de desejar e consumir tanto. Neste sentido, o filme nos remete ao Blue Jasmine, que também traz uma narrativa crítica sobre uma socialite que perde tudo de uma hora para outra, mas não consegue desvincular-se dos padrões que tinha.

Muitas vezes, quando surge uma crise financeira, a tentativa de blindar os filhos do que está realmente acontecendo vem quase como um instinto natural. Como eles não são culpados do que está acontecendo, o esforço vem como uma tentativa de evitar de que a crise os atinja.

Mas a verdade é que é impossível impedir os filhos de fazer parte deste momento. De repente a viagem de fim de ano é cancelada, as mensalidades escolares começam a atrasar, os telefonemas de bancos e cobradoras em casa tornam-se cada vez mais frequentes, alguns “amigos” desaparecem com a diminuição dos eventos sociais, enfim, a realidade traz a verdade à tona.

Neste sentido, será que realmente vale a pena esconder a crise financeira dos filhos? Não seria melhor ser honesta e explicar sobre a má fase? Este pode ser um momento para manter a família ainda mais unida, despertar a consciência sobre o que o dinheiro representa. Destruir este conceito de que o sucesso depende de uma montanha de dinheiro para existir.

Para realmente evitar – ou amenizar – o sofrimento de quem amamos e de nós mesmas, é preciso ser realista e não encarar a falta de dinheiro como o fim do mundo. Se você vive uma crise financeira, não considere este momento como um fracasso. Durante uma tempestade, sempre vem um enorme aprendizado, a partir do momento em que a consciência é aberta para aceitar uma nova vida e entender o que precisa ser mudado. Quando temos muito dinheiro, corremos um sério risco de não percebermos uma inversão de lógica. Sem notar, é o dinheiro que passa a ser nosso dono.

 

 

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