Financiamento imobiliário: como lidar com a (possível) inadimplência

Financiamento imobiliário: como lidar com a (possível) inadimplência

A compra da casa própria está no topo da lista de desejos de muitos brasileiros. Há, entretanto, uma barreira considerável para torná-la realidade: o financiamento imobiliário. Por envolver longos prazos de pagamento, parcelas com valores altos e ainda o risco de perda do imóvel em caso de inadimplência, esse sonho pode facilmente desabar.

As dificuldades habituais dessa linha de crédito ainda são agravadas pelo cenário de crise econômica: com um mercado instável e altos índices de desemprego, tem crescido o número de pessoas que não conseguem dar conta das prestações acordadas em seus contratos. Uma pesquisa do Instituto Geoc, divulgada no fim de novembro, mostrou que as dívidas em atraso no financiamento imobiliário triplicaram no último ano.

Se você se encontra nessa situação, e já está inadimplente com as parcelas do imóvel, ou está sentindo o financiamento pesar no bolso, confira as dicas do que fazer.

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Revisão do orçamento
Quem ainda não atrasou, mas está sentindo dificuldade em arcar com o financiamento, deve, primeiramente, revisar as finanças e analisar se há despesas que podem ser cortadas para que o valor da parcela do imóvel caiba mais confortavelmente no orçamento. A Associação dos Mutuários de São Paulo e Adjacências (AMSPA) orienta que o valor das contas não devem comprometer mais de 30% da renda da família. Para mais informações, você pode acessar a Cartilha da Inadimplência no Crédito Habitacional, da instituição.

Renegociação
Agora, se você já estiver em atraso ou, após analisar o orçamento, chegar a conclusão de que não terá condições de manter as condições atuais do financiamento, a melhor opção é procurar a instituição financeira para fazer uma renegociação. “O ideal é que o mutuário evite ao máximo a inadimplência. Por isso, assim que perceber que vai atrasar as parcelas, deve buscar fazer a repactuação do acordo”, explica Tathiana Cromwell, diretora da AMSPA.

Para aliviar o bolso, você pode buscar estender o número de parcelas para diminuir o valor pago mensalmente. Mesmo ocorrendo a elevação da taxa de juros na operação, a profissional explica que essa é a opção mais segura, para evitar o risco de perda do imóvel.

Para garantir um bom negócio, entretanto, é preciso tomar alguns cuidados. Fique de olho na taxa de juros (no Sistema Financeiro da Habitação, por exemplo, a taxa não pode ultrapassar 12% ao ano), no Custo Efetivo Total (CET) da operação, que consolida os valores pagos pelo cliente, e tenha certeza absoluta de que o novo valor da parcela caberá no seu orçamento (novamente, o valor não deve consumir mais de 30% da renda dos titulares). É preciso ter consciência de que quanto mais vezes precisar renegociar a dívida, menor será o seu potencial de negociação com o banco.

Além disso, se o seu contrato foi assinado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), lembre-se de que pode usar o seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para amortizar o saldo devedor.

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Revisão de contrato por perda de renda
A lei garante também o direito de os proprietários do imóvel pedirem revisão dos contratos do SFH quando houver redução da renda – por exemplo, em caso de desemprego de um dos titulares. Se no seu contrato houver previsão de comprometimento de renda, você poderá renegociar as condições do financiamento de acordo com o seu rendimento atual.

Fundo Garantidor Habitacional (FGH)
Para quem fez o financiamento pelo Minha Casa, Minha Vida há também outra opção: o Fundo Garantidor Habitacional (FGH). Funcionando como um seguro, ele permite a cobertura de parte das prestações em casos de desemprego, redução de renda, morte e invalidez.

Portabilidade
Quem ainda não atrasou a prestação também pode tentar fazer a portabilidade da dívida, ou seja, levar o débito de uma instituição financeira para outra, que ofereça taxas de juros mais atrativas. Nesse caso, é importante pesquisar as condições oferecidas por diversos bancos e também ficar de olho no Custo Efetivo Total (CET) da operação. Apesar de ser uma possibilidade válida, Tathiana explica que na prática há certa resistência dos bancos em viabilizar essa opção aos proprietários, que relatam dificuldade em fazer o processo.

Ação judicial
Se, por algum motivo, a sua renegociação com o banco falhar – se o credor se recusar a estender o prazo ou exigir que, para isso, as parcelas em atraso sejam quitadas -, Tatiana explica que o próximo passo é ingressar com uma ação judicial, para solicitar o recálculo do valor e tentar proibir o banco de promover a execução do imóvel.

Venda do imóvel
Após avaliar todas as suas opções e concluir que realmente não terá condições de prosseguir com o financiamento, a melhor alternativa é tentar vender a propriedade. “Mesmo que o imóvel seja vendido a um preço um pouco abaixo do valor de mercado, essa opção é mais vantajosa do que deixá-lo ir a leilão e perder tudo o que já pagou”, explica Tathiana.

Procure ajuda
Para ajudá-la a lidar com a dificuldade de arcar com o financiamento imobiliário, você pode procurar a ajuda de instituições como as associação dos mutuários da sua região, Defensoria Pública ou Procon, que oferecem assessoria gratuita.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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