Fraude de CPF: veja o que fazer se você for vítima

Fraude de CPF: veja o que fazer se você for vítima

Todo mundo pode ser vítima de fraude de CPF. E, desta vez, quem não saiu ilesa foi a gerente de marketing do Finanças Femininas, Malu Lopes, que se deu conta do golpe depois de uma série de ligações estranhas e insistentes. “Era uma loja do centro-oeste do País fazendo a cobrança de um cartão e pedindo pra eu confirmar meus dados. Como eu achava que poderia ser um golpe, não os dei”, diz. Infelizmente, o caso de Malu é extremamente comum: de acordo com o Serasa Experian, uma pessoa é fraudada a cada 17 segundos.

Como reside em São Paulo e não havia feito compras na região daquele DDD, Malu achou a situação estranha e ligou para seu gerente. Foi quando descobriu que havia quatro negativações em seu nome todas de datas próximas e de cartões de lojas de departamento – dois deles ligados a um banco.

Percebendo que havia sido vítima de um golpe, foi procurar informações sobre como poderia sair dessa situação, mas tudo o que encontrou foi uma série de informações desencontradas. Depois de muito transtorno, acabou descobrindo que precisava abrir um boletim de ocorrências e procurar o Juizado Especial Cível.

Saga contra a fraude de CPF

Só para abrir o B.O ela conta que passou quatro horas na delegacia. Quando foi ao Juizado, teve ainda mais problemas com o desencontro de informações. “Dois se recusaram a me atender porque disseram que meu CEP não pertencia à região deles. Quando fui ao de Pinheiros, que é mais próximo da minha casa, me informaram que qualquer Juizado poderia ter recebido meu pedido e que eles estavam errados em recusar”, conta.

Então, lhe passaram uma lista de documentos a serem levados para a abertura do processo contra as empresas que negativaram seu nome. Ela os levou, mas mesmo assim não conseguiu abrir o processo. “Informaram que eu mesma deveria escrever o requerimento e me passaram um modelo, porém, não me deram qualquer outro tipo de auxílio, nem em relação ao quanto pedir das empresas que me lesionaram”, detalha.

Passada essa fase, começou a batalha ter seu comprovante de residência aceito, pois a gerente de marketing havia acabado de se mudar e ainda não tinha todas as contas em seu nome. Tudo isso aconteceu em novembro. Malu só conseguiu que seu comprovante fosse aceito em janeiro – quando a juíza expediu um pedido para que os réus tirassem imediatamente o nome dela dos órgãos de proteção ao crédito. “Eles o fizeram, porém, não consegui nem abrir conta bancária até abril”, lamenta.

Tanto a audiência de conciliação com todos os réus quanto o julgamento aconteceram no mesmo dia, em março. “Como duas negativações aconteceram por apenas um banco, a juíza decidiu juntar os dois processos para que eles pagassem apenas uma indenização, e determinou o pagamento de cinco salários mínimos para cada empresa – no caso, apenas três, por conta dessa junção”, relata.

fraude_cpf_interna

Em meio à busca de informações para redigir seu próprio requerimento, Malu havia sido orientada a pedir dos réus o valor máximo, que é de R$ 17.600. “Mas, por conta disso, a juíza entendeu que eu estava querendo enriquecer às custas das empresas e diminuiu a indenização”, lamenta. A gerente de marketing até poderia entrar com recurso para pedir um valor maior, mas teria que pagar o advogado de seu próprio bolso – e correr o risco de não dar em nada.

Sofri uma fraude de CPF, e agora?

Além de todos os transtornos que teve para conseguir ser indenizada, um dos maiores sofrimentos de Malu neste processo foi a falta de informações. “Fiquei perdida, sendo jogada de um lado para o outro. Até hoje ninguém soube me informar como essas negativações me afetarão ao longo da vida, como quando eu precisar de um financiamento ou empréstimo”, desabafa.

“A maneira mais comum de descobrir se está sendo vítima é observar indícios de inconsistências das faturas e cobranças ou contratar serviços de monitoramento do CPF”, diz Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

A primeira atitude a ser tomada é verificar junto aos órgãos de proteção ao crédito, como SCPC e Serasa, se o seu CPF está negativado. Elas mesmas oferecem ferramentas para você acompanhar a situação. Percebendo que você realmente está negativada, é fundamental ir à Polícia Civil para fazer um Boletim de Ocorrência.

“Então, procure as empresas que cadastraram seu CPF e sinalize que aquilo se trata de uma fraude. Também indicamos que a vítima nos procure, pois nós entramos em contato com as empresas para que elas removam a notação”, explica Fernanda Monnerat, diretora do SerasaConsumidor.

“No ato do contato com a empresa que a negativou, requisite um protocolo e, não havendo solução, procure também o órgão de proteção e defesa do consumidor que atende sua região”, Renata Reis, coordenadora de área do Procon-SP.

No mais, o melhor a ser feito é sempre ficar de olho nas movimentações no seu CPF. No vídeo abaixo, você vê como pode se prevenir:

 

Fotos: Shutterstock

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Este conteúdo foi útil para você?

Financas Femininas

Finanças Femininas

Sua independência financeira depende de você, com uma ajudinha nossa.

close