Fundos de investimento: cuidados ao escolher o seu

Fundos de investimento: cuidados ao escolher o seu

Muito provavelmente você já se deparou com os fundos de investimento enquanto conversava com o seu gerente ou pesquisava onde colocar o seu dinheiro. Fundos são investimentos coletivos, nos quais cada investidor coloca um pouco de dinheiro e o montante total é aplicado por um terceiro, o gestor.

As principais vantagens estão na gestão profissional e acesso a modalidades de investimentos que as pessoas teriam dificuldade para acessar individualmente. Mas, como existem fundos dos mais variados tipos – dos mais conservadores aos mais arriscados -, para fazer uma boa escolha é preciso levar em conta uma série de fatores: como reputação das partes, taxas cobradas, grau de risco e liquidez.

Confira abaixo tudo o que você precisa considerar para escolher um bom fundo de investimento para você.

O que é um fundo de investimento?

Os fundos podem ser comparados ao esquema de sociedade em uma empresa. Por meio dele, cada investidor torna-se “dono” de uma parte do total, chamada de “cota” – que nada mais é do que uma fração de um fundo. Os “cotistas”, então, contratam um terceiro (o gestor) para tomar conta do seu dinheiro e – espera-se – fazê-lo render.

“Cada um dá um pouco de dinheiro e, com um volume grande em mãos, compram-se ativos: que podem ser de renda fixa ou variável. Todos os fundos são derivações dessa mistura”, explica o sócio-diretor da Genial Investimentos, Eduardo Moreira.

Podem fazer parte de fundos diversos ativos financeiros, como CDBs, ações, debêntures, moedas estrangeiras e derivativos. A proporção entre ativos de maior ou menor risco varia, por isso, há fundos conservadores e arriscados.

Diversifique

Os fundos podem ser uma boa opção para colocar parte dos seus investimentos, paralelamente a produtos de renda fixa, como Tesouro Direto, CDBs e letras financeiras. Essa diversificação é importante principalmente para quem optar por produtos com maior grau de risco.

Essa foi a escolha, por exemplo, da secretária executiva de 40 anos, Magna Augusto, que ao mesmo tempo em que mantém parte dos seus recursos na poupança e no Tesouro Direto, investiu a outra em um fundo de renda fixa, com taxa de administração de 1,7% ao ano e liquidez diária.

“Durante muito tempo, por falta de conhecimento, investi em títulos de capitalização. Foi quando percebi que não podia buscar informações apenas no meu banco e comecei a pesquisar. Fui entendendo melhor os investimentos e agora estou ficando mais segura, pouco a pouco. Conhecer essas opções está até me ajudando a poupar mais”, conta a profissional.

Conheça os envolvidos

“Quem escolhe um fundo de investimento precisa ter em mente que o seu dinheiro está saindo do banco e indo para outro lugar”, explica Moreira. Por isso, é tão importante entender quem são as partes que cuidam de um fundo: o custodiante, o gestor e o administrador.

Custodiante: “este é o ‘cofre’ do fundo, ou seja, essa informação diz onde estão guardados os recursos. Normalmente esta é uma instituição financeira”, explica o economista.

Administrador: o administrador é o criador do fundo, quem define suas característica e regras. “É uma figura independente que zela para que tudo seja feito de acordo com o combinado, que as regras sejam seguidas”, afirma. É responsável também por elaborar e divulgar informações periódicas sobre o fundo.

Gestor: o gestor da carteira é o responsável por tomar as decisões dentro do fundo, decidindo quanto e quando comprar ou vender cada ativo. “Ele é a inteligência por trás do fundo. É importante que as pessoas saibam quem está cuidando do seu dinheiro, o seu histórico, há quanto tempo está no mercado, etc”, defende Moreira.

Considere as taxas cobradas

A principal taxa cobrada pelos fundos de investimentos é a taxa de administração, que consolida, na verdade, três cobranças: a taxa de administração, custódia e gestão. “Esse é o ‘salário’ que você paga às partes”, explica Moreira. Outras taxas que podem ser cobradas são as de performance, entrada e saída. É preciso ficar atenta a todas elas – e a quanto da sua rentabilidade elas irão “comer”.

Segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), atualmente – com a Selic a 11,25% ao ano -, os fundos de renda fixa, por exemplo, ganham da poupança quando a taxa de administração for inferior a 2,5%. Moreira destaca também que quando a rentabilidade do fundo é divulgada, já houve desconto da taxa de administração.

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Escolha um fundo que se encaixe no seu perfil

Pela classificação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), há quatro tipos principais de fundos e cada um deles atende a diferentes interesses de investidores. Na hora de escolher o que mais se encaixa nos seus planos, portanto, é preciso considerar, principalmente, seu perfil de investidora, objetivos e prazo de investimento.

– Fundos de renda fixa: esses são os mais conservadores, ou seja, bom para aquelas que não querem assumir riscos nos seus investimentos. Fundos de renda fixa reúnem títulos públicos, privados ou de empresas. Os principais riscos aqui dizem respeito à variação da taxa de juros ou índices de preços.

– Fundos multimercado: proporcionando uma mistura de ativos de renda fixa e variável, esses fundos oferecem um risco moderado. A proporção entre ativos mais ou menos arriscados varia bastante de fundo para fundo, por isso é importante conhecer o produto que está adquirindo. Nesse caso, há a possibilidade de ter ganhos maiores, mas é preciso assumir mais riscos para isso.

– Fundos de ações: mais arriscados, esse fundos investem no mercado de ações. É indicado para investidores mais agressivos, que estão em busca de diversificação de investimentos e tem um horizonte de tempo maior em mente. Entre as categorias de fundo, os de ações foram os que tiverem melhor rentabilidade em 2016, com valorização média de 34%, mas é preciso lembrar que quando se trata de ações não há garantias.

– Fundos cambiais: normalmente usados por quem precisa se proteger de variações cambiais (como quem trabalha com importações), tem seu resultado atrelado ao desempenho de moedas estrangeiras.

Há, ainda, outros tipos de fundo, como os de previdência e os imobiliários.

Conheça o prazo de resgate

Fundos variam também em termos de liquidez, ou seja, o prazo necessário para resgatar o investimento. Em geral, fundos mais conservadores costumam ter liquidez mais alta, enquanto fundos mais arriscados, costumam ter prazos mais elevados para resgate do dinheiro. Mas isso pode variar, por isso, é preciso ficar atenta às regras de cada produto.

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Considere a tributação

A tributação de Imposto de Renda varia de acordo com o tipo de fundo, podendo ser semestral ou apenas no resgate.

Entenda que não há garantia do FGC

Os fundos de investimento não contam com proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que dá garantia de até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira em caso de quebra ou calote do banco.

Leia o regulamento

Para investir em fundos, é fundamental que você reúna informações. Por isso, fique atenta ao regulamento e prospecto de cada um. Nesses documentos, você poderá encontrar informações como riscos envolvidos, regras para aplicação e resgate, composição da carteira, taxas cobradas, público-alvo, políticas de divulgação de informação e tributação.

Para mais informações sobre os cuidados ao investir em fundos, a CVM disponibiliza esta cartilha.

Acompanhe seu fundo

Além dos documentos acima, os fundos devem divulgar também informações periódicas (em prazos pré-estabelecidos) e eventuais (sempre que houver um fato relevante, ou seja, que pode influenciar o valor das cotas ou as decisões dos investidores). Acompanhar essas informações é fundamental para avaliar a administração e gestão do fundo e entender o que está sendo feito com o seu dinheiro.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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