Ganhar mais que o marido não é problema

Ganhar mais que o marido não é problema

Lutar por autonomia, independência financeira e espaço no mercado de trabalho é uma bandeira defendida ao longo de muitos anos e o objetivo é fazer com que as conquistas cresçam cada vez mais, a fim de chegarmos a uma sociedade realmente equilibrada entre homens e mulheres. Mas esse desafio não se restringe somente a alcançar espaço fora de casa.

Se por um lado muitos namorados/noivos/maridos encaram a ascensão de suas companheiras no mercado de modo muito natural, outros ainda não lidam bem com a possibilidade da mulher ter um salário melhor, por exemplo. Do mesmo modo, infelizmente também ainda existem mulheres com pensamentos machistas, que imaginam que cabe ao homem o “papel” de sustentar a casa.

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A desconstrução de pensamentos machistas é sadia não só por ajudar a moldar uma sociedade mais igualitária no mercado de trabalho, mas também na rotina doméstica. Em vez do apego aos velhos conceitos de que a mãe tem mais responsabilidade sobre a criação dos filhos do que o pai ou que deva assumir todas as tarefas domésticas, uma sociedade sem machismo abre espaço para que homens e mulheres sejam encarados no mesmo patamar, sem divisões de papeis por gênero.

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Quando o companheiro mostra-se relutante para aceitar um contexto em que a mulher receba um salário melhor, a orientação da professora da IBE-FGV, Eliza Lippe, especialista em gestão financeira e contabilidade geral, é usar o diálogo transparente para lidar com a situação. “O que não pode acontecer é um jogar na cara do outro que ganha menos ou mais”, comenta. Na avaliação da especialista, da mesma forma que o homem deve dar incentivo à mulher que está crescendo profissionalmente, ela também deve incentiva-lo para que ele continue crescendo. Este companheirismo é fundamental para evitar conflitos em que ele reclame de receber menos ou ela alegue que está “sustentando o marido”.

Se a mulher está recebendo um salário melhor que o marido, nada mais justo que as despesas em casa serem divididas proporcionalmente, de acordo com que cada um tem possibilidade de arcar. No mesmo sentido, ela faz um paralelo com a realidade que existia em outras gerações. “Quando a mulher não trazia renda para a casa, ela ajudava muito o companheiro cuidando da economia doméstica. Se o homem não pode colaborar mais financeiramente, ele pode assumir um papel mais proativo na economia de casa”, ressalta. O mesmo pensamento se estende para as tarefas domésticas. Se a jornada da mulher for maior, nada mais justo que o marido assumir a responsabilidade de cuidar dos afazeres da casa, na impossibilidade dos dois contratarem uma empregada ou contarem com uma faxineira. No cenário em que vivemos, não se trata mais de “ajudar a mulher a fazer isso ou aquilo”, mas sim da divisão justa das responsabilidades entre os dois.

Por fim, é importante que o casal entenda que não há como encarar a vida financeira como uma disputa de quem ganha mais e quem ganha menos. Conforme ressalta a especialista, se há crescimento profissional dela ou dele, isso é bom para os dois no fim das contas. Por mais que cada um tenha sua parte individual, a renda dos dois é para o bem-estar do casal.

Crédito das fotos: Shutterstock

 

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