Inflação: por que ter medo?

Inflação: por que ter medo?

Bom dia, meninas! Hoje Naiara Bertão traz um apanhado bem interessante sobre a inflação, que está bem elevada e afeta as nossas vidas todos os dias.

Olá, meninas! Tudo bem?

Bom, hoje eu vou falar de um tema bem presente na vida de todos: a inflação. Sabe quando você reclama que comer fora de casa está mais muito caro, ou que a manicure subiu o valor do serviço? Bom, esse aumento de preços nada mais é do que inflação.

Os brasileiros mais velhos têm certo trauma quando o assunto é inflação. Isso porque eles viveram dias complicadíssimos nos anos 1980/1990, antes do Plano Real (1994), quando o país vivia o dragão da hiperinflação. Ele devorava o poder de compra das pessoas em questão de dias ou até horas! Em 1993, para ter uma ideia, os preços chegaram a subir 2.477,15%! Ou seja, se você deixasse para fazer compras no supermercado no dia seguinte do recebimento do salário, poderia só conseguir comprar um ovo com o mesmo valor que pagaria por um quilo de picanha um dia antes.

Por todo o nosso histórico traumático com o dragão inflacionário, o tema é um assunto muito sério para os economistas brasileiros. E, por isso, muitos criticaram os gastos excessivos do governo federal nos últimos anos. A intenção do governo, quando anunciou diversos subsídios a setores da economia e obras de infraestrutura, era estimular o consumo e, assim, o crescimento econômico (do PIB, o Produto Interno Bruto). Em paralelo, o governo também baixou as taxas de juros (Selic) e pressionou os bancos privados a baratear o crédito.

O que aconteceu, porém, é que muita gente contraiu dívidas acima do que poderia pagar. Os gastos dos consumidores aumentaram sim, a economia cresceu mais, MAS, tudo tem seu preço. Com todos comprando, as lojas e indústrias subiram os preços (lei da oferta e da demanda) e, consequentemente, a inflação acelerou. Em 2013, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o índice oficial de inflação, subiu 5,91%. Em 2014, o IPCA subiu 6,41%, ou seja, muito próximo do limite saudável (6,5%), conforme publicou o IBGE no dia 9 de janeiro.

É claro que não corrermos risco hoje de voltar aos tempos da hiperinflação, mas perseguir a META de inflação é dever de qualquer governo. A meta foi estabelecida justamente para que não voltemos no tempo. Hoje a meta para o IPCA é de alta de 4,5% no ano. Ou seja: o Banco Central precisa direcionar sua política monetária (como eles chamam as diretrizes que controlam os juros básicos, crédito, inflação) para que o IPCA suba 4,5% no ano ou bem próximo disso. O ideal é que a inflação feche um ano entre 2,5% a 6,5% – essa é a banda da meta de inflação.

alta_dos_precos

O problema é que o Brasil só não ultrapassou a meta, ou seja, a inflação só não foi maior, porque o próprio governo adiou o aumento de preços do que podia: transporte público, combustível e tarifas como a de energia. Só que agora, passada a eleição, a presidente Dilma Rousseff, e sua equipe econômica (Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Alexandre Tombini no Banco Central e Nelson Barbosa no Ministério do Planejamento) precisarão lidar com um problema ainda maior: os reajustes que foram reprimidos.

Para 2015 as perspectivas não são otimistas. O Banco Central publica semanalmente um relatório de estimativas econômicas chamado Focus. A última projeção aponta para uma alta de 6,60% do IPCA no fim do ano. Ou seja, não vamos conseguir nem ficar dentro da BANDA DA META se o cenário se confirmar. Só o reajuste das tarifas de energia vai pesar com mais de 1 ponto porcentual desses 6,6% previstos. A média de aumento de preço das contas de luz, segundo especialistas, será de 40%! Isso mesmo, 40%!!!! Isso, se não tivermos racionamento, que aí o preço pode disparar ainda mais (caso seja cobrada multa por consumo excessivo). No fim do ano passado a Petrobras já anunciou reajustes no preço da gasolina, mas nada impede que ela suba ainda mais este ano, apesar de seus preços já estarem caros, agora que o valor do barril do petróleo despencou no mercado internacional.

Vendo tudo isso, o Comitê de Política Monetária do Banco Central deve SUBIR AINDA MAIS OS JUROS básicos (taxa Selic) na sua reunião desta semana, que termina nesta quarta-feira. Ele faz isso para tentar frear o consumo (porque o crédito fica mais caro e as pessoas compram menos). A expectativa do mercado é que a Selic suba de 11,75% hoje para 12,25%.

Separei alguns dados sobre o IPCA de 2014 para vocês saberem quanto subiram os preços de coisas do nosso dia a dia:

Roupa feminina: 2,60%

Refeição fora de casa: 9,96%

Lanche fora de casa: 9,21%

Iogurte: 9,91%

Carnes: 22,21%

Gasolina: 2,89%

Manicure: 9,73%

Cabeleireiro: 8,39%

Higiene pessoal: 6,25%

Passagem aérea: 7,79%

Por hoje é isso meninas! Espero que tenham entendido um pouco sobre como a inflação pesa no seu bolso (e também no preço de sua bolsa)!  Semana que vem temos mais En $uma para descomplicar esse mundo econômico.  Beijinhos 🙂

Desabafa!

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Naiara Beltrão

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