Investimentos: conheça o COE

Investimentos: conheça o COE

Para quem está pensando em começar a diversificar seus investimentos e assumir riscos um pouco mais elevados do que os da renda fixa, uma opção que vem ganhando espaço no mercado brasileiro é o Certificado de Operações Estruturadas, conhecido como COE.

O principal diferencial desse produto é a possibilidade de obter ganhos mais expressivos do que os da renda fixa, mas mitigando parte dos riscos da renda variável – já que a maioria dos COEs distribuídos no Brasil protege o dinheiro que você investiu inicialmente. Entenda como ele funciona e se essa é uma boa opção para colocar parte do seu dinheiro.

O que é COE?

O COE permite à investidora ter acesso a diversos ativos, inclusive internacionais, como moedas, ações, commodities e índices, sem que ela precise investir em outros países para isso.

Ele possibilita uma espécie de “mistura” entre a renda fixa e variável, já que mais de 90% dos COEs distribuídos no Brasil protegem o capital inicial. Isso significa que, no pior dos cenários, o seu maior risco é não ganhar nada com ele. Ainda assim, preservará o dinheiro que colocou inicialmente na compra – sem a correção da inflação.

No final de 2015, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regulamentou a oferta de COEs ao varejo e, desde então, vem crescendo a procura no Brasil, explica o sócio-diretor da Easynvest, Marcio Cardoso. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, a corretora distribuiu doze COEs, o que movimentou um volume de R$ 27 milhões.

O professor de gestão financeira da IBE-FGV, Marcio Barros, explica, então, que as grandes vantagens do produto são: a possibilidade de investir em ativos diversos, que muitas vezes a investidora teria dificuldade para acessar isoladamente, e aumentar as suas chances de ganho, protegendo o capital inicial.

Tipos de COEs

Como foi dito, a maioria dos COEs distribuídos no País são de capital protegido, mas há também aqueles em que é possível perder o dinheiro investido inicialmente. Por isso, é preciso ficar atenta ao produto que está comprando.

Perfil de investidora

Para Barros, o COE de capital protegido é indicado para investidoras de perfil acima do moderado, ou seja, que estão dispostas a assumir certos riscos de perda. “É importante que a pessoa já tenha um certo conhecimento sobre investimentos, para que entenda melhor o funcionamento e riscos envolvidos”, explica o professor.

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A que pontos prestar atenção ao investir:

Não há proteção do FGC

Nos COEs não há garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – aquele que dá proteção à investidora de até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira, em caso de quebra ou calote. “O maior risco envolvido na compra do COE, então, é o de a instituição financeira quebrar. Por isso, é importante dar preferência a bancos emissores com avaliações muito boas”, explica Cardoso.

Há o risco de não ganhar nada

Na hora de decidir onde colocar o seu dinheiro, é importante levar em conta também o que está deixando de ganhar ao escolher um determinado investimento – o chamado custo de oportunidade. Com os COEs, não é diferente.

Barros explica que, como os juros são altos no Brasil, a renda fixa traz retornos muito atrativos aos investidores. No COE, por outro lado, há sempre o risco de você não ganhar nada com o investimento. Por isso, é preciso considerar os rendimentos que poderia ter obtido com a renda fixa. Além disso, é importante lembrar também que, nesse cenário, mesmo tendo mantido a quantia nominal que investiu, a inflação do período terá reduzido o seu poder de compra.

“Nesse investimento, a pessoa precisa saber que pode ter um retorno maior do que o oferecido pela renda fixa, e é o que espera que aconteça, mas também está exposta à possibilidade de isso não acontecer”, afirma Cardoso.

Normalmente, as possibilidades de ganhos também são limitadas

Cada COE funciona de uma maneira, mas, na maioria, não só as perdas, mas também os ganhos são limitados. Ou seja, há um “teto” colocado para o seu retorno – por exemplo, de 25% do capital investido. Ou seja, mesmo que os seus ativos disparem no período, esse será o seu retorno máximo.

A liquidez é baixa

Nesse investimento, é mais comum que o vencimento seja definido já na emissão. Por isso, é preciso garantir que você não precisará daquela quantia no período. Em média, a investidora precisa manter o dinheiro aplicado por cerca de um ano. “Em alguns COEs, há a possibilidade de saídas intermediárias, mas isso varia. Por isso é importante entender o funcionamento de cada um”, explica Barros.

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Há quantidade mínima para investir

Para investir em um COE, são estipulados valores mínimos. Hoje, no Brasil, a média do aporte inicial é de R$ 5 mil.

A tributação é regressiva

A tributação do investimento segue as mesmas regras da renda fixa, com uma tabela regressiva de Imposto de Renda: 22,5% para investimentos de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% para prazos superior a 720 dias.

É preciso entender exatamente como funciona o seu COE

Não há uma regra única para o funcionamento dos COEs, portanto, é preciso entender exatamente as condições de cada um – com, por exemplo, a leitura do Documento de Informações Essenciais (DIE), produzido pelo emissor, e a compreensão dos ativos relacionados. “É importante avaliar muito bem quais são as regras, inclusive de saída, para não ter surpresas”, explica Barros.

O COE é uma opção para diversificação

Muitas vezes o COE é visto como a porta de entrada para a renda variável, explica Barros, por ainda trazer alguma garantia ao capital inicial. Para os especialistas, ele deve ser visto como uma opção de diversificação de investimentos, no qual a investidora pode colocar parte dos seus recursos. Isso porque a renda fixa ainda oferece resultados bons e seguros Brasil. “Sempre que for fazer a compra pela primeira vez, a investidora deve optar por fazer uma operação pequena, com peso menor na composição da carteira de investimento”, orienta Cardoso.

 

Fotos: Shutterstock

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