Liderança: como as mulheres se portam nos negócios

Liderança: como as mulheres se portam nos negócios

Muito se fala dos benefícios da diversidade na liderança das empresas. Segundo a última edição da pesquisa Women in Business da Grant Thornton International, diversas equipes se beneficiam das conexões com uma rede mais ampla, de maior legitimidade entre as partes interessadas e de melhor tomada de decisões. Mas, apesar do crescente consenso entre os líderes empresariais sobre esta questão, o ritmo da mudança é dolorosamente lento.

Em 2016, as mulheres passaram a ocupar 25% do cargos seniores das empresas, segundo dados do estudo. Apesar do avanço, entretanto, em 13 anos de pesquisa o aumento da representatividade feminina foi de apenas 6 pontos percentuais.

Entenda quais são as principais diferenças no perfil de liderança de homens e mulheres e como essas singularidades determinam o crescimento das empresas.

Mais sobre a representatividade feminina em cargos de liderança

Enquanto a média mundial é de 25%, no Brasil, apenas 19% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres. O ranking é encabeçado pela Rússia, com 47%, seguido por Indonésia, com 46%. Reino Unido, por exemplo, fica ao lado do Brasil, também com 19%. A pesquisa ouviu 5.500 executivos, em 36 das principais economias mundial.

Mesmo com a maior participação de mulheres nos altos cargos, o número de organizações sem participação feminina em nível sênior subiu de 33% para 34% do ano passado para cá. Entre as mulheres que ocupam esses cargos, ainda é mais comum que desempenhem papéis de apoio, como diretoras de recursos humanos e financeiras. A proporção de mulheres ocupando a primeira linha na diretoria executiva é de apenas 12%.

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Fonte: Women in Business

Como a diversidade se manifesta

O relatório apresenta informações sobre a forma como mulheres e homens se portam nos negócios e enfatiza: é importante fugirmos dos estereótipos. “Isso pode levar-nos a nos concentrar nas coisas erradas ou a não buscar informações relevantes, o que resulta em uma tomada de decisão ruim”, aponta o documento.

O primeiro fator abordado foi a forma de enxergar o risco. Foram analisadas as respostas de 5500 líderes empresariais (homens e mulheres) sobre as suas percepções em diferentes situações. Enquanto a literatura tende a dizer que as mulheres são menos propensas ao risco, o resultado da pesquisa revelou que em oito das dez categorias analisadas, os homens viram mais riscos do que as mulheres nas situações apresentadas.

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Fonte: Women in Business

As diferenças foram mais significativas quando analisadas as estratégias utilizadas durante a tomada de decisões. “Os homens estão mais inclinados a saltar para uma decisão sim ou não, o que facilita a ação. Mas, na mesma medida, os homens podem agir com demasiada rapidez porque sentem que algo tem que acontecer rapidamente. Aqui, as mulheres podem fornecer controles e contrapesos para encorajar que riscos e oportunidades corretas sejam perseguidas. As mulheres tendem a aproximar o risco e a oportunidade de uma maneira holística e conduzida aos detalhes.”

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O relatório mostra, ainda, que mulheres tendem a ver menos oportunidades do que os homens em vários aspectos da vida empresarial. Algumas teorias para explicar essa característica estão ligadas à autoconfiança – já que alguns estudos mostram que enquanto a maioria das mulheres se considera igualmente capaz a seus colegas de trabalho, a maioria dos homens se considera mais capaz do que suas colegas.

Tudo isso afeta a velocidade e a natureza da tomada de decisão. “Homens e mulheres percebem e respondem ao risco de maneiras diferentes, contrastando em como eles equilibram a agilidade e cautela. Juntas, estas forças facilitam estratégias de risco eficazes para o crescimento sustentável de empresas dinâmicas”, defende o relatório.

Ao mesmo tempo, portanto, em que os homens, potencialmente, podem trazer oportunidades elevadas de crescimento, é preciso ter em mente que essas apostas podem dar errado. A consciência de risco das mulheres tende a moderar comportamento extremos e aumentar a eficiência de planos estratégicos, por apresentarem maior sensibilidade social e reconhecerem melhor sentimentos, como de medo e perigo.

 

Fotos: Shutterstock

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