Liquidações devem mesmo ser uma paixão?

Liquidações devem mesmo ser uma paixão?

*Carolina Camocardi

De consumista e louco todo mundo tem um pouco. Adaptando o velho ditado, estamos na era do consumismo e o assunto está estampado em todo canto. Por mais que tentemos fugir, sempre acabamos escorregando em uma comprinha aqui e ali. E chegado o mês de troca de coleção, vem a temporada de liquidações. Somos bombardeadas por vários anúncios de X% off. Muitas vezes você não está com intenção de comprar nada, mas quando se dá conta, já está dentro da loja olhando araras entulhadas de peças que gritam: me levem para casa!

Há os que compram por impulso, os que acham que precisam de tudo aquilo, os que compram por carência, os que compram porque estão felizes, os que tentam comprar a felicidade, os que compram por distração, os que compram por competição, os que compram por compulsão. As razões são infinitas e podemos nos justificar por horas, enquanto vivenciamos a ressaca da compra antes de sermos seduzidas pela próxima loja.

A sedução é como um namoro, sempre há a paquera antes do fato consumado. A paquera pode acontecer pela grife, coleção ou vitrine, todas impecavelmente preparadas para nos pegar. E ao entrar, temos nossos cinco sentidos acariciados, sentimos aquele perfume delicioso, nos oferecem um cafezinho e nós sentimos a seda deslizando pela pele, ouvindo uma música que nos leva para outro estágio, olhando coisas belas que podem ser todas nossas. É igual ao primeiro encontro, sempre mostramos nosso melhor, seduzimos e conquistamos.

E o que tem de errado nisso? Inicialmente nada, desde de que esse relacionamento seja saudável e equilibrado. Este é o primeiro ponto-chave da questão. É a resposta que cada uma de nós tem que encontrar.

Aproveitando uma liquidação ao máximo

A liquidação é muito bem-vinda quando você vai pagar muito menos por aquela peça que fará a diferença, que será necessária. Podemos até dizer que economizamos. O prazer de passar algumas horas dentro de uma loja dos sonhos não trará nenhum prejuízo se você se der conta que comprará apenas dentro dos seus limites: tanto financeiros quanto de necessidade. Neste momento entra a lista de compras.
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Ninguém vai ao supermercado sem antes montar uma lista. Mas quem já saiu para o shopping com lista nas mãos? Isso é um dos passos da compra consciente. Saber o que precisa, o que realmente fará a diferença no seu armário e o valor que aquela peça deve custar, pode ajudar a se jogar no mundo das liquidações e não se apaixonar loucamente por tudo. Você pode até flertar, como dizia minha avó, mas já tem a consciência de que aquilo não serve para você e só ocupará mais espaço na sua vida.

Ter a lista em mãos, não sair para comprar na companhia de consumistas convictas, não se deixar levar por opiniões de amigos ou vendedores, provar bem e sentir a peça no corpo, são ferramentas que lhe ajudarão a fazer uma compra bem-sucedida e não cair na fossa da ressaca pós-compra.

O que seria isso? Já sentiu aquele frio na barriga com um misto de dor de estômago, enquanto pensa: “O que eu fiz? Por que comprei isso, ou tudo isso?” Logo após a sensação corpórea, vem uma mini depressão de paralisia “Não vou comprar mais nada”. Quando a ficha cai, fica a certeza de ter feito uma péssima escolha e o sentimento de culpa.

A psicanalista do Espaço Partager, especializada em compulsão, Alessandra Cejkinski, explica que este é um sentimento improdutivo. “A culpa é uma sentença, diante da qual não podemos fazer mais nada, já está feito. A responsabilização dá margem para o entendimento, para a ação e a quebra do comportamento”.

Está aí outra chave mestra: responsabilidade. Somos responsáveis por tudo que compramos, tanto no âmbito material, quanto emocional. Com responsabilidade, evitaremos gastos demasiados com o nosso cartão de crédito. Compramos, assim, conexões saudáveis, passamos a nos relacionar de maneira equilibrada com os sonhos.

Como uma amiga disse: “Entrar em uma loja e ver as primeiras araras lotadas com cartazes vermelhos de liquidação é como paquerar muitas pessoas, você se deixa levar pela aparência, pelo status, mas na verdade a peça que está precisando mesmo está no fim da loja, escondida em uma prateleira com um preço legal”.

Adorei a analogia, pois o prazer da compra se assemelha muito ao prazer da conquista. Se for efêmera, nada acrescentará e poderá trazer problemas. Porém, quando feita com consciência, vivenciar o momento é delicioso e sem efeitos colaterais.

Apaixone-se com consciência, mas não compre qualquer coisa.

*Carolina Camocardi é personal stylist e trabalha com o conceito da imagem consciente. Desenvolve consultorias personalizadas com foco no autoconhecimento da própria imagem, desconstrução de paradigmas e reorganização visual e conceitos. 

Fotos: Shutterstock

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