Livre-se das dívidas para não precisar fazer como o governo!

Livre-se das dívidas para não precisar fazer como o governo!

*Naiara Bertão

Bom dia, pessoal.

O Finanças Femininas publicou recentemente um texto que fala sobre dívida. Ou melhor, como ela se multiplica em uma velocidade desesperadora. Um débito não pago pode triplicar de valor em um ano se não for negociado. Se considerarmos que 40% da população brasileira tem alguma dívida – segundo o Serasa Experian – o sinal vermelho não pisca, grita!

Ao contrário do que a maioria pensa, dívida nem sempre é ruim. Muitos negócios não estariam rendendo milhões para seus sócios hoje se eles não tivessem assinado uma linha de financiamento com o banco anos atrás. O problema está como você gasta o dinheiro dessa dívida. Se você, ao invés de investir em um negócio com potencial de sucesso, compra um carro, esse dinheiro já vai valer menos no dia seguinte à saída do veículo da concessionária – a comparação não vale para taxistas ou foodtruckistas!

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Assim como muitos brasileiros – pessoas físicas e jurídicas – o governo também precisa de dívida para se manter. É saudável ter débitos para poder fazer caixa para emergências. MAS, é claro quando se fala em governo + Brasil a coisa não é tão simples e nem sempre feita da maneira mais adequada. Em abril, por exemplo, a dúvida pública federal (DPF) somou nada menos do que R$ 2,45 TRILHÕES. Só de juros o país pagou R$ 20,7 bilhões no mês passado. A DPF envolve o cálculo do endividamento interno e externo do país, ou seja, toda a dívida contraída pelo Tesouro para financiar o déficit do Orçamento federal.

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Cortando da própria carne – Assim como muitos brasileiros, o governo também está tendo dificuldade para pagar suas contas. Os juros são altíssimos, considerando a proporção do tamanho dos débitos, a máquina pública consome muito dinheiro e a economia neste ano não está ajudando na arrecadação. O PIB Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre caiu 1,6% em comparação com o mesmo período de 2014 e 0,2% ante os três meses anteriores, segundo o IBGE divulgou na sexta-feira. Assim, está cada vez mais difícil fechar as contas no azul.

No acumulado dos primeiros quatro meses do ano, o resultado primário, a economia feita para pagar os juros da dívida está positivo em R$ 14,59 bilhões. Apesar do sinal de ‘+’, trata-se do pior resultado para o período desde 2001. Também representa uma queda de 50,9% em relação ao número do mesmo período do ano passado, quando o superávit registrado estava em R$ 29 bilhões. Ou o esforço fiscal ainda não surtiu todo o efeito ou o desafio é bem maior do que se previa.

E para reequilibrar essa balança, o governo briga no Congresso para aprovar as medidas austeras – mudanças no seguro-desemprego, mudanças na aposentadoria, mudanças na pensão por morte e seguros de saúde etc. Se até dois anos atrás a palavra austeridade só se aplicava à Espanha, à Grécia e à Alemanha, agora ela é uma realidade também brasileira. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, está se esforçando para ganhar aliados, mas já é visível o cansaço e desgaste físico e emocional que este embate está gerando. Nos bastidores da política e economia já começam a questionar se ele aguentará a pressão até o fim do ano, pelo menos. Na semana que vem eu trarei o que foi aprovado ou não.

Com a impopularidade da presidente, Levy tem sido o único barco salva-vidas do Titanic tupiniquim. E o tamanho do fardo que tem de caber nesse barquinho não é pequeno: são R$ 70 bilhões que precisam ser economizados neste ano para o país pagar a dívida. É um recorde histórico para o Brasil. Levy, gripado, não foi à coletiva de imprensa que explicou quais gorduras – ou carnes – seriam cortadas. Sobrou para outra figura-chave do governo: o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Tudo na vida tem dois lados: uns ganham para outros perderem. Se, por um lado, essas medidas austeras, de corte de gastos, estão prejudicando a economia, por outro ela é saudável para o equilíbrio da máquina pública e dá sinais positivos para os investidores externos. Em um país com uma dependência tão forte do Estado, um desequilíbrio em Brasília acabaria sendo devastador para muitas outras cidades.

Há sim obras de duplicação e construção de rodovias sendo paralisadas, como mostrou o jornal O Globo na semana passada. Há sim planos para vender ativos importantes de energia elétrica, como disse o ministro da pasta, Eduardo Braga. A previsão para o PIB não só caiu para -1,2% neste ano, como o aperto de cintos também deve respingar no ano que vem: a estimativa oficial do governo para o crescimento econômico passou de 1,3% para 1%.

Mas, se há uma lição que podemos tirar disso tudo é que o equilíbrio financeiro é fundamental. Se há momentos que gastamos mais do que nosso salário permite, essa conta será cobrada mais adiante e o valor pode ser três vezes maior. Cuidado!

Crédito das fotos: Shutterstock

*Naiara Bertão é jornalista formada pela ECA-USP, especializou-se em economia, negócios e finanças. Trabalhou em diversos veículos  de comunicação do país, como Infomoney, Brasil Econômico e VEJA. Escreve sobre os principais acontecimentos econômicos da semana.

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Naiara Beltrão

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