Longe de estereótipos, classes C, D e E controlam as finanças, mas ainda guardam dinheiro em casa, diz estudo

Longe de estereótipos, classes C, D e E controlam as finanças, mas ainda guardam dinheiro em casa, diz estudo

Ao contrário do estereótipo amplamente difundido, a maior parte das classes C, D e E não vive uma relação caótica com suas finanças. Pelo menos é o que descobriu um estudo da Plano CDE e J.P. Morgan Chase Foundation, em parceria com o Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (GVcemif) da FGV-EAESP. Quebrar esses preconceitos é de grande importância para quem lida com essas classes – desde empresas fintechs até pequenas empreendedoras que as têm como público-alvo – e para melhorar o bem-estar dessa parcela mais vulnerável.

Ao todo, 1.500 pessoas de todas as partes do Brasil revelaram seus hábitos financeiros em entrevistas domiciliares. Um dos destaques da pesquisa foi descobrir que as 113 milhões de pessoas que fazem parte dessas camadas sociais – representando 60% da população – não se comportam de maneira homogênea. Aliás, depois de reunir os dados, os pesquisadores concluíram que essas pessoas se distribuem de um jeito bem equilibrado entre três perfis: conservador, planejado e desorganizado.

Todos estes dados reforçam a importância da educação financeira para ajudar famílias em situação vulnerável e como a tecnologia pode ser empregada para este fim. Se você é uma empreendedora que tem como público-alvo as classes C, D e E, vale acessar a pesquisa completa aqui.

Conservadores

Representando 33% da população das classes C, D e E, os conservadores possuem baixo conhecimento de finanças e pouco acesso a consumo, priorizando compras para a família quando podem. Segundo a pesquisa, o lema dessas pessoas é “Nada tenho, mas nada devo”. Isso significa que elas não têm dívidas, mas também não conseguem poupar.

No geral, preferem pagar à vista, são extremamente preocupados com seu nome e se classificam como “mão fechada”. Como o foco deles é segurança, desconfiam do uso da internet e usam poucos instrumentos financeiros. Trata-se de um grupo mais maduro – 85% tem mais de 50 anos de idade – e de baixa escolaridade, sendo que 84% possui ensino fundamental incompleto.

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Planejados

Mais jovem, essa parcela de 27% das classes C, D e E é caracterizada por ter maior organização financeira e hábitos de consumo dentro de suas expectativas de renda. Isso significa que eles priorizam o consumo consciente e metas de longo prazo – não à toa seu lema é “Eu planejo minhas conquistas”, segundo a pesquisa. Mesmo assim, não abrem mão de gastar por indulgência.

A maioria poupa e/ou tem planos de investir, no entanto, metade prefere guardar o dinheiro em espécie em casa – um hábito prejudicial, pois a inflação desvaloriza o dinheiro e tira poder de compra. Além de terem mais informação financeira que os demais perfis, os planejados também têm maior acesso à tecnologia e maior escolaridade (71% têm o ensino médio completo).

Desorganizados

De todos os perfis, este – que representa 28% da população das classes C, D e E – é o que tem pior relação com seu dinheiro. Além de ter poucas informações financeiras, sofre com dívidas em atraso e metade não têm intenção de pagá-las nos próximos três meses.

Segundo a pesquisa, muitos têm como lema de vida a famosa música do cantor Zeca Pagodinho: “Deixo a vida me levar”, além de se definirem como “sossegados”, “relaxados” e viverem “apagando fogo”. O grande trunfo dos desorganizados é contar com sua rede de amigos para lidar com os problemas financeiros. Já o maior medo é não poder dar condições melhores para os filhos.

Apesar de terem acesso à tecnologia, usam pouco as tecnologias financeiras. A maior parte não está formalizada no mercado de trabalho e tem contas em banco, mas com baixo uso. 91% dessas pessoas está na faixa de 18 a 49 anos e possui ensino médio incompleto. Os desorganizados também são os que mais sofrem com o desemprego e inatividade entre os três perfis, sendo que 35% está sem emprego e 24% está inativo.

O que há em comum

Infelizmente, alguns maus hábitos estão presentes nos três perfis financeiros. Apenas 17% dessa população tem poupança equivalente a um mês de renda da família ou mais, sendo que nenhum dos perfis tem capacidade financeira de lidar com emergências. Dos poucos que poupam, 39% guarda o dinheiro em casa – opção amplamente difundida até mesmo na categoria dos planejadores, que possuem maior acesso a informações financeiras.

Além disso, 57% dessa população possui conta bancária, seja ela corrente, poupança ou salário. No entanto, apenas 7% usa o banco para mais de uma transação por mês – os demais sacam todo o dinheiro em uma única transação mensal e guardam em casa. O mais curioso é que 48% dos membros das classes C, D e E usam WhatsApp e 44% acessam o Facebook, mas o uso da web para transações financeiras é extremamente baixo: 9% checa o extrato online, 8% faz compras online, 5% paga contas pela internet e apenas 3% transfere dinheiro pela internet.

Fotos: Shutterstock

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