“Mentiras” da publicidade para que você compre mais

“Mentiras” da publicidade para que você compre mais

Diariamente, somos cercadas pela publicidade, nas ruas, televisões e celulares. E, francamente, quem nunca comprou um produto que prometia maravilhas aos cabelos, à saúde ou à rotina e acabou se decepcionando com o resultado? Neste Dia da Mentira, então, falamos sobre as estratégias ilusórias utilizadas pela publicidade para que você compre mais – e muitas vezes se arrependa das suas escolhas.

Além de nos ajudar a fazer melhores escolhas financeiras, ficar atenta a esses “truques” nos torna consumidoras mais maduras e capazes de identificar nossas reais necessidades. “As fantasias fazem parte da natureza humana, mas às vezes a publicidade exagera um pouco nesse sentido. Um consumidor crítico é ideal para garantir que os limites éticos sejam seguidos”, defende José Maurício Conrado da Silva, professor de marketing e comunicação integrada do Mackenzie.

O mito da felicidade

Famílias felizes, cabelos esvoaçantes e atitudes confiantes estão sempre presentes em propagandas que vão de carros a perfumes, de bolsas à margarina. Isso acontece porque o que se vende por trás daquele produto é a própria felicidade – ou a ideia dela.

“O marketing e a publicidade não criam desejos, eles trabalham para satisfazer os desejos que as pessoas já têm. Isso não significa, entretanto, que esses desejos não sejam estimulados”, explica Silva. A atuação, portanto, ocorre na esfera dos sonhos, do imaginário, e não nas necessidades de cada um.

Quando compramos um produto, no fundo, sabemos que não vamos encontrar a felicidade depois daquela aquisição – pelo menos não de forma duradoura -, mas, mesmo assim, nos deixamos seduzir pela experiência.

A busca por uma vida mais saudável

Mais que interessadas apenas no sabor de determinado produto, cada vez mais as pessoas estão preocupadas em aderir a um estilo de vida mais saudável e sustentável. Esse desejo é claramente percebido pela indústria e pela publicidade e usado como forma de agregar valor aos itens e vender mais. Como resultado, vemos, hoje, prateleiras cheias de produtos com menos açúcar, gordura, sem glúten e afins.

“É preciso ficar atenta porque nem sempre os produtos que se dizem mais saudáveis realmente são. Não é necessariamente uma mentira, mas ele pode ser simplesmente um pouco mais saudável que uma versão anterior, por exemplo”, explica o professor.

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O aval científico

“Comprovado cientificamente” e “a ciência afirma que…” são grandes clichês da venda de produtos. Utilizados para endossar a eficácia e dar credibilidade a determinados itens, os argumentos científicos muitas vezes são utilizados de maneira leviana nas propagandas. “A consumidora precisa ter em mente que fazer ciência é muito caro, e que nem tudo que é falado realmente passou pelo critério de uma análise científica”, explica Silva.

O medo

Nossos sentimentos são frequentemente utilizados na venda de produtos. E o medo é um sentimento muito forte e poderoso. Sendo assim, não é de se estranhar que muitas propagandas sejam feitas abordando os receios pessoais e coletivos da população, como o medo de ficar doente, ser assaltada ou envelhecer.

A questão é que isso nem sempre é feito de uma maneira responsável. Um exemplo é a quantidade de álcool em gel vendido contra a gripe H1N1 (gripe suína), durante o surto de 2009, mesmo tendo ficado provada a pouca eficiência dessa medida protetiva.

“A estratégia do medo está muito atrelada ao nosso instinto de sobrevivência. Tem horas que não conseguimos agir de forma racional. A publicidade entende e sabe como aplicar isso”, afirma Silva.

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“Maquiagem” da realidade

O professor explica também que a publicidade opera no nível da perfeição – e não da realidade – e, por isso, ela tenta oferecer aos consumidores um padrão que não existe de fato: tanto no campo das ideias, quanto no sentido prático. Sendo assim, diversas técnicas são utilizadas para fazer a vida e os produtos parecerem mais atrativos do que realmente são, de questões cenográficas a truques de luz e edição.

“Algumas marcas até brincam com isso. A indústria da beleza, por exemplo, vendeu um padrão por muito tempo e, hoje, há empresas que abordam a diversidade e fogem desse padrão. Isso não significa, entretanto, que a ideia de perfeição tenha sido abandonada”, finaliza.

 

Fotos: Shutterstock

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