Metade dos brasileiros compra coisas que não usam

Metade dos brasileiros compra coisas que não usam

Quando falamos sobre o peso do consumismo no orçamento, muita gente pode não levar tão a sério, achar que é exagero. Mas uma pesquisa feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) comprova a necessidade de mudança dos hábitos. O levantamento apontou que apesar de 88% dos consumidores entrevistados afirmarem que são conservadores com os gastos, 47% deles chegaram a admitir que já compraram coisas que nunca usaram, ou seja, puro impulso!

São aquelas famosas comprinhas que acabamos levando porque “não dava para perder o desconto” ou porque a vendedora nos convenceu que o produto seria indispensável. Além do impulso, a vaidade é uma grande propulsora de gastos desnecessários. O estudo mostrou que 59% das pessoas entrevistadas levaram para casa alguma coisa “que mereciam”, mesmo sem as condições financeiras necessárias para arcar com o valor da compra. Quem nunca?

A necessidade de manter o status também leva muita gente a gastar sem poder. Cerca de 30% das pessoas entrevistadas disseram que se sentiram constrangidas com a postura de um vendedor e levaram um produto desnecessário, somente para provar que tinham condições de pagar. Mais além, 43% dos entrevistados disseram que, quando compram algo recém lançado no mercado, fazem questão de exibir o produto aos amigos.

gastos para impressionar

Melhoria na renda

Um dos fatores que ajudam a explicar o percentual elevado de consumistas no país é o baixo nível de desemprego nos últimos anos. Como bem descreveu na pesquisa o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, o número maior de pessoas empregadas e os reajusteis salariais acima da inflação facilitaram o acesso ao crédito.

Todos esses fatores combinados acabaram gerando uma bomba para muitas famílias. O grande reflexo dos hábitos consumistas está em outro levantamento, desta vez feito pelo Banco Central, o qual revela que o nível de endividamento corresponde a 45% da renda das famílias. Isso significa dizer que praticamente metade de todo o dinheiro que entra em casa já está comprometido com dívidas, dá para crer?

Não interessa se o que entra no bolso é muito ou pouco, o que as pessoas querem é comprar! Um outro dado interessante revelado pela pesquisa do SPC mostra justamente isso. Em torno de 24% dos entrevistados das classes C, D e E dizem que costumam acompanhar parentes ou amigos a lugares mais caros do que podem arcar, com a justificativa de “se não for, vai ficar feio”. Já para as classes A e B o percentual cai para 21%. Você já deve ter passado pela situação de almoçar com amigos naquele lugar lindo, agradável, mas quase enfartou na hora em que viu os preços no cardápio e mesmo assim, preferiu não se manifestar.

Se você já passou por situações assim, tente inverter o jogo da próxima vez e escolha o lugar para o encontro, pensando em um programa interessante e que caiba no bolso de todos.

gastos dos brasileiros por impulso

Fim de ano

A informação apurada pela pesquisa de que vamos falar agora serve também como alerta, já que os preparativos para as festas de fim de ano devem andar a todo vapor. O estudo mostrou que 33% dos entrevistados já compraram um presente muito acima do que poderiam pagar, simplesmente para impressionar a pessoa presenteada.

Nós sabemos bem como esse tipo de situação é recorrente, principalmente se a troca de presentes for entre casais. Muita gente se deixa levar pela ideia de que quanto mais caro, melhor o presente. No fim das contas, o que importa de verdade para agradar a pessoa é conhecê-la bem. Com paciência e criatividade, é possível presentear melhor e gastando menos.

Sonhos

Ainda que gaste muito, o brasileiro se mantém esperançoso quanto à conquista dos sonhos (a pesquisa diz que 93% acredita que vai conseguir!). Nos casos das classes C, D e E, ter a casa própria ou conseguir mobiliar o imóvel que possui correspondem a 30% das respostas dos entrevistados.

Sabemos que temos as condições para alcançar nossas metas, mas resta saber quanto tempo os brasileiros ainda precisam para enxergar crédito e consumo de outra forma.

E você, como administra seus gastos?

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