Mulheres criam novo nicho no mercado de prestação de serviços

Mulheres criam novo nicho no mercado de prestação de serviços

Quando algo quebra em casa é só ligar para um especialista, que faz uma visita agendada para avaliar o problema, passa um orçamento e depois, se concordar com o valor cobrado, é só o contratá-lo para fazer o serviço de reparo. Mas quando você é mulher e mora sozinha, essa situação pode ser bem complicada por causa de um detalhe: a maioria dos prestadores são homens.

Como muitas outras mulheres, a designer Lygia Lira teve uma experiência negativa quando um homem realizou um serviço em sua casa. “Me senti mal pois o rapaz ficava me olhando de um jeito estranho, mas agi naturalmente, como se não estivesse percebendo”, lembra. Depois disso, quando preciso de ajuda novamente, ela fez questão de contratar uma mulher e fez isso por meio da empresa  M’Ana – Mulher conserta para mulher.

Como mostrou a pesquisa A Revolução Delas, que destaca o trabalho da M’Ana, as mulheres deixaram de ser um nicho de mercado para criarem soluções e participarem de forma ativa. No setor de serviços e manutenção, não é diferente. Reparação, consertos, e outros serviços técnicos, agora são feitos por mulheres especialmente para outras mulheres, para que assim as contratantes possam se sentir seguras.

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Quando contratou homens para realizarem tarefas em sua casa, a comerciante Priscila de Oliveira Pereira, até chegou a criar métodos para tentar se proteger caso se sentisse ameaçada. “Eu deixava a porta e portão destrancados, evitava roupas curtas e deixava alguém avisado”, conta. Mas a situação nunca deixou de ficar desconfortável. “Nunca sofri assédio direto, mas já precisei cortar conversinhas. Ao mesmo tempo que não quero deixá-los sozinhos em um cômodo da casa, não gosto de ficar no mesmo espaço que eles”, ressalta.

Mas quando ela precisou de alguém para instalar prateleiras e um box no banheiro, finalmente encontrou o serviços de uma mulher, a xará Priscila Vaiciunas, que atende pelo Manas à Obra – Prestação de Serviços. “Confio em mulheres que se dispõem a fazer um serviço desse, contra o que as naturalizações de gênero defendem e me sinto muito mais segura com uma mulher dentro de casa”, explica a cliente.

E não é para menos, a comerciante conta que Vaiciunas foi extremamente profissional na realização de um trabalho limpo e caprichado, além de deixá-la sem dúvidas. “Ela sempre me informava e mostrava o que fazia. Gostei muito do serviço”, diz a contratante.

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Segurança também para quem presta serviços

Embora a área de serviços de manutenção e conserto seja dominada por homens, como em muitas outras, as mulheres existem e resistem. Como é o caso de Maria Umeno Morita, que realiza consertos com o codinome Maria Pereirão, uma forma de ironizar a personagem de Lilia Cabral na novela Fina Estampa, exibida pela Rede Globo em 2012.

“Não gostei muito do fato da Lilia necessariamente fazer uma mulher masculinizada para legitimar o fato de ela saber consertar coisas e viver disso”, justifica Maria, que conta como costuma surpreender os clientes quando aparece para atender, por causa de sua baixa estatura e corpo magro.

E, segundo ela, são os clientes do sexo masculino que mais reparam. “Algum defeito sempre foi apontado em todas as ocasiões em que atendi homens. Seja a qualidade das minhas ferramentas ou meu preparo físico ‘Puxa, você é bem magrinha. Aguenta o peso da prateleira?’, diz.

mulheres-prestadoras-de-serviçoFoto: Página Fala Dela / Arquivo Pessoal Maria Pereirão

Assim como aconteceu com Maria, Priscila Vaiciunas aprendeu os serviços no ambiente familiar. Segundo ela, seus pais não tiveram problemas com a escolha da profissão e deram muito apoio quando ela decidiu estudar Edificações e trabalhar como prestadora de serviços. O problema, para eles, ainda era a vulnerabilidade da mulher no mercado de trabalho. “Eles tinham medo que eu sofresse algum tipo de assédio ou abuso, por estar em casa de pessoas desconhecidas”, lembra.

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Com a mesma percepção de oportunidade de negócio, as duas profissionais começaram a atender de forma independente e segmentada. “Não digo que economicamente seja diferente, quem contrata algum serviço quer ele bem feito, não importa o quanto pague por ele. Mas a melhor parte de atender este público é a sororidade, as conversas, as partilhas”, ressalta Priscila, que também foca o atendimento do Manas à Obra para a comunidade LGBTQ.

Em sete meses, Maria conseguiu se estabelecer financeiramente a ponto de deixar o trabalho como Maria Pereirão para dar aulas de filosofia, segmento no qual se especializou.

Já Priscila planeja expandir os negócios da empresa Manas à Obra. Hoje ela atende os clientes sozinha e conta com a ajuda da namorada Rosimeire Nogueira Barbosa para administrar a página do Facebook e o agendamento com clientes, mas com o crescimento do nicho, ela logo poderá precisar de mais mão de obra.

O contato com grupos feministas e a militância LGBTQ abriram os olhos de Priscila sobre a necessidade de dar oportunidades para estes grupos, o que já vai ajudar no seu processo de seleção de novas parcerias para se firmar neste novo nicho .“O mercado precisa de pessoas que a sociedade exclui, pessoas que são marginalizadas por falta de oportunidades. Abri a empresa pensando nesse público”, ressalta.

Foto: Shutterstock

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