Mulheres empoderadas e Dilma abalada

Mulheres empoderadas e Dilma abalada

*Naiara Bertão

Olá, pessoal. Bom dia!

Eu quero pedir licença a vocês nesta semana para falar sobre um assunto um pouco diferente, mas muito ligado a economia: o empoderamento feminino. Para mim, o empoderamento – palavrinha em moda ultimamente – nada mais é do que educação. Empoderar é educar, ou seja, passar informações que serão úteis para nossa vida.

Na semana passada, enquanto o Congresso e o governo discutem fervorosamente as medidas de ajuste fiscal do país, o Brasil sediava pela primeira vez um evento global de mulheres, o Global Summit of Women. Há 25 anos o encontro internacional discute o papel da mulher no mundo dos negócios e tem como objetivo promover globalmente o aumento da participação das mulheres em conselhos consultivos do setor público e privado.

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A gente sabe que as mulheres são minorias nos cargos de liderança em empresas e na política, mas isso só vai mudar se, primeiramente, entendermos nosso potencial. As mulheres, infelizmente, se sentem inferiores sim, acham que não são capazes de muitas coisas e só se candidatam a vagas em que têm certeza que atendem a quase 100% das habilidades exigidas. Depois de entender nosso diferencial no mercado e desenvolver auto-confiança, mostrar aos outros nosso papel fica mais fácil. Não temos que nos provar, temos simplesmente que mostrar quem somos e para que viemos. Muitas vezes, o preconceito vem até mais da mulher do que homem.

Destoando da programação de palestras com líderes femininas, estava Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Eu acompanho Levy desde o início de seu mandato, no início do ano e, desde então, é ele que está segurando um ‘problemaço’ com maestria digna das melhores executivas do país. Para lutar pelos ajustes fiscais necessários para colocar o Brasil nos trilhos – como o endurecimento das regras de seguro-desemprego e aposentadoria -, é preciso ter muito peito. Uma verdadeira inspiração para as mulheres!

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Levy falou calmamente e não se mostrou intimidado pela plateia predominantemente feminina, vinda de 63 diferentes países. Mesmo depois de o governo ter sido derrotado na Câmara com a aprovação da mudança no fator previdenciário, que é o cálculo utilizado para a concessão de aposentadorias. O governo queria mais tempo para apresentar uma fórmula que não onerasse tanto o Estado – o rombo da previdência já supera R$ 50 bilhões. O ministro defendeu o ajuste fiscal, o corte de gastos públicos e deixou claro que os impostos podem aumentar se for necessário para o equilíbrio das contas públicas.

Dilma, por outro lado, não constava na programação e também não defendeu publicamente no Dia do Trabalho (1º de maio) a causa pela qual seu partido luta: os direitos trabalhistas. Com sua percepção de mulher e muitos assessores para lembrá-la, ela viu que não conseguirá mais colher frutos da desenfreada gastança dos últimos 12 anos. E o mais importante: ela já percebeu que suas promessas de campanha foram um tiro no pé. Por mais que sua imagem esteja abalada, Dilma era peça-chave em um evento que fala de mulher no mundo dos negócios, mulheres na liderança de seus países e contava com a presença de 30 ministras.

O tema do Global Summit Women era “Mulheres Criativas, Economias Criativas”, criatividade esta que nossa presidente está usando também com maestria para fugir de eventos públicos e evitar gafes. Ainda acho que ela deveria conversar mais com Levy…

Crédito da foto: Shutterstock

*Naiara Bertão é jornalista formada pela ECA-USP, especializou-se em economia, negócios e finanças. Trabalhou em diversos veículos  de comunicação do país, como Infomoney, Brasil Econômico e VEJA. Escreve sobre os principais acontecimentos econômicos da semana.

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Naiara Beltrão

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