O desafio de ser mulher na tecnologia

O desafio de ser mulher na tecnologia

Mulheres precisam ter mais espaço e notoriedade em áreas que ainda são majoritariamente ocupadas por homens. O foco nessa discussão nunca teve tanta força como vem acontecendo nos últimos tempos. A tecnologia é um dos espaços que ainda precisa de mais participação feminina. E uma das principais referências no Brasil a levantar esta bandeira é a programadora Camila Achutti.

Formada em Ciência da Computação, ela lidera projetos que incentivam maior participação feminina, como o Mulheres na Computação, bem como é ativista em movimentos que batalham pela igualdade de gêneros no mercado de Tecnologia da Informação. Em entrevista exclusiva ao Finanças Femininas, ela conta um pouco da trajetória e os desafios neste mercado.

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– Como nasceu seu interesse em estudar e trabalhar com computação e quais os principais desafios você enfrentou desde o começo?

Sempre curti resolver problemas, quebra cabeça, sabe!? Acho que já tinha uma vocação para olhar para algo e definir uma estratégia para resolver ou inventar algo com aquilo. E, além disso, tive a sorte de nascer numa família em que tecnologia era um meio de vida. Meu pai aprendeu a programar e fez carreira na área. Cresci com essa referência bem forte. Acho bem cruel ter que decidir sua vida com 17 anos e acho que esse foi o primeiro desafio. Eu não sabia direito que era diferença entre os juros da área, por exemplo, Engenharia da Computação e Ciência da Computação. Nesse caso dei sorte. Queria programar, fazer as coisas acontecerem e o pensamento computacional e a programação fizeram isso ser possível.

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Prestei FUVEST e “ela” decidiu que eu faria Ciência da Computação no Instituto de Matemática e Estatística. A segunda dificuldade foi encarar a faculdade. Não vou ser romântica e dizer que foi fácil! Foi a melhor experiência da minha vida, mas deu trabalho, me tirou horas de sono e me fez chorar algumas vezes. Quase todos os meus colegas tinham feito técnico e eu nem tinha pensado na possibilidade apesar da inclinação. Ou seja, enquanto todos estavam estudando pouco e ainda tirando notas boas eu estava estudando horrores e tirando notas suadas!hahahhhaha

Além disso, o mundo em torno de mim falava que eu não parecia pertencer a aquele lugar. Tem uma situação muito emblemática pra mim que era sair com os amigos que estavam se conhecendo nessa nova vida chamada universitária. Quando me perguntavam o que eu estava estudando e eu contava, a reação era sempre a mesma: MEU DEUS??? COMO ASSIM!!! POR QUE??? E o que passava na minha cabeça era, por que nenhum dos meus amigos nunca tem que se explicar?

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– Sabemos que ainda existe um sexismo muito forte com profissões ligadas à tecnologia e que isso influencia diretamente a falta de participação de um número expressivo de mulheres nesta área. Através da sua experiência, como você acredita que isso pode ser mudado? De que forma podemos não só incluir mais mulheres neste mercado, mas também o que precisa ser mudado para que haja mais equilíbrio e menos estereótipos em áreas de tecnologia?

Na minha opinião, só vamos mudar quando de fato trabalharmos em profundidade na base. Não adianta simplesmente as grandes lançarem metas mundiais para aumentar a contratação de mulheres técnicas, se a gente não tiver incentivo para que meninas entrem na área. É o único jeito. E, além disso, precisamos tomar cuidado, superada a inserção, a ascensão dessas mulheres que não podem querer evadir a área por não serem reconhecidas ou por sofrerem cotidianamente em seus ambientes de trabalho.

camila_achuttiReprodução/Mulheres na Computação

 

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– Qual a principal linha de ação para engajar meninas em projetos de computação e como surgiu a ideia do Mulheres na Computação?

Acredito que criar modelo para as meninas e meninos de mulheres fortes na área é muito importante. Precisamos de nomes femininos como Steve Jobs, Bill Gates… não podemos ter como referência só o menino branco do vale do silício que começou a programas com 5 anos, senão todo mundo que está fora desse grupo não se sente capaz. O blog surgiu da necessidade de ter um espaço para compartilhar sobre a minha jornada na área e o que eu estava estudando, tanto tecnicamente como sobre o tema mulheres na tecnologia.

Não tinha na época referências em português, quase tudo estava em inglês, então no início traduzi muita coisa, mas com o tempo e estudo fui começando a escrever e aí o blog virou um espaço de todas. Tinham posts de convidadas e hoje temos mais autoras. A minha métrica nunca foi quantidade, mas quantas meninas chegavam no blog e se sentiam representadas. Queria que uma tribo de meninas e mulheres fortes que podiam mudar o mundo com tecnologia se organizasse em torno do blog.

– Como enxerga o mercado brasileiro para computação hoje e qual a sua visão de longo prazo?

Crescente é o diagnóstico. Não só aqui no Brasil, mas em todo o mundo. Cada vez mais a tecnologia vai ocupar cada um dos espaços que ainda resta. Então, talvez nem todo mundo seja programador, mas entender de computadores e programação vai ajudar muitos profissionais, com certeza!

 

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