O dólar também sofre de TPM

O dólar também sofre de TPM

Meninas, todo mundo ficou de cabelo em pé com a disparada do dólar na última semana, não é? Pois na coluna Em $uma de hoje a jornalista Naiara Bertão explica o que vem afetando o comportamento da moeda.

Bom dia meninas, tudo bem?

Acho que todas acompanharam na semana passada a disparada do dólar, que bateu mais de R$ 3 reais, não? Bom, o que assustou não foi o valor em si, pois os economistas já estavam prevendo, mas sim a velocidade com que isso aconteceu. Só para vocês terem uma noção, a moeda americana começou a semana valendo R$ 2,85. Ou seja, de lá até bater R$ 3,00, o dólar se valorizou 5,26%. Isso considerando a cotação de venda oficial – as casas de câmbio e bancos colocam ainda uma margem em cima desse valor.

A má notícia é que essas disparadas podem voltar a acontecer nesta semana por dois motivos principais: um brasileiro e outro americano.

Para entender, primeiramente quero comentar que o Brasil é um país com muita volatilidade. Isso quer dizer que os operadores (que compram e vendem ações, títulos, moedas etc) são muito sensíveis ao noticiário econômico e político do Brasil e do mundo. Por isso que as ações da Petrobras já caíram mais de 15% em um só dia e o dólar disparou tanto em uma semana. Qualquer notícia pode gerar uma expectativa positiva ou negativa, muitas vezes exagerada.  E aí o famoso ‘mercado’ reage comprando ou vendendo esses papéis, dependendo do seu ‘humor’.

Tanto se fala do tal ‘Mercado’ e no seu mutante ‘Humor’, mas ele nada mais é do que todas essas trocas (compra e venda) de papéis. E como qualquer pessoa, se o Mercado acordar em um dia bom e o noticiário não estiver muito estressante, ele vai trabalhar com calma, pensando bem antes de decidir investir. Mas, se ele acordar de mau-humor … e as notícias não ajudarem, ele vai acabar tomando decisões na impulsividade e isso interfere no sobe/desce de índices, ações, títulos, moedas, etc. Essa oscilação brusca é a tão falada, mas mal explicada, volatilidade. Isso acontece muito em mercados mais novos, emergentes, como o Brasil.

volatilidade_mercado

E o tal do por quê? 

Lá fora –Dito isso, vamos lá para os dois motivos que fizeram o dólar disparar. O primeiro foi externo. Vocês vão ouvir falar muito disso ainda porque esse assunto não vai se esgotar tão cedo. Os nossos queridos amigos americanos estão dizendo ao mundo já faz alguns meses que podem subir os juros básicos por lá em breve. Até aí, nenhuma novidade, não é? Nós sempre lidamos com taxas altas. O problema é que juro alto no Brasil é bom para o investidor estrangeiro, porque ele ganha um ‘prêmio’ (rendimento) maior se investir em títulos públicos brasileiros do que em outros países cujos juros estejam menores. Mas, se os EUA, a maior economia do mundo, subir suas taxas, esses investidores vão preferir tirar dinheiro de mercados mais arriscados e alocar nos EUA, que estará pagando um pouco a mais do que pagava antes. Como todos sabem, em economia uma das leis máximas é a da oferta e demanda. Se esses grandes investidores começarem a tirar dinheiro daqui, nosso mercado fica com menos dólares e isso faz o preço dessa moeda subir. É uma tendência, hoje, natural. Os países emergentes devem sentir essa saída de dólar quando o banco central dos EUA (Federal Reserve, Fed para os íntimos), elevar os juros. E já tem muita gente antecipando esse movimento e já precificando (estimando) que o dólar vai subir.

Aqui dentro – Fora isso, no Brasil aconteceu um episódio no início da semana passada que mexeu com o ‘Humor’ do tal ‘Mercado’ de câmbio. O presidente do Senado, Renan Calheiros, recusou uma medida provisória (MP) enviada ao Congresso pela equipe de Dilma Rousseff, que colocava fim nas desonerações para folhas de pagamento de empresas. Na teoria, com o fim desse benefício, muitas empresas podem ver suas contas mais apertadas e acabar demitindo. Mas, infelizmente, a decisão de Renan pareceu mais política (ele deve ser investigado na operação Lava Jato da Petrobras) do que nobre. A equipe de Dilma até enviou rapidamente um projeto de lei sobre o mesmo assunto, mas um PL é muito mais demorado para ser aprovado do que uma MP. Assim, o Mercado ficou com medo de que o governo não consiga realiza rà tempo seu amplo programa de cortes de gastos e aumento de arrecadação para equilibrar suas contas públicas. Ainda mais porque justo na quarta-feira, quando todo mundo comentou sobre o assunto, os representantes da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) desembarcaram no Brasil para conversar com o governo sobre suas contas. Essas agências olham especialmente a questão fiscal do país para dar as notas de crédito. Lembram do que falamos sobre isso??? Se não, revejam!

E o quico (o quequeeu tenho a ver com isso)?

Bom, fora a problemática que um rebaixamento da nota de crédito pode trazer, como já falamos, se o governo não conseguir reequilibrar suas contas, a confiança dos próprios empresários na economia pode diminuir. Se isso acontecer ainda mais – já estamos com confiança mais baixa do que na crise – eles podem não gerar tantas vagas de trabalho ou até demitir.

Agora, se o dólar continuar subindo, pode até ser bom para aquelas empresas que exportam porque nossos produtos ficam mais baratos lá fora, mas para a população em geral, isso pode gerar mais inflação. É simples: se as indústrias precisarem pagar mais caro para importar máquinas, isso vai gerar um custo extra na sua conta final e, possivelmente, isso vai ser repassado ao consumidor via aumento de preços. Vale lembrar que na sexta-feira, o índice oficial de inflação (IPCA) já subiu 7,70% em 12 meses até fevereiro e já tem economista prevendo alta de mais de 8% no ano.

Fora toda essa tensão por causa da valorização do dólar, da questão fiscal e das agências de classificação de risco, nesta semana teremos a prévia do PIB de janeiro (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central, além das Pesquisas de emprego (Pnad Contínua, na quinta) e de Comércio (na sexta), ambas referentes a janeiro.

Segura o coração, gente. O mercado é assim mesmo, com humor de TPM!

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Naiara Beltrão

Naiara Beltrão

Em Suma

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