O impacto das novas medidas para o mercado de crédito na sua vida

O impacto das novas medidas para o mercado de crédito na sua vida

Quem pretende tomar empréstimo ou financiar algum bem nos próximos anos deve ficar de olho nas novidades relacionadas ao pacote de medidas anunciadas recentemente pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Se você ainda não ouviu falar nesse assunto ou só acompanhou superficialmente, é melhor dar mais atenção a este assunto daqui em diante.

Pensando justamente nisso, resolvemos fazer um post para falar um pouco mais sobre algumas das medidas anunciadas e entender como elas devem afetar diretamente a nossa vida. Para isso, conversamos sobre o assunto com o economista da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), Flávio Calife.

Compra do imóvel

Para começar, uma das medidas visa reduzir a burocracia na hora de comprar um imóvel. Todas as informações de atos jurídicos que possam gerar gastos serão incluídos na matrícula do imóvel. Além de deixar a compra mais segura, a medida elimina a necessidade de consultas a uma série de cartórios e agiliza a compra. Assim como a maioria dos outros pontos anunciados no pacote, essa providência será regulamentada por meio de Medida Provisória.

regras do mercado de credito

Novas linhas de crédito

Este talvez seja um dos pontos que mais merece nossa atenção. O pacote de medidas prevê que 3% dos recursos da Caderneta de Poupança sejam disponibilizados para novas linhas de crédito, que podem ser usadas para qualquer finalidade. Para conseguir este tipo de empréstimo, no entanto, a consumidora precisa ter um imóvel quitado como garantia. Em outras palavras, é como uma nova modalidade de hipoteca.

“A medida visa mudar um pouco o perfil de endividamento do consumidor, tendo em vista que deve oferecer juros mais baratos, já que os recursos são provenientes da poupança, e com prazos mais longos para pagamento”, comenta o economista.

A medida deve entrar em vigor em breve, tendo em vista que depende somente de Resolução do Conselho Monetário. Até então vimos o lado bom, que é o prazo mais extenso para pagamento e os juros mais baixos.

Na visão de Calife, os efeitos da medida devem ser sentidos a longo prazo, ele não acredita que haja um aumento imediato na tomada de crédito em vista dos facilitadores. “A retomada do crédito vai depender muito da demanda, as pessoas estão mais cautelosas, com menos intenção de consumo. Quando esse cenário modificar, veremos os impactos dessa medida com mais clareza”.

Vale aproveitar o momento para reforçar a recomendação para as leitoras manterem a cautela na hora de tomar um empréstimo e que tenham um planejamento muito consistente para o pagamento das parcelas. Ainda que a nova linha de crédito ofereça boas condições de pagamento, o que está dado como garantia é um imóvel, portanto, todo cuidado é pouco.

O que muda para quem está inadimplente

Se por um lado o governo anunciou uma medida que facilita a tomada de crédito por parte dos consumidores, por outro precisou adotar uma outra definição que proteja os fornecedores de crédito. Para aumentar a oferta de crédito no mercado, foi preciso fortalecer as garantias. Sendo assim, uma das medidas anunciadas prevê a recuperação mais rápida de bens financiados, em caso de inadimplência. Essa é a medida que deve demorar mais tempo para entrar em vigor, tendo em vista que depende da criação de uma lei.

Se aprovada, a pessoa que financiar um bem assinará um contrato dispensando protesto para comprovar a inadimplência. Ou seja, em caso de atraso no pagamento das parcelas, o banco ou instituição financeira poderão tomar o bem de imediato, por meio de carta registrada.

Para Calife, isso deve impactar principalmente o financiamento de veículos. “Apesar de parecer mais simples, o mercado de veículos tem mais dificuldade para recuperação de bens. Hoje, a estimativa é que a recuperação de um carro com financiamento atrasado leve de 8 a 12 meses, com custos judiciais entre R$ 7 e 8 mil. Com a medida aprovada, a expectativa é que esse prazo reduza para 2 a 3 meses, com custo praticamente zero. A concessão de crédito fica mais segura”, avalia.

Uma outra medida interessante que faz parte do pacote é a criação de um novo investimento, as Letras Imobiliárias Garantidas (LIG), mas isso é assunto para um outro post!

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