O ombro amigo do gerente: é possível confiar?

O ombro amigo do gerente: é possível confiar?

Antes de começar a leitura deste post, pense bem e responda para si mesma: até que ponto o seu gerente de banco interfere em sua vida? Da mesma forma como as confidências de sua vida pessoal são levadas para o almoço com sua melhor amiga, os pepinos financeiros acabam se espalhando pela mesa do gerente, não é mesmo?

Um ponto a mais na aula de educação financeira para aquelas que não se identificaram com esse perfil! Afinal, nunca é demais ressaltar que seu gerente não deve ser seu consultor financeiro! É claro que o mais aconselhável é que vocês mantenham uma relação amigável, assim as negociações e o equilíbrio de sua situação bancária podem ser mais harmoniosos.

O grande lance é ter atenção à linha tênue que separa essa “amizade” dos lucros. A verdade é uma só, quando você senta naquela mesa, será bem tratada e terá vastas informações sobre vários produtos e serviços que não conhece. Na hora de contratar algum deles (ou um pacote!), será muito simples. Quando os problemas começarem a aparecer, a coisa muda de figura…

Não estamos falando que o gerente não é uma pessoa bacana ou que não é correto. É claro que ele vai ter cuidado para te atender e cuidar dos seus interesses. Mas o problema aqui é que ele não trabalha para você, mas para o banco. Adivinha para quem ele vai responder no final do mês?

Para que você não se iluda na mesa do seu gerente, o Finanças Femininas vai te dar algumas dicas de como evitar armadilhas!

gerente não é consultor financeiro

Objetivos diferentes

Sabe aquela história conhecida de término de relacionamentos que um diz para o outro algo parecido com “nós temos objetivos diferentes neste momento”? Pois é, a história se repete no seu relacionamento com o gerente. De um lado, você está interessada em quitar alguma pendência ou equilibrar sua vida financeira de um jeito eficaz e econômico. De outro, ele está interessado em cumprir ou mesmo superar as metas estabelecidas pelo banco, que normalmente implicam em vender produtos que saem caro para você. Por mais que a pessoa se mostre muito agradável, a pressão dos bancos para superação de metas é muito grande.

Exemplo disso é o objeto de propaganda intensiva dos bancos: os títulos de capitalização. Quem nunca ouviu falar neles, provavelmente jamais entrou em uma agência bancária! Agora, se o nome soa familiar, com certeza você já ouviu um discurso muito bem elaborado por um gerente a respeito do produto. A verdade é que a capitalização não é investimento, como muitas pessoas acabam pensando. Aliás, muito pelo contrário, ela pode dar mais problemas do que retorno para a compradora. 

Ainda assim, os dados da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap) apontam um crescimento de 27% nas vendas dos sete primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo, isso representa uma receita de R$ 11,7 bilhões até julho deste ano. Ou seja, mesmo sendo um produto ruim, ele acaba sendo muito vendido. Boa parte do sucesso da venda pode ser creditado às relações de confiança entre cliente e gerente. Portanto, saiba colocar limites nessa amizade para não ficar no prejuízo!

como você se relaciona com seu gerente?

Segredos do banco

Ao contrário do exemplo que acabamos de dar, alguns serviços e mesmo obrigações do banco nem sempre são totalmente esclarecidos pelo gerente. Exemplo disso é a possibilidade de fazer a portabilidade da sua dívida bancária. Se você estiver no vermelho e quiser procurar um banco com juros e condições melhores de pagamento, é possível fazer isso, mas os bancos quase nunca contam aos clientes.

Da mesma forma, quando algum produto for apresentado a você, é importante que todas as cláusulas do contrato e taxas cobradas fiquem muito bem explicadas. Ainda que você esteja prestes a se convencer de que está fazendo um negócio da China (afinal, seu gerente está usando ótimos argumentos!), não assine o contrato na primeira conversa e peça para analisar a proposta. Assim, você tem todas as condições de comparar com as taxas praticadas pelos concorrentes e consultar os órgãos de defesa do consumidor, casos suspeite de alguma irregularidade.

Lembre-se também que não são somente os juros que vão implicar no valor do produto contratado, você precisa saber qual é o Custo Efetivo Total (CET) do que está contratando.

Informe-se com antecedência

Se você pretende ir à sua agência para conversar com seu gerente sobre um investimento ou mesmo tratar de alguma negociação, procure se informar bem sobre o assunto antes de levá-lo até ele. Faça uma pesquisa na internet sobre os comentários que as pessoas andam fazendo sobre aquele serviço que você está interessada, leve muitas informações para contestar os argumentos que serão colocados para você.

Dessa forma você equilibra a conversa e não aceita uma negociação desvantajosa. Quando sua situação financeira ficar ruim, lembre-se que o aconselhável é buscar uma consultoria financeira fora da agência do banco!

E você, confia no seu gerente? Conte para nós a sua experiência! 

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