O pós-parto é punk

O pós-parto é punk

*Luciana Cattony

Basta a gente ficar grávida, para começar a ouvir: “Parabéns! Sua vida vai se transformar para melhor”, “Filho é a melhor coisa da vida”, “Prepare-se para a maior emoção já sentida”, “É lindo!”, “Filho dá sentido à vida da gente”, “A maternidade é luz”, dentre outras…

Não que eu discorde dessas afirmações, aliás, assino embaixo de todas elas. Porém querida leitora, considerando que “a maternidade é luz”; o que nem todos comentam é que onde há luz, há também sombras! E que assim que uma mãe de primeira viagem ganha seu bebê, as frases escutadas, na maioria das vezes, parecem não fazer sentido algum.

Você também pode gostar:
Meu filho não foi convidado
10 brincadeiras para garantir a diversão dos filhos sem gastar
Crianças: ensinando a solidariedade dentro de casa

O que se sente no pós-parto, ao contrário do que se escuta durante toda a gestação, é um esgotamento físico e mental extremo, resultado de sentimentos antagônicos e emoções nunca antes experimentadas. Uma explosão de hormônios, dúvidas, medos e ansiedades que se misturam às lembrancinhas de maternidade, fraldas, pomadas de assadura, visitas, teorias, palpites e muitas lágrimas.

Continue a ler a matéria na próxima página!

Vale lembrar que a linguagem do bebê neste período é ainda ausente de significados para a nova mãe. Será este choro de fome? Sono? Fralda cheia? Cólicas? Falação na casa? Perfume de estranhos? Visitas que não usam o álcool gel? Cadê o “glamour” e a transformação da vida para melhor, minha gente? É puxado demais! A dura realidade coloca em xeque a capacidade de “ser mãe” de várias mulheres, que a partir das situações experimentadas se sentem ainda mais abaladas emocionalmente e mais culpadas.

Segundo a autora Laura Gutman em seu livro ‘A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra’, “as mulheres puérperas têm a sensação de enlouquecer, de perder todos os espaços de identificação ou de referência conhecidos; os ruídos são imensos, a vontade de chorar é constante, tudo é incômodo, acreditam ter perdido a capacidade intelectual, racional. Não estão em condições de tomar decisões a respeito da vida doméstica. Vivem como se estivessem fora do mundo; vivem, exatamente, dentro do mundo-bebê.” Tá vendo, amiga? Isso não acontece somente com você! É mais normal do que se imagina.

Quando a gente se torna mãe, achamos que nunca mais vamos poder sair de casa ou tomar um banho demorado… A impressão é que a nossa vaidade vai aos pouquinhos para o lixo a cada troca de fralda. E por que tão pouco se fala sobre isso tudo? Por que as próprias mães e a sociedade em geral nem sempre “dão a real” sobre os desafios que surgem com a chegada do bebê? Por que as propagandas apresentam mães sem olheiras, milimetricamente penteadas, com bebês perfeitos que só dormem em cena? Está faltando vida real nessa “novela”…

E por falar em vida real, você já parou para pensar que quando a gente compartilha nossas dores ou angústias, tudo parece mais leve? A proposta desse texto é justamente essa: a de tentar levar leveza e aliviar um pouco a carga. E fique bem tranquila pois essa fase delicada vai passar mais rápido do que você imagina! Assim como acontece após a tempestade nos campos, lindas flores vão surgir. E então, você estará mais preparada do que nunca para aproveitar e admirar o tesouro mais valioso de sua vida: a maternidade. Ah, e sabe aquelas frases do início do texto? Farão TODO o sentido!

Continue a ler a matéria na próxima página!

Assim como acontece após a tempestade nos campos, lindas e novas flores vão surgir. E então, você estará mais preparada do que nunca para admirar e aproveitar o tesouro mais valioso de sua vida: a maternidade. Finalizo este texto com um relato da jovem texana, Danielle Haines, que literalmente mostrou “a real do puerpério” e que bombou nas redes sociais:

Danielle-HainesReprodução internet

“Esta é uma foto minha três dias depois do parto. Eu estava tão crua e tão aberta, eu estava uma bagunça. Eu amava o meu bebê, eu sentia falta do pai dele (ele voltou a trabalhar naquele dia), eu estava brava com a minha mãe, meu coração doía pelo meu irmão porque minha mãe nos deixou e agora eu tinha um menininho que parecia com ele, meus mamilos estavam rachados e sangrando, meu leite estava quase descendo, meu bebê estava ficando realmente com fome, eu estava me sentindo triste porque as pessoas matam bebês, tipo, de propósito, eu não dormia desde o momento em que entrei em trabalho de parto, eu não sabia como tirar meus seios, minha vagina doia porque eu ficava sentada muito tempo enquanto amamentava, eu estava quase enlouquecendo.

Katie veio para a minha casa e me alimentou na manhã em que esta foto foi tirada. Ela deveria ter parado ali para me dar almoço. Então uma de minhas sete irmãs veio naquela noite para trazer jantar para a família, Sarah. Sarah tirou esta foto de mim. Ela entrou com a comida e disse: ‘Oi! Como você está?’ Eu disse: ‘Estou uma bagunça’. Conversamos, ela escutou, ela disse, ‘Eu estive bem aí onde você está’. Me ajudou saber que ela ficou louca um dia também!!! Então ela disse: ‘Eu sei que isso pode parecer meio maluco, mas, você tem uma câmera? Você está tão crua e tão bonita’. Estou feliz que ela tenha tirado essa foto. Ela estava apenas planejando deixar a comida. Ela acabou ficando por muito mais tempo. Eu precisava dela. Ela sabia disso. Eu liguei para Rachel, eu precisei dela. Eu precisava dela para amamentar meu bebê, eu precisei de mais ajuda com a alimentação. Eu liguei para Shell. Eu precisava que ele me dissesse que meu bebê estava bem.

Este é o pós-parto real, mamães. Aquelas de vocês que passaram por isso antes poderiam compartilhar o que sentiram imediatamente depois do parto? Eu tive um pós-parto mágico. Não foi fácil, mas tive tanto apoio e fui alimentada e lembrada de que outras mães passaram por essa parte da maternidade antes de mim e de que eu sairia disso bem também”

Beijos e até a próxima!
Com carinho,
Luciana.

*Luciana Cattony é publicitária e fundadora do site Real Maternidade.  Luciana tem como objetivo facilitar a vida das mães e levar leveza e alegria a essa rotina.

Foto de destaque: Shutterstock

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

Dúvidas enviadas através desse formulário não serão respondidas individualmente por e-mail.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Luciana Cattony

Luciana Cattony

Real Maternidade

close