O que aprendi quando falhei em um desafio financeiro

O que aprendi quando falhei em um desafio financeiro

*Karoline Gomes

Seria muito irônico se eu dissesse que o que aprendi tentando cumprir o desafio de passar uma semana anotando meus gastos, foi justamente a importância de anotar todos os meus gastos?

Acontece que desde o início eu não havia entendido, ou talvez não tenha dado devida importância para este hábito, achava que fazer isso mensalmente já era suficiente.

Consequentemente, não levei o desafio tão a sério e já falhei no primeiro dia. E hoje eu posso dizer que não, não me orgulho nada disso.

De início, vi o cartão de débito como um aliado para o desafio. No primeiro dia, um domingo, saí para fazer umas compras de farmácia e comprar almoço. Paguei com o débito pois de fato raramente ando com mais que uma nota de dez reais na bolsa e pensei: “Depois é só olhar a movimentação da minha conta no aplicativo e anotar na planilha”.

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Mas a estratégia não deu certo e o cartão de débito acabou sendo um aliado da minha procrastinação. Cheguei em casa, liguei a TV, me acomodei no sofá com meu almoço e antes de dar a primeira garfada, lembrei: “Esqueci de anotar os gastos que fiz na rua… Ah, depois vou olhar o aplicativo do banco”.

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Ao longo do dia, adiei a obrigação principal do desafio o máximo possível, sempre dizendo a mim mesma que poderia anotar meus gastos depois, pois tudo estava lá, no aplicativo. Claro que não demorou muito para que eu continuasse as minhas atividades de domingo sem nem ao mesmo me lembrar da tal tarefa, dá para imaginar então que falhei também nos dias úteis.

Na sexta-feira finalmente me policiei, consultei meu aplicativo e anotei todos os gastos até então, tudo de uma vez. Claro que esta não era a proposta do desafio e me tomou muito mais tempo para listar tudo. Mas lembro que eu nem cheguei a somar todo o valor de tão inconformada que fiquei ao observar meus hábitos de consumo.

Comecei a consulta ao extrato eletrônico do banco pelo domingo, o primeiro dia do desafio. Vi que foram debitados R$ 28 em uma rede de fast food perto da minha casa. Mas por que eu havia ido buscar comida na rua, se eu já gastava comendo fora nos dias úteis da semana?

Logo lembrei que naquele dia estava com vontade de comer o tal sanduíche e usei a necessidade de fazer compras na farmácia como mais uma desculpa: “Já estou na rua mesmo, vou ali buscar um lanche. Hoje é domingo, eu mereço”, havia argumentado para mim mesma.

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Fazendo este controle financeiro de forma tardia, o almoço de domingo e alguns outros gastos da semana não faziam mais sentido para mim. Aqueles R$ 28 poderiam ter sido divididos em dois dias de almoço em um restaurante que cobra por quilo ao lado do trabalho. Depois de constatar isso, resolvi calcular quanto havia gastado com almoço só naquela semana do desafio: R$ 88,50 e, somando o domingo no tal fast food, R$ 116,50.

Considerando os gastos com comida naquela semana, seria possível bancar um jantar caprichado com meu namorado em um restaurante mais bacana. Levando em conta que costumamos dividir a conta, ainda me sobraria a metade!

Logo comecei a listar quais débitos foram de fato necessários naqueles dias e detectei outros que talvez eu nem teria feito se não estivesse com o cartão de débito em mãos.

Depois dessa experiência que acabou não sendo literalmente um fracasso, encontrei motivação e ficou mais fácil controlar os gastos das minhas semanas. Tenho feito tudo de forma mais pensada e, consequentemente, gastado menos, principalmente porque agora eu não só cozinho aos domingos, mas também tenho levado marmita para o trabalho.

*Karoline Gomes é repórter do Finanças Femininas

Foto: Shutterstock

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