O que é preciso para reagir à crise econômica

O que é preciso para reagir à crise econômica

Tire um tempo para lembrar das suas últimas interações sociais, seja na fila do supermercado, no almoço em família de fim de semana ou churrasco entre amigos. Você consegue lembrar-se quantas vezes o assunto “crise econômica” surgiu na conversa?

Em algumas situações, sem que você perceba, passa a conversa inteira girando em torno deste assunto. A constatação não é surpreendente, afinal, o assunto está estampado em todas as capas de revista, manchetes de jornal, portais de internet e preenchendo o noticiário da TV. As atualizações de toda a turbulência do cenário econômico e político, por sua vez, acabam refletindo no comportamento da população. Medo, desconfiança, pessimismo, tudo isso passa a ser uma constante e até nas ruas é possível perceber muita gente com a expressão mais pesada.

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É fato que os tempos são ruins, não há como negar. O grande problema é deixar que o medo da crise nos paralise. Na verdade, as informações que recebemos constantemente e a forma como confiamos em nossa memória podem nos conduzir a alguns efeitos catastróficos.

Quer alguns exemplos? Vamos substituir este contexto da crise atual por outros assuntos. Quando houve uma onda de startups surgindo e o conceito começou a popularizar-se, você pode ter pensado na possibilidade de montar a sua ou pelo menos conhece alguém que embarcou nessa ideia, não é mesmo?

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Você consegue lembrar-se de alguma loja de paletas mexicanas nas proximidades da sua casa aberta há pelo menos três anos? Com certeza não. Do ano passado para cá, no entanto, dá para encontrar uma a cada quarteirão. Na onda das paleterias, houve quem brincasse dizendo que o produto entrou para a lista de alimentos básicos.

O boom de paleterias e startups também virou febre não só na mídia, mas também no famoso boca a boca. O assunto sendo constantemente alimentado em sua memória te faz associar as duas coisas com sucesso. Você logo pensa: “se a cada esquina tem uma loja com um produto que agrada tanta gente, isso deve ser bom negócio”. A decisão tomada na euforia pode ser um tiro no pé a longo prazo.

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A abertura de um empreendimento depende muito mais de planejamento financeiro, visão de longo prazo, levantamento estatístico e pesquisa de mercado do que simplesmente por mera euforia. Tome por exemplo o que aconteceu com o setor hoteleiro na cidade de Belo Horizonte no ano da Copa do Mundo. Apostando muitas fichas no evento, os empresários ampliaram a rede hoteleira da cidade, que agora enfrenta dificuldades para manter os empreendimentos abertos, tendo em vista a baixa ocupação.

Quando estudamos psicologia econômica, existe um conceito chamado de heurística de disponibilidade – ou viés de disponibilidade. Nós tendemos a puxar os acontecimentos mais recentes da memória e confiar nestes elementos como se eles tivessem força estatística. Se existem muitas paleterias na cidade, você acha que esta é a bola da vez. Se vai ter Copa do Mundo, você acredita que abertura de um hotel não tem como dar errado.

O mesmo acontece com a crise, mas com efeito contrário. Ao contrário da euforia gerada pelos exemplos que citamos acima, as notícias da crise espalham o pessimismo. A mensagem de que “tudo está desmoronando” fica acesa em sua memória e você se deixa levar por isso.

Um momento de instabilidade requer mudança de postura no sentido de ter mais cautela, estudar as decisões financeiras e sobre carreira de modo mais estratégico, além de usar bastante a criatividade para encontrar soluções onde todo mundo está vendo problemas.

Se a crise já tiver te atingido, não tenha medo. Você não é a única. Respire fundo e pense claramente, você precisará disso para reagir. Afinal, de nada adianta recuar, não é mesmo?

 

Fotos: Shutterstock

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