O que fazer quando a crise financeira afeta o casamento

O que fazer quando a crise financeira afeta o casamento

Quando a capacidade de ouvir o outro é anulada, uma relação não tem outro caminho a não ser o fracasso. Quando um casal está enfrentando uma crise, como é possível recuperar a capacidade de diálogo? Em um momento em que as duas partes não conseguem abrir os horizontes, presos à tensão criada ali, talvez a melhor saída seja o auxílio de um mediador de conflitos. Seja para superar a crise e fortalecer a relação ou optar pela separação – mas de modo que os dois lados saiam satisfeitos – a presença de uma terceira pessoa neutra pode ser a chave para a solução de muitos problemas críticos, como é o caso de uma crise financeira no casamento.

A psicóloga e especialista em mediação de conflitos, Míriam Bobrow, trabalha com casais em conflito há mais de quatro anos e confirma que a questão financeira é um problema recorrente entre casais. “Quando há dinheiro, não há problema. Os dois vão levando a vida tranquilamente. O problema aparece quando falta dinheiro ou acontece alguma transformação muito grande na vida do casal. As dívidas acumulam, os problemas vão virando bolas de neve e o casal não conversa”, ressalta.

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O peso das questões financeiras poderia ser amenizado se os casais estabelecessem combinados em relação ao dinheiro antes do surgimento do problema, mas o fato é que este diálogo sobre finanças não existe em grande parte dos relacionamentos. “Alguns temas são difíceis de conversar e este é um deles. Sem o diálogo, começam a surgir as suposições e as queixas. Um reclama que o outro está falando que os custos estão altos, mas acabou de comprar um carro. As insatisfações vão surgindo sem que o problema seja conversado”, completa.

Os conflitos surgem não só quando aparece um problema financeiro grave, como o desemprego ou queda brusca no faturamento, mas também quando alguma grande mudança acontece na família. “A chegada de um filho, por exemplo, muda tudo. São mais custos, mais comida, de repente a contratação de alguém para ajudar. Se tudo isso acontece sem conversa, o conflito aparece”, ressalta.

Ela reforça ainda que o diálogo sobre o dinheiro ainda no começo da relação é importante porque o casal precisa considerar que ambos vieram de realidades diferentes. Mesmo se os dois vierem de um contexto de classe social semelhante, as criações são diferentes, bem como a maneira que cada um enxerga o dinheiro. “A conversa precisa existir para que um entenda as necessidades e valores do outro. Tem gente que acha que não pode esbanjar, o outro pensa que não vai levar nada para o caixão, as visões diferentes vão interferir na forma de lidar com o dinheiro“.

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A crise já chegou, e agora? 

Quando uma crise surge, a primeira coisa a ser abalada é a capacidade de comunicação. A ajuda de um profissional capaz de entrar de maneira neutra nas questões problemáticas entre o casal pode ser a saída para encontrar uma solução boa para os dois lados. A especialista ressalta que o conflito não necessariamente precisa ser ruim, desde que haja sabedoria para supera-lo. “O conflito pode ser positivo. Dou o exemplo de uma pessoa que conheço que afirma que já casou várias vezes com o mesmo marido. Em cada conflito, eles foram a fundo para resolver o problema e construir uma nova relação”, comenta.

Em muitas situações, ainda que o casal esteja decidido pela separação, a mediação pode ajudar para que isso ocorra de uma maneira mais equilibrada, com as duas partes saindo satisfeitas. “Existem casais que já saem com o acordo pronto para levar ao advogado. Se as pessoas deixam o conflito para ser resolvido por um juiz, a decisão pode gerar um resultado em que um ganha e o outro perde. O objetivo da mediação é entender a fundo o que cada um quer, para que os dois lados ganhem”, explica. Um impasse quanto à guarda dos filhos, por exemplo, tem maiores chances de ser resolvido por meio de uma mediação do que somente na esfera judicial.

O segredo para as soluções pacíficas e positivas para os dois lados, é reativar a capacidade de ouvir o outro lado, ou seja, adotar uma postura menos defensiva. Durante o processo de mediação, a especialista ressalta que quando uma pessoa do casal fala, a outra não pode interromper de forma alguma. Ainda que tenha a reação de retrucar, ela se contem e anota o que quer em uma prancheta e só se manifesta quando o outro já terminou de falar. A intenção do processo também é resolver os problemas com objetividade, sendo assim, os problemas são tratados em um intervalo de seis a dez encontros com o mediador.

Os problemas sempre surgirão em um relacionamento, mas é possível encontrar uma saída menos dolorosa para os dois lados. Seja qual for o contexto, avaliem a possibilidade de buscar uma mediação. Um olhar de fora dentro da relação pode mostrar soluções que as brigas não permitem que vocês dois enxerguem.

Crédito das fotos: Shutterstock

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