O que o rating da Petrobras tem a ver com a compra da casa própria?

O que o rating da Petrobras tem a ver com a compra da casa própria?

Olá, meninas! Na coluna Em $uma de hoje, a repórter de economia, Naiara Bertão, mostra como funciona na prática o rebaixamento de rating da Petrobras.  

Bom dia, meninas!

Na coluna desta semana nós vamos tratar de um assunto muito comentado na semana passada e que pode voltar ao noticiário nesta semana: o rebaixamento do rating da Petrobras pela agência de classificação de risco Moddy’s. Acredito que tenham ouvido em meio de comunicação a notícia sobre a agência de classificação de risco Moody’s ter rebaixado ou cortado – termos mais usados – as notas de crédito da Petrobras, tirando dela o grau de investimento. Em um primeiro momento pareceu grego,  não é? Mas é simples de entender, meninas, e importante também.  Vamos lá.

Imagine que você quer comprar uma casa, mas não tem todo o dinheiro. O que pode fazer nesse caso? Pedir emprestado, não é? E como o banco/credor vai avaliar quanto ele deve cobrir de juros de você por este dinheiro? Por meio de seu histórico de pagador! Vão ver se você tem um “bom nome na praça”. Bom, se vocês costumam pagar tudo em dia, sua reputação está boa, ou seja, você tem credibilidade, é considerada confiável. Mas, se sempre está enroscada no cartão de crédito ou deixa de pagar as parcelas de alguma dívida, você não é tão bem vista assim e sua reputação está negativa, não é tão confiável.

Esse risco de calote que o banco avalia é o mesmo que os investidores tentam olhar na hora de comprar títulos de dívida de uma empresa, como a da Petrobras. No caso do banco, se você já é correntista, ele vai olhar seu histórico e decidir se cobra mais de você (no caso de você ser mau pagador) ou cobra menos (boa reputação). Os investidores também fazem essa avaliação, mas, como não têm dados da empresa suficientes e, às vezes, nem conhecimento técnico –  tempo – para analisar o perfil de risco da companhia, eles recorrem a uma agência de classificação de risco.

O nome é bem intuitivo: essas agências, como a Moody’s, avaliam o risco de calote, seja de uma classe de títulos de dívida, de uma empresa, de diversas empresas de um setor e também de um país. Já tivemos caso na Argentina, por exemplo, de moratória – o governo deu o calote na dívida pública. Essa avaliação de risco leva em conta um monte de coisas, mas especialmente a sua dívida, o seu plano de investimento e como você pretende se financiar para dar conta de cumprir toda a lista de investimentos que devem ser feitos. Ela dá uma nota de crédito, chamada de rating, que reflete o quanto o que você está pretendendo fazer, diante da sua situação financeira, faz sentido.

O que aconteceu com a Petrobras já era esperado pelo mercado. A empresa está envolvida em escândalos de corrupção que parecem sem fim, houve troca de diretoria recentemente (o que mostra instabilidade), ela teve de divulgar o balanço financeiro sem a assinatura dos auditores externos (uma medida de confiança nas informações que estão sendo prestadas) e ela ainda não sabe quanto os contratos corruptos lhe renderão de perdas contábeis (se os projetos foram superavaliados por corrupção, o valor deles precisa ser revisto e a empresa precisa registrar essa diferença como perda na sua contabilidade).

Com um inferno astral desses, um futuro muito incerto, e um plano de investimento de 500 BILHÕES DE REAIS entre 2014 e 2018, a Moody’s declarou, agora oficialmente (rebaixando essa nota de crédito da empresa), que ela não é confiável, pode dar calote. Assim, aquele ‘selo’ de que os investidores podiam emprestar dinheiro a ela não vale mais – ela perdeu o ‘grau de investimento’.

plataforma_petrobras

E o que que eu tenho a ver com isso?

Como já falamos em uma coluna do Em $uma, a Petrobras é a maior empresa do país, emprega muita gente direta e indiretamente e, se ela tiver problemas financeiros, a cadeia toda acaba sendo afetada. Assim, empresas do setor de óleo e gás e que estejam ligadas a eles, podem perder trabalho, clientes e precisar enxugar custos (e demitir).

Essa mudança de rating, em um primeiro momento, vai dificultar a Petrobras a captar no mercado, pegar dinheiro emprestado para tocar seu astronômico plano de investimentos. E mesmo quem se dispuser a emprestar, vai cobrar mais por isso (que está relacionado À reputação). E isso pode prejudicar ainda mais as contas da companhia.

Bom, a Petrobras continua no radar do noticiário porque outras agências de classificação de risco – Fitch e S&P, por exemplo – podem seguir o mesmo caminho da Moody’s e rebaixar o rating da empresa.

Mas, fora isso, a semana  terá dois eventos que eu destaco: reunião do Copom (o Comitê do Banco Central que decide se precisa aumentar os juros/Selic) e o IPCA (índice de inflação de fevereiro) do IBGE. A expectativa dos economistas é que o Copom suba em, pelo menos, mais 0,25 ponto porcentual a Selic, para 12,5%, para tentar controlar justamente a inflação.

O que vale lembrar, meninas, é que,em economia, tudo está de alguma forma ligado. Lembra um pouco a Teoria do Caos: “um bater de asas de uma borboleta que pode causar um tufão do outro lado do mundo”.  #consequencias #causaseefeitos #boasemana #emsuma

Desabafa!

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Naiara Beltrão

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