O que sustenta os blogs de periferia?

O que sustenta os blogs de periferia?

Elas não estão estampando outdoors ou fazendo propaganda para grandes marcas. Também não recebem “presentinhos” para exibir nas redes sociais e menos ainda assinam coleções de roupas e maquiagem. Mas um grupo de blogueiras existe e está na internet compartilhando conteúdo, fotos e vídeos, para orientar e inspirar uma gama fiel de seguidores que as admiram. Então o que falta para elas serem reconhecidas e remuneradas num mercado tão lucrativo como o dos blogs?

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Com o Blog da Taya, recém inaugurado depois de muitos pedidos de seguidores no Facebook, Taiane Oliveira, de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, justifica suas expectativas para o novo trabalho. “Eu gostaria muito de ser reconhecida nessa área, já que gasto bastante tempo e dinheiro com divulgação, domínio, e tudo mais. Então espero ser remunerada sim. Mas se não for, vou continuar fazendo do mesmo jeito”, explica.

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Foto: Reprodução Instagram @McTaya

Claro que a profissão blogueira não é só sobre o glamour que se vê nas redes sociais. Nos bastidores, há muito trabalho e dedicação, principalmente no começo, para impulsionar visualizações. Mas Taya e outras mulheres precisam vencer também as dificuldades e preconceitos de fazer conteúdo direto da periferia.

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A missão de empoderar

Thainá Sagrado mora há seis anos na comunidade Osternack, em Curitiba. Ela começou o blog Themba sem ter um computador ou uma boa câmera para fotografar seu looks. Mas não desistiu de sua missão, que começou enquanto estudava moda e não se sentia representada nos editoriais das marcas e na mídia.

Ela assume a responsabilidade de representar outras mulheres negras e periféricas ao falar de roupas. Por enquanto a única recompensa é o retorno das seguidoras e isso é o suficiente para continuar trabalhando. “O publico para quem eu tenho feito todo o meu trabalho só me manda amor. Eu recebo muitas mensagem lindas, das pretas agradecendo, se vendo, só coisa linda mesmo, sabe?”, comemora.

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Foto: Fernanda Krüger / Reprodução Instagram @Thembaoficial

Lívia Teodoro, que é do bairro de Washington Pires, em Ibirité, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, concorda que a questão da identificação e proximidade com o público é fundamental para quem quer empoderar outras mulheres de periferia.

“Criei o Na Veia da Nêga pois sentia falta de um espaço que refletisse de fato a vida cotidiana da mulher negra brasileira, que tem uma vida normal e nem por isso deixa de ser interessante e ter conteúdo. É uma forma de mostrar que essa ideia de que blogueiras são deusas é furada. Continuo trabalhando oito horas por dia e andando de ônibus”, conta.

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Os negócios e o ativismo do blog

A recompensa financeira para estas blogueiras demora mais para aparecer em função do ativismo do conteúdo de seus blogs. Empoderar torna-se também um ato político quando é preciso levantar a bandeira contra o racismo, elitismo, e outros problemas sociais que estereotipam e diminuem a posição da mulher de periferia no mundo da moda e beleza, e isso assusta patrocinadores.

“Meu blog é extremamente politizado e eu não vou abrir mão disto, minha ancestralidade não está à venda e as marcas não estão muito dispostas a lidarem com isso. O anunciante não quer correr o risco de tomar uma bronca de seus seguidores”, explica Lívia.

Thainá também resiste à insistência da mídia em manter padrões. “As pessoas mostram um certo receio em vincular sua marca a isso. Ou me pedem para reproduzir as fotos com pessoas brancas e chocam quando eu digo que não. Eu não vou negociar. Isso não quer dizer que não vai ter pessoas brancas lendo e visitando, é só que o protagonismo ali é negro e ponto!”, afirma.

Quando há interesse de parcerias ou contratos para uso do espaço no blog para propaganda, a remuneração oferecida não costuma ser compensatória. Lívia conta que, na maioria dos acordos, são oferecidos brindes de produtos fabricados pela marca, que na verdade deveriam ser oferecidos como cortesia para que a blogueira possa testar e avaliar de forma positiva ou negativa, sem compromisso com a marca.

“Os brindes não pagam a nossa internet. As marcas terão que entender que, assim como não anunciam no jornal a troco de brindes, no meu blog também não! Além de que o meu primeiro compromisso é com as mulheres negras que me seguem”, afirma.

Esta situação torna a relação com as assessorias das marcas mais complicadas. “Não há nenhum vínculo. Apesar do blog ser um espaço de mídia, geralmente quando a blogueira é negra ou de periferia, o anunciante demora mais a entender e valorizar”, conta Lívia.

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Foto: Reprodução Instagram @mliviateodoro

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O apoio de um novo mercado

Sem apoio das marcas tradicionais, fica difícil ter produtos para trabalhar em conteúdo para um blog. A saída que Taya encontra, está num mercado que ascende também da periferia, o afroempeendedorismo.

“Ainda não tive nenhum contato com alguma marca de grande porte, por enquanto trabalho muito com lojas iniciantes de afroempreendedores que estão começando, estas sempre poderão contar comigo para essas divulgações, acredito que crescemos todos juntos”, afirma a blogueira carioca.

Um exemplo desse crescimento aconteceu no último dia 13 de dezembro, quando a Arena Anhembi em São Paulo ficou lotada de afroempreendedores e blogueiros negros e periféricos trocando produtos, formando parcerias, se conhecendo na primeira Feira Preta.

Destaque: Melvin Quaresma / Reprodução Instagram @thembaoficial

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