O que você precisa saber antes de formar uma sociedade

O que você precisa saber antes de formar uma sociedade

Abrir ou adquirir um negócio é um grande desafio. Colocando no papel o capital necessário e as inúmeras tarefas a serem cumpridas, um dos principais dilemas da empreendedora é: formar uma sociedade é a melhor escolha para a empresa?

Tomar essa decisão, entretanto, exige muita responsabilidade. A sociedade pode ajudar o seu negócio a decolar ou afundá-lo de vez, por isso, é importante considerar diversos fatores antes de escolher uma parceria para os negócios. O professor de finanças da PUC-SP, Fábio Gallo, explica o que colocar na balança nesse processo.

Vantagens da sociedade:

– unir conhecimentos: como se sabe, duas cabeças pensam melhor do que uma. Entre as principais vantagens de se ter um (a) sócio (a) está necessariamente a diversidade de opiniões. Pode ser, por exemplo, que um de vocês tenha mais experiência no setor e o outro seja um administrador melhor. “A troca de conhecimento é interessante para alavancar o negócio e também reduzir os riscos, já que mais pessoas estarão buscando soluções para os problemas”, diz o professor.

– aumentar o capital: outro ponto positivo é a possibilidade de solucionar uma das maiores questões de toda empresa nova no mercado: a falta de dinheiro em caixa. Com mais investimentos, a chance de o negócio dar retorno é muito maior. Se vocês estiverem pensando em adquirir uma franquia, por exemplo, têm a possibilidade de escolher uma mais cara e com resultados financeiros mais interessantes.

– dividir riscos financeiros: se você coloca apenas o seu capital no negócio, assume totalmente a responsabilidade sobre ele. Por isso, “um dos maiores motivos para se fazer uma sociedade é mitigar o risco financeiro como investidora”, explica Gallo.

– compartilhar tarefas: todo mundo que já abriu um negócio sabe que dá muito trabalho fazê-lo caminhar. Por isso, ter alguém para dividir responsabilidades e compartilhar problemas é muito interessante.

Desvantagens da sociedade:

– dividir o poder: da mesma forma como unir experiências é uma vantagem, pode se tornar uma desvantagem. Ter uma sociedade é compartilhar com alguém o direito de tomar as decisões pela empresa, ou seja, você perde parte da sua autonomia. Nesse ponto, o potencial de conflito aumenta exponencialmente. “É preciso que vocês saibam ouvir e respeitar as ideias um do outro. Não há nada pior para uma empresa do que uma sociedade com ambiente hostil”, diz Gallo.

– compartilhar os lucros: parece óbvio, mas, para que não haja conflitos, quem entra em uma sociedade precisa ter clareza de que os lucros serão repartidos. O professor explica que é preciso também avaliar se, financeiramente, o negócio comporta um ou mais sócios, já que o potencial da empresa às vezes não é suficiente para remunerar mais pessoas.

Como escolher um (a) sócio (a)?

Para Gallo, não existe uma regra mágica para escolher quem fará parte da sociedade, mas a relação pessoal deve ser o ponto chave. Para que os sócios tenham uma relação plena, é importante que todos compartilhem valores e objetivos parecidos – ao menos não conflitantes – e tomem decisões em conjunto. “O sócio deve ser uma pessoa que você conheça, respeite e confie nas decisões de forma radical. Quando algum dos dois começa a agir sozinho, é o fim da sociedade.”

Outro ponto importante é que as pessoas tenham conhecimentos complementares, para que as qualidades de cada um possam somar ao negócio de forma diferente.

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Dicas para uma parceria de sucesso:

– façam acordos claros: é fundamental que todos estejam satisfeitos com as condições da parceria – e não há outro jeito de fazer isso a não ser conversando. “É importante que não haja nenhuma área nebulosa. Nem tudo precisa estar documentado, mas as bases sim, como divisões de lucro e diretrizes de governança, por exemplo.”

– preservem a empresa financeiramente: nunca misturem o dinheiro pessoal ao da empresa. Deixem documentadas todas as regras relativas à remuneração pessoal e criem uma reserva para emergências e investimentos no negócio. Em hipótese alguma usem o caixa da empresa para custear despesas pessoais.

– dividam bem as responsabilidades: sentem-se e discutam o que vocês sabem e gostariam de fazer na empresa. Explorem as potencialidade dos dois profissionais e o que podem aprender um com o outro. O mais importante é que todos fiquem satisfeitos e motivados com o seu papel no negócio.

– certifiquem-se de que têm os mesmos objetivos: para que a parceria seja bem sucedida, é preciso que vocês estejam na mesma página. Por isso, conversem regularmente sobre as suas expectativas e o grau de envolvimento de cada um com a empresa.

 

Fotos: Shutterstock

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Mariana Ribeiro

Jornalista com sotaque e alma do interior. Longe das finanças, passa o tempo atrás de música brasileira, rolês baratos e ônibus vazios. Acredita que o mundo seria outro se as pessoas tentassem se ver.
Fale comigo! :) mariana@financasfemininas.com.br

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