O que você quer ser quando crescer?

O que você quer ser quando crescer?

*Todo mês o Finanças Femininas publica uma coluna do Negócio de Mulher. Desta vez o assunto será os pontos que devem ser avaliados hora de apostar em uma ideia.

*Karine Drumond

 “O que você quer fazer quando crescer?”

No final do último ano do colégio eu decidi fazer design. Naquela época eu gostava de me imaginar em um ambiente em que eu pudesse explorar minha paixão pela cultura, artes visuais e criatividade, alguns anos de curso depois e de alguns estágios eu percebi que gostava mais do que eu lia e estudava do que da prática da profissão. Apesar de ter trabalhado em agências e escritórios de design conceituados da minha cidade e aprendido intensamente com grandes designers, o que me fazia mesmo feliz eram as atividades de pesquisa e conceituação, a defesa do projeto e a imersão nas leituras e pesquisas em campo. Mas infelizmente, estas não eram atividades mais valorizadas nas empresas em que trabalhei.

Foi movida pela minha curiosidade e gosto pela pesquisa que eu acabei explorando áreas diversas do design, design impresso, de livros, de publicidade e de projetos digitais. Foi no universo digital que eu comecei a investigar a interatividade, percebi a importância de se criar tecnologias mais amigáveis para os usuários, me apaixonei pela área de usabilidade e completei meu primeiro curso de pós-graduação em Design de Interação, estudando a fundo esta área. Fui professora durante dois anos nesta mesma pós-graduação, iniciei junto com outros colegas uma associação de Designers de Interação em minha cidade e administrei por quatro anos uma empresa de Design de Interação e Usabilidade, onde vivi anos intensos de muito empreendedorismo. O que me move na área de usabilidade é a combinação de duas paixões que sempre estiveram presentes em minha carreira: o senso de utilidade e a paixão pela pesquisa. Como designer de interação eu abracei a causa de tornar as tecnologias mais amigáveis e úteis no  dia a dia das pessoas e aplicava minha paixão pela pesquisa na minha prática, realizando pesquisas com as pessoas, validando meus projetos diretamente com os clientes. Ficou claro, aí meu interesse pelo comportamento humano.

Eu me sentia útil e satisfeita por usar minhas habilidades mais naturais, como a facilidade em me aprofundar em pesquisas, conceituar e entender de pessoas. Foi um período de realização e satisfação na carreira como eu nunca havia sentido antes, com muito crescimento, desenvolvimento de capacidades e habilidades como liderança, empreendedorismo, didática, apresentações em público… atitudes, que hoje reconheço como fundamentais para os próximos passos que dei adiante e que me levam ao que faço hoje.

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Foi no final de 2011, já completando quase 4 anos com a empresa de usabilidade, que comecei a rever meus planos, me sentia feliz com o que havia conquistado, porém queria algo mais, sentia que a carreira que escolhi atuar me restringia em alguns pontos que começaram a pesar naquele momento da minha vida. Uma das questões que começou a me incomodar foi o fato da limitação do mercado, meu foco de atuação era diferenciado, porém restrito e meus maiores clientes estavam em grandes centros, me limitando a atuar em grandes cidades. Também não havia flexibilidade de horários, já que os projetos eram grandes e me levavam boa parte do meu tempo. Eu também sentia uma vontade de empreender algo próprio, em que eu pudesse ter um estilo de vida com maior autonomia, liberdade de horários e principalmente pudesse trabalhar a distância de qualquer lugar. Este desejo começou a crescer dentro de mim, quando conheci duas amigas que acabaram se tornando sócias da Negócio de Mulher.

Foi em um encontro de empreendedores (Startup Meetup BH), quando percebi que éramos as únicas mulheres do lugar. Este incômodo passou a ser principal tema de nossas conversas e também inspiração para várias ideias de projetos. Foi no final de 2011 que começamos a nos reunir periodicamente e então decidimos fundar nosso laboratório criativo, chamado Negócio de Mulher porque seria focado em empreendimentos femininos.

A oportunidade de explorar criativamente várias ideias e liderar algo original e novo foi o que me motivou a levar a ideia adiante e realizar o que temos realizado até então. Aliado a minha busca pessoal por um estilo de vida mais flexível, a Negócio de Mulher acabou resultando em um processo intenso de realização e auto conhecimento.

As nossas iniciativas e valores começaram a inspirar outras mulheres empreendedoras que por sua vez, começaram a nos procurar buscando trilhar também uma carreira solo ou empreender. Foi então que em meados de 2013, decidimos nos focar em atender estas mulheres, ajudando-as e inspirando-as com conteúdos, oficinas femininas e cursos. E é o que temos feito até hoje. Foi uma das decisões mais importantes para nosso negócio, um alinhamento perfeito de propósitos (amamos nos sentir úteis) e habilidades que já tinhamos desenvolvido.

Olhando a história de trás pra frente fica mais fácil entender o meu caminho, marcado por uma busca deste alinhamento entre minha personalidade (jeito de ser), minhas paixões (o que eu gosto de fazer), habilidades (o que sei fazer bem) e propósito (visão).

Eu sei que o meu caminho de busca por satisfação e felicidade no trabalho só foi possível porque eu não parei de me fazer esta pergunta “O que eu quero fazer quando eu crescer”, eu continuei curiosa, encarei os desconfortos como alinhamento entre quem eu sou (personalidade), minhas paixões, valores e propósitos é que nos levam a  voar. Tenho conhecido pessoas maravilhosas com histórias parecidas, mulheres que decidem encarar o desconforto, mesmo estando em uma situação teoricamente confortável, em busca de um melhor bem estar.

Também aprendi que essa busca é infinita, ela não acaba, assim como você não é estática, você muda, sua vida muda, seus valores mudam e assim seu propósito. Eu não cheguei nem de longe aonde eu gostaria de estar, nem alcancei todos os meus objetivos, e ainda tenho um punhado de desafios pela frente, mas nunca me senti tão feliz e confortável com as decisões que tenho tomado. Empreender é difícil, mas é mais difícil começar. Uma vez começado, uma vez no controle da sua vida, o difícil é voltar a ser a mesma, você jamais será a mesma. Seria a felicidade fruto deste alinhamento entre valores e propósitos de vida? Eu não tenho dúvidas disto.

Jamais se esqueça de se perguntar: O que você quer ser quando crescer?

Faça algo hoje, que sua ‘eu futura’ a agradecerá!

Este texto foi originalmente publicado no site Negócio de Mulher.

 

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