O salário mais alto é sempre a melhor escolha?

O salário mais alto é sempre a melhor escolha?

*Thais Roque

“O que você quer ser quando crescer?” A primeira resposta que me lembro de ter dado a essa pergunta foi, humildemente, “CEO”. O que isso significava eu não sabia, mas pelo que eu ouvia, era o melhor cargo a se ter.

Quando convivemos com muitos médicos, ouvimos sobre medicina. Quando convivemos com muitos advogados, são debatidas leis e a justiça à mesa de jantar. O mesmo ocorre com empresários. Sempre convivi com pessoas do mundo corporativo e entendia que CEO era o emprego dos sonhos. Mas será que isso vale para todos? É ai que mora a confusão.

Aprendemos diariamente com as pessoas que nos cercam: como nos portar, como nos relacionar com os outros e, consequentemente, como vemos as nossas carreiras.

Quando cresci, sabia que queria ser feliz profissionalmente e meus pais eram felizes trabalhando em empresas. Sem me questionar muito, optei pelo mesmo caminho. Foquei-me, então, em buscar empresas onde os funcionários eram mais felizes: Google e Disney. Esses eram os meus sonhos. Não importava a vaga, eu me candidatava.

Até que entrei em uma grande multinacional, considerada a “empresa dos sonhos dos jovens” da época. Nos primeiros meses fui muito feliz; tinha uma chefe incrível que me ensinava muito, reconhecia publicamente meu valor e era atenciosa. Constantemente me chamava para reuniões e me apresentava a pessoas das mais diversas áreas. A parte chata do trabalho pouco importava. Um ano depois, fui convidada para mudar de área e ganhar um bom aumento. Senti-me ‘poderosa’ e fui. O aumento veio em boa hora e fiquei ‘nas nuvens’. Porém, comecei a responder para um gestor que não admirava, que não me incluía nos projetos ou reuniões e meu interesse caiu, assim como meu desempenho. Comecei a achar a vaga chata e o trabalho maçante.

Isso quer dizer que o salário pouco importava? Não. Era ótimo e eu fiquei muito feliz. Mas depois de um tempo, outras coisas faziam falta. O que eu realmente buscava? Dia a dia dinâmico, contato com pessoas, aprender, admirar, acolhimento e reconhecimento público. Esses são alguns exemplos do que chamamos de valores.

Valor é o que move a nossa alma, representa nossa essência e nos direciona para onde desejamos chegar. Nos mostra o que é correto para nós e, quando vamos contra eles, é como se sentíssemos uma ‘fisgada no estômago’. Desconforto mesmo. Parece que algo está fora do lugar. Os valores nos dão base para escolher nossas ações e caminho.

Todos têm os mesmos valores? Não. Digo que, assim como nosso sangue, nossos valores tem seu próprio ‘DNA’, pois nunca encontraremos uma pessoa que tem todos os valores exatamente iguais aos nossos. Muitos em comum? Com certeza. Porém algum valor que passa despercebido por você pode ser inaceitável para o seu melhor amigo ou irmão.

Certo dia, ouvi de uma cliente: “estou concorrendo a duas vagas. Uma paga muito bem, tem baixa rotatividade de funcionários e eu domino a função. A outra é descolada, perto de casa e tem uma equipe receptiva, porém paga menos”. Conversando com amigos, eles a apoiaram a escolher o primeiro. Salário, estabilidade e domínio na sua área. A escolha dela? A segunda.

felicidade_trabalho

Por que? A outra vaga a conquistou porque foi ao encontro de seus valores: qualidade de vida (por ser perto e não ter que usar carro), pertencimento e informalidade. Os valores, quando atendidos, te ajudam a agir de uma maneira mais precisa e ficamos menos vulneráveis a obstáculos internos e externos. Mas, como descobrir quais são os valores que te movem? Aqui vão alguns exemplos e dicas:

Observe as pessoas à sua volta. O que você mais admira nelas?

  • Uma tia que ensina;
  • um amigo que vence competições;
  • uma amiga determinada (realizar);
  • um vizinho que sai cedo do trabalho (qualidade de vida).

Comece anotando e monte sua lista. Veja o que mais faria falta em sua vida caso você tivesse que abrir mão:

  • Tempo com amigos (lazer);
  • home office algum dia da semana (qualidade de vida);
  • esporte durante a semana (saúde);
  • cursos profissionalizantes (aprender).

Olhe suas paixões e as possibilidades que te cercam. O que mais te atrai?

Para exemplificar, escolhi profissões que têm como base a mesma paixão: alimentar pessoas. Os exemplos abaixo são generalizações. Não são necessariamente esses valores movem todas as pessoas que optam por essas carreiras. Porém, é uma maneira de ilustrar diferentes escolhas para a mesma paixão.

Abrir um carrinho de FOODTRUCK:

O que pode mover a pessoa que opta por isso?

  • Liberdade Criativa – liberdade de fazer o seu cardápio, à sua maneira;
  • flexibilidade – poder escolher seu próprio horário e trabalhar de diferentes lugares;
  • autonomia – ter poder de decisão no seu negócio;
  • realização pessoal – realizar-se cozinhando, sentir que fez.

Ser PERSONAL CHEF:

  • Ensinar – o prazer de transmitir conhecimento, ensinar algo a alguém. Pode ser feito através de aulas, tutoria, mentoring;
  • qualidade de vida – definir sua maneira de trabalho, por exemplo: dar aulas em casa e se livrar do transito;
  • autonomia;
  • flexibilidade.

Trabalhar em um RESTAURANTE FAMOSO e premiado:

  • Admirar – ter orgulho de onde e/ou para quem trabalha;
  • liderança – comandar um time, ter sua equipe;
  • desafio e/ou Pressão – muitas pessoas adoram o ritmo agitado de uma cozinha de restaurante e sentem-se motivadas pelo desafio;
  • ser o melhor – ser o melhor no que faz. Tornar-se referência para outras pessoas.

São absolutamente todos os profissionais que cozinham que gostariam de trabalhar em um lugar com uma estrela Michelin? Não. Por mais incrível que possa parecer para alguns, o que é um sonho para um, não é para outros. Isso tira a importância do restaurante? Jamais. Apenas não é a meta de todos.

Note a primeira coisa que você repara quando vai escolher uma vaga. O que faz seu coração ‘pular’?

  • Salário?
  • Empresa renomada?
  • Felicidade dos funcionários?
  • Flexibilidade de horário?
  • Ramo de atuação?
  • Proximidade de casa?

Coloque tudo na lista!

Mapeando pouco a pouco o que nos move, entendemos melhor quem somos. O que nos faz falta e o que nos estimula. Aprendemos a respeitar mais a escolha do próximo quando entendemos que seu DNA de valores não é exatamente igual ao nosso.

Ao escolher uma vaga, se levarmos em consideração nossos valores, a chance de nos vermos infelizes em seis meses é imensamente menor. Além de salário, nome da empresa, devemos olhar o nosso DNA e ‘ouvir’ o que ele pede. Essência respeitada é vida realizada!

*Formada em Administração de Empresas, Thais Roque passou oito anos pulando de emprego em emprego em diferentes multinacionais. Se graduou em Coaching e Gerenciamento de Negócios pela New York University (NYU), estudou Pensamento Crítico, Tomadas de Decisão de Alto Impacto, Comportamento Organizacional, entre outros temas. Fez MBA na Fundação Getúlio Vargas (FGV) em Gestão Estratégica e Econômica de Recursos Humanos. Hoje comanda a Mrs Coach3 e é palestrante motivacional, oferecendo suporte para quem quer reformular a carreira e organizar a vida. Mais informações em http://www.mrscoach.com.br.

Fotos: Shutterstock

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