O sexismo no uniforme de trabalho

O sexismo no uniforme de trabalho

Os amantes da aviação podem achar toda a apresentação feita pelas companhias aéreas muito glamourosa. Comandantes com uniformes bem alinhados e aeromoças muito bem maquiadas e com a roupa impecável. Agora vamos tentar ver a questão por uma outra ótica: puxe da sua memória qual foi a última vez que você viu uma aeromoça com um uniforme composto por uma calça, em vez de uma saia.

E mesmo que a gente parta da situação hipotética de que todas elas estão satisfeitas com seus uniformes, ainda assim não seria razoável que as companhias também levassem a público suas funcionárias usando calças com mais frequência? O questionamento lhe parece estranho? Pois vamos justificar o ponto de vista.

Recentemente, o jornal britânico The Telegraph produziu uma interessante matéria contestando o sexismo nas companhias aéreas. O ponto central da discussão foi justamente a quase completa ausência de aeromoças usando uniformes compostos por calças. Algumas companhias permitem a calça (mas não incentivam o uso) e outras proíbem a peça no uniforme feminino. Imagine você trabalhando como aeromoça em uma companhia internacional e desembarcando em um país do hemisfério norte durante o inverno rigoroso, usando saia e meia-calça!

A reportagem cita o caso da British Airways, por exemplo, que apesar de ter introduzido as calças nos uniformes femininos a partir de 2004, não permite mais essa opção para as aeromoças. A impressão que fica é que as companhias fazem o que podem para evitar que as funcionárias usem calças durante o expediente.

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A questão ganha ainda mais relevância quando Heather Pole,  aeromoça e autora do livro Cruising Attitude: Tales of Crash pads, Crew Drama and Crazy Passengers, questiona o sexismo contido nessa questão dos uniformes e faz ainda uma ressalva: “Aeromoças estão ali para garantir a segurança das pessoas. Meias-calças são altamente inflamáveis, se eu estou usando uma saia, eu também preciso ter uma mangueira ao meu lado, se precisar combater um incêndio”.

Para endossar o argumento, a reportagem traz ainda a opinião de Lee Cobaj, que trabalhou como aeromoça por 18 anos. E ela faz uma reflexão interessante. Os uniformes usados pelos funcionários das companhias transmitem uma imagem que deve corresponder a um alto padrão de qualidade, é essa a mensagem que as empresas aéreas querem passar aos clientes. “Mas as companhias estão querendo dizer que as mulheres não podem parecer glamourosas e espetaculares se estiverem usando calças?”, questiona.

Para finalizar, ela pondera o que considera a respeito do assunto. “Um uniforme deve projetar autoridade e profissionalismo, para que os passageiros possam confiar em você em caso de emergência, não para atrair atenção com apelo sexual. Muitas tripulantes gostam das saias e sentem-se femininas com elas – e isso está correto. Mas o vestuário que cada pessoa vai usar deve ser uma decisão delas mesmas”.

Vale lembrar que no ano passado a companhia japonesa Symark Airlines envolveu-se em uma polêmica por colocar suas funcionárias com uniformes em que usavam minissaias, fato que abriu brecha para que elas sofressem assédio durante o trabalho. A reflexão sobre o tema é válida: muito além de uma questão estética, o momento é oportuno para contestar o sexismo velado dos uniformes.

 

 

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