Petrolão e seu ganha-pão

Petrolão e seu ganha-pão

Bom dia, meninas! A cada dia que passa as notícias relacionadas à Petrobras parecem mais tenebrosas, não é mesmo? Na coluna Em $uma de hoje, Naiara Bertão traz um apanhado sobre os últimos desdobramentos e como isso influi em nossas vidas.

Olá, meninas!

Começamos essa semana com o ar ainda carregado das notícias ruins envolvendo a Petrobras. Apesar de terem sido divulgadas na semana passada, elas devem influenciar o humor dos mercados, dos investidores, do governo e dos políticos por um tempo.

Não digo apenas da queda de 38% do lucro líquido da petroleira entre o segundo e o terceiro trimestre e o alto endividamento que preocupa as empresas que avaliam o risco de a estatal dar o calote nos credores (as tão faladas agências de classificação de risco). Digo especialmente sobre o avanço das investigações da Operação Lava Jato que abriu, na semana passada, inquéritos para investigar mais dez empresas suspeitas de envolvimento em fraudes na Petrobras. No fim de dezembro, a estatal suspendeu contratos com outras 23 fornecedoras suspeitas de corrupção.

Que o “petrolão”- como foi apelidado o esquema de corrupção na Petrobras – é profundo não há dúvidas, mas o tamanho desse rombo ainda não está claro. Analistas, economistas e curiosos esperavam que a estatal divulgasse, junto com seus resultados financeiros, as chamadas perdas contábeis – o valor que a empresa precisa reconhecer em seu balanço referente à superavaliação de ativos, provavelmente alvos de corrupção. Mas, a empresa preferiu não firmar um número, alegando que ainda não achou a metodologia adequada para estimá-lo. Já se fala em algo em torno de R$ 88 bilhões ou até mais. Há, porém,ainda ‘muita água para rolar’!

petrobras

O que tudo isso tem a ver com a sua vida?

A indignação diante da gravidade das denúncias de corrupção na Petrobras- que foi, por alguns anos, símbolo de orgulho nacional -, seria a resposta mais óbvia. Porém, há mais com o que se preocupar.

A Petrobras já anunciou que vai reduzir seus investimentos US$ 44 bi para US$ 31 bi. Em reais, essa redução é de aproximadamente R$ 33 bilhões! Já há consultorias estimando que isso represente uma queda de mais de 0,5 ponto porcentual no PIB (Produto Interno Bruto) deste ano. Levando em consideração que a expectativa de crescimento econômico para 2015 está em 0,13%, isso significa que a Petrobras, sozinha, poderia levar a economia brasileira a contrair-se.

Primeiramente, já vimos no noticiário que muitas fornecedoras da Petrobras, das indústrias de construção civil e óleo e gás, estão com dificuldades financeiras. A empresa é hoje uma das maiores contratantes de mão de obra direta e indiretamente do país. Se suspender obras e projetos, centenas de empresas poderão ficar sem seu maior parceiro econômico. Sem esse dinheiro, essas companhias poderão demitir funcionários, cortar gastos e investimentos em melhoria. Um estudo recente da Tendências Consultoria mostrou que, juntos, os cortes de investimentos da Petrobras e das 23 empreiteiras envolvidas na Lava Jato, podem representar perda de até 1,9 ponto porcentual na economia brasileira em 2015.

Em segundo lugar, a Petrobras não deve conseguir facilmente captar recursos no mercado para investir tudo o que planejava, já que a auditoria externa que deveria assinar embaixo de seu balanço se recusou a fazê-lo, uma vez que não sabe o tamanho do rombo contábil da empresa. Isso encarece e limita o acesso ao crédito – risco aumenta. A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou na sexta-feira as notas de crédito (risco de calote) da companhia pela terceira vez em quatro meses.

Por fim e não menos importante, a Petrobras já deixou claro que precisa de dinheiro para engordar seu caixa e que, por isso, não vai baixar o preço dos combustíveis, o que petroleiras do mundo todo têm feito com a queda do preço do barril de petróleo. Os impostos que incidem sobre o combustível (CIDE e PIS/Cofins) também já subiram e isso vai impactar a inflação logo mais.

Inflação, demissões, contração da indústria e setor de serviços (especialmente de construção civil e óleo e gás) são algumas das consequências desse escândalo do ‘petrolão’ já previstos por especialistas. Talvez já conseguimos ver algo nesta semana, quando o IBGE divulga a produção industrial de dezembro (quarta-feira) e a inflação de janeiro (sexta-feira). O jeito é esperar para ver aonde a Petrobras vai nos levar – e é melhor esperar sentada.

 

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Naiara Beltrão

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