Pink tax: por que produtos para mulheres são mais caros

Pink tax: por que produtos para mulheres são mais caros

Você já ficou com a sensação de que, toda vez que vai fazer compras com um homem, ele gasta muito menos? Você não está louca e a culpa não é, necessariamente, do volume de sacolas que você carrega. A responsável é a chamada de “pink tax” (“taxa rosa”, em tradução livre), fenômeno onde as versões “femininas” de produtos e serviços custam mais do que as “masculinas” – mesmo que elas sejam iguais.

Muitos acreditavam que a teoria era só um mito até que um levantamento do departamento de Consumer Affairs (DCA) da cidade de Nova Iorque chegou à conclusão de que, sim, ela é real e pesa no bolso. Foram analisados mais de 800 produtos de 90 marcas, divididos em 35 categorias (entre brinquedos, roupas para crianças e adultos, itens de cuidados pessoais e de saúde para idosos), abrangendo todas as faixas etárias.

Agora, segure-se na cadeira e veja o que o órgão descobriu: a mulher sai em desvantagem em 30 dessas categorias. Produtos voltados para nosso gênero são mais caros em 42% dos casos, enquanto os masculinos são em 18%. O preço variou, em média, 7%, mas chegou a 13% em itens de cuidados pessoais.

O jornal britânico The Times repetiu o experimento e chegou a um resultado similar: produtos considerados femininos custavam, em média, 37% a mais. Entre aqueles que ficaram mais caros apenas por serem rosas estão lâminas, canetas e roupas.

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A disparidade já foi motivo de chacota lá fora. A apresentadora Ellen Degeneres simulou o que seria o comercial da “Bic For Her” (“Bic para Ela”, em tradução livre), ironizando as supostas diferenças de uma caneta feita exclusivamente para mulheres. Já a editora sênior do site Mic.com, Liz Plank, atestou as diferenças de preços, experimentou produtos considerados masculinos e contou a experiência em um vídeo divertidíssimo.

Infelizmente, não existe nenhum estudo formal sobre a desigualdade de preços entre produtos destinados a cada gênero no Brasil. Aqui, a diferenciação é permitida pelo Procon, mesmo que o item seja o mesmo, mudando apenas a cor. Por isso, o Finanças Femininas fez um levantamento para apontar algumas dessas discrepâncias. Para tanto, comparamos produtos iguais ou similares (em função, modelo, marca, tecnologias envolvidas etc.). Em apenas dois casos, xampus e condicionadores, os homens pagaram mais caro para terem “exclusividade” de gênero. Confira:

ProdutoMarcaHomem (R$)Mulher (R$)Diferença (R$)   
LâminaGilette12.918.996.09
XampuNatura2315.57.5
CondicionadorNatura21.318.52.8
JeansLevi's189.99199.9910
Camisa brancaCalvin Klein149.99209.9920
Corte de cabeloMG Hair260370110
DesodoranteNívea Invisible13.9916.782.79
PerfumeAntonio Banderas79.99920
Calcinha/cuecaLupo28.532.94.4
TOTAL779.57981.65183.58

A maior discrepância foi detectada nos cortes de cabelo (lacuna de R$ 110). Sim, você leu certo. Ao final, nós, mulheres, gastaríamos R$ 183,58 a mais do que eles só por usarmos mercadorias destinadas ao nosso gênero. Imagine o impacto dessa despesa ao final de um ano! Como se não bastasse, vale lembrar que nossos salários são 30% menores do que os dos homens, de acordo com estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Por que a Pink Tax existe?
De acordo com a indústria, vários fatores encarecem os produtos voltados ao público feminino. Um deles é que eles podem ter ingredientes ou tecnologias que aumentam o preço. Por exemplo, em entrevista à Folha de S. Paulo, a Gilette afirmou que “elementos como tipos de pele, comprimentos do fios, área de alcance e ergonomia do aparelho, mostram que as lâminas femininas precisam ser projetadas de forma muito distinta dos produtos desenvolvidos para os homens”. No entanto, o levantamento do departamento de Consumer Affairs (DCA) de Nova Iorque concluiu que, em muitas vezes, a única distinção entre os itens analisados é a cor.

Para a professora Leda Machado – que estudou temas relacionados a Gênero em seu PhD. em Sociologia e Mestrado em Economia pela University College London – o fato de a maior lacuna de preços ser encontrada nos itens de cuidados pessoais diz muito sobre o que a sociedade requer da mulher. “Existe uma expectativa de que vamos fazer tudo e que precisamos estar sempre lindas. Somos avaliadas e julgadas pelo físico o tempo inteiro. Já o homem não tem esse problema”, aponta. Por isso, acabamos mais dispostas a gastar com artigos que prometem nos deixar mais bonitas, dando sinal verde para o mercado aumentar o preço das mercadorias destinadas a isso.

Entramos em contato com o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), mas não tivemos resposta até o fechamento desta matéria.

Ao final do estudo, o DCA encorajou todas as nova-iorquinas a denunciarem nas redes sociais os casos de discrepância entre o preço de produtos masculinos e femininos. Aqui no Brasil, vale ficar de olho em tudo que você compra. Será que o produto rosa é realmente melhor? Vale a pena levá-lo só por ser “para mulheres”? Pondere as escolhas e economize!

Fotos: Shutterstock

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