Plano familiar: os custos da reprodução assistida

Plano familiar: os custos da reprodução assistida

Quem deseja ser mãe certamente faz planos para a chegada do bebê, começando, é claro, pelo momento certo para engravidar. Para uma decisão tão importante, os fatores idade e estabilidade financeira devem ser considerados. Mas quando a gravidez demora para acontecer, todo o planejamento de finanças e tratamentos médicos pode precisar de um reajuste para incluir técnicas de reprodução assistida.

Para o diretor do Projeto Beta e chefe de reprodução assistida da Santa Casa de São Paulo, Dr. Newton Eduardo Busso, é preciso ir com calma e tentar o método tradicional, o da relação sexual, pelo tempo necessário e, caso houver algum problema, realizar exames que possam detectar infertilidade antes de partir para tratamentos alternativos, como inseminação artificial ou fertilização in vitro.

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Para mulheres solteiras, acima de quarenta anos ou em um relacionamento homoafetivo, o planejamento já deve começar com foco na reprodução assistida, mas com muita atenção à saúde para escolher a melhor alternativa.

Com as dicas do Dr. Busso, te ajudamos a planejar o sonho de ser mãe dentro de suas possibilidades físicas e financeiras, com todo o cuidado necessário.

Entenda cada método

A inseminação artificial é feita no período fértil da mulher, ou seja, quando ela está ovulando. Os espermatozoides são inseridos dentro do útero para facilitar a reprodução do embrião.

Já na fertilização in vitro, os espermatozoides são colocados ao redor dos óvulos em laboratório, para depois serem inseridos no útero.

Antes de mais nada, faça um check up!

Mesmo com visitas regulares ao ginecologista, é importante que você agende uma nova consulta assim que decidir engravidar, para que possa fazer exames simples de checagem e prevenção, como ultrassom e o papa nicolau. Eles não detectam infertilidade, mas são necessários para avaliar se seu corpo está saudável para uma gravidez ou se há algum problema a ser tratado antes de começar as tentativas.

Esta checagem também é recomendada para mulheres solteiras ou em um relacionamento homoafetivo, antes de iniciarem o procedimento de inseminação artificial ou fertilização in vitro.

Depois de receber os resultados dos exames, o médico deverá orientar para possíveis tratamentos e também prescrever o uso de ácido fólico para garantir que seu bebê se desenvolva da forma mais fácil possível.

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Depois da liberação do médico, comece as tentativas

Para mulheres em um relacionamento estável com um homem, a tentativa de gravidez natural deve ser prioridade. Segundo Busso, muitas tentativas seguidas podem ser efetivas, mas não garantem eficácia. “É comprovado cientificamente que casais que têm relações dia sim, dia não, engravidam mais rápido. O espermatozoide fica vivo e tentando subir permanentemente para o colo do útero por 48 horas”, explica Busso.

Dê tempo ao tempo

De acordo com Busso, uma mulher saudável e com a menstruação regulada leva, em média, de seis meses à um ano tentando engravidar naturalmente. “Não é porque você parou de tomar o anticoncepcional que vai engravidar no dia seguinte, menos ainda no próximo mês”, diz Busso. Ele ressalta, no entanto, que quem continua tomando a pílula não deve se descuidar com horários e dias corretos de tomar o medicamento, tendo em vista que o uso irregular pode acarretar em gravidez.

Quando procurar ajuda?

Se depois de 12 meses de tentativas você ainda não tiver conseguido engravidar, então a próxima consulta ginecológica será para a prescrição de exames que podem detectar infertilidade.

Estes exames vão procurar três causas prováveis: “É preciso saber se a mulher ovula todos os meses sem dificuldades, se o homem tem espermatozoides e se os espermatozoides conseguem subir para os óvulos”, esclarece o especialista.

O exame do homem

De acordo com Busso, a base da investigação para as mulheres está na histerossalpingografia, um exame que verifica se há alguma anomalia no útero ou nas trompas de pacientes.  O custo gira em torno de R$ 500. Por ser mais invasivo para o corpo feminino, a recomendação é fazer o exame quando há suspeita de infertilidade.

Já para o homem que tenta ser pai, o exame mais eficaz é a Análise de Sêmen, que é coberto pelos planos mais básicos de convênio ou pelo SUS. O resultado é rápido e pode ser feito em qualquer momento da vida do homem.

“Todo homem que um dia quer ser pai deveria fazer esse exame, mesmo sem estar tentando. Imagina você se relacionar por 10 anos tomando contraceptivos à toa, sem saber que seu parceiro pode não produzir espermatozoides?”, argumenta Busso.

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Inseminação artificial ou fertilização in vitro? 

Uma vez que a infertilidade tenha sido detectada, com a origem do problema ou não, é o momento de partir para tratamentos alternativos e mais caros, como a inseminação artificial ou a fertilização in vitro.

Para alguns casos mais específicos (parceiro sem produção de espermatozoide, mulheres solteiras ou casais homoafetivos) é preciso pensar ainda nos custos com bancos especializados. A amostra de espermatozoides, por exemplo, custa, em média, R$ 2.500 em um banco de sêmen.

Os especialistas costumam recomendar primeiro a inseminação artificial, que custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil reais, com uma estimativa de sucesso entre 15 a 20%. “Caso a primeira inseminação não dê certo você pode tentar quantas vezes quiser, mas normalmente depois da terceira ou quarta tentativa sem sucesso, recomendamos a fertilização in vitro”, diz Busso.

Para uma mulher com problemas concentrados nas trompas ou com mais de 40 anos, a fertilização in vitro acaba sendo a primeira opção. Assim como casais de mulheres que decidiram gerar o filho juntas. Para isso, o procedimento pode ser um pouco diferente e o gasto sobe com a compra dos embriões. “Nesse caso, é preciso colocar o óvulo de uma das parceiras no útero da outra e ambas participam. Este procedimento só pode ser feito por meio de fertilização in vitro”, explica o especialista.

Na tentativa de fertilização com bons embriões e para pessoas com menos de 35 anos, as chances de sucesso variam de 60% a 70%. Nas mesmas condições, depois dos 35 anos, de 50% a 60%. Passando dos 40, as chances podem chegar a 18%.

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Reforce o plano familiar

Junto com a decisão de ter filhos, há a necessidade de fazer um plano familiar e financeiro. Mas quando alguém se submete a procedimentos de inseminação, é importante considerar a probabilidade de gerar múltiplos e dar mais atenção às planilhas.

De acordo com Busso, esta probabilidade varia dependendo de quantos óvulos foram estimulados e também da quantidade de embriões utilizados nos procedimentos.

“A mulher pode utilizar quantos embriões quiser desde que não exceda as normas do Conselho Federal de Medicina. E quanto maior o número, mais chances de engravidar, mas é preciso estar ciente que se cria então 1% de chance de gravidez de múltiplos”, explica o médico.

O Projeto Beta como uma possível solução de custos

A fertilização in vitro pode ser uma solução simples para quem enfrentou dificuldades de realizar o sonho de ser mãe. Mas para muitas mulheres esta alternativa fica mais distante diante dos preços.

A clínica Projeto Alfa conheceu muitos casos com este problema e, por isso, desenvolveu o Projeto Beta, com o intuito de subsidiar pacientes sem condições financeiras de bancar um tratamento. Os custos podem variar para se adequar à renda das clientes, chegando a custar de R$ 4 mil até R$ 7 mil.

Segundo o Dr. Busso, o Projeto atende há 12 anos com 800 tratamentos ao ano, em média. Para ser atendida, basta agendar uma consulta ou assistir uma das palestras educacionais ministradas em uma das bases do Projeto, todas no dentro do estado de São Paulo, e depois passar pela administração para receber orientações de comprovação de renda.

Se você está fora do estado, estipule os gastos considerando o preço médio do tratamento pelo Projeto Beta, além das passagens e hospedagem. Se ainda custar menos do que um tratamento em uma clínica convencional e ficar dentro do seu orçamento, pode valer a pena.

Fotos: Shutterstock

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