Pôquer econômico: as cartas estão sendo colocadas na mesa

Pôquer econômico: as cartas estão sendo colocadas na mesa

Bom dia, meninas! Na coluna Em $uma de hoje a jornalista Naiara Bertão faz uma interessante comparação do que está acontecendo em nossa economia com o que acontece em uma mesa de jogo de cartas.

Olá, pessoal. Tudo bem?

Hoje eu vou falar sobre pôquer. Na verdade, sobre a ansiedade que ficamos ao jogar ou ver um jogo de pôquer. Sabe aquela insegurança, aquele medo de apostar alto e perder, a vontade de ter uma bola de cristal e saber como a jogada terminará e quem sairá vencedor? Então, vivemos na economia uma situação parecida. Os agentes estão uns de olho nos olhos e todos de olho na equipe econômica de Dilma e no noticiário. Não conseguimos ver o futuro, mas, pelo menos, hoje temos uma visão mais clara de como estamos. As cartas estão sendo, aos poucos, reveladas e as jogadas começam a ficar mais claras. Previsibilidade é tudo no mundo dos negócios.

Na semana passada, por exemplo, tivemos algumas divulgações importantes, como a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua, a nova pesquisa do IBGE (instituto oficial de estatísticas) para o tema. Ela considera trimestres e esta última se refere ao período de dezembro a fevereiro. Na comparação com o trimestre anterior (setembro a novembro), cerca de 800 mil pessoas perderam o emprego e a taxa de desocupação saltou de 6,5% para 7,4%.

Em paralelo, o Índice de Medo de Desemprego, que mensura justamente o medo dos brasileiros de perder o emprego, disparou no último trimestre. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), ele subiu de 74,8 pontos em dezembro para 98,8 pontos em março deste ano – o maior nível nos últimos 12 anos.

carteira de trabalho

Se por um lado as pessoas estão perdendo sua fonte de renda, por outro, a inflação está comendo ainda mais seu poder de compra. O aumento de preços medido pelo IPCA, também do IBGE, acumulou 8,13% em 12 meses até março, o maior patamar desde dezembro de 2003. Só no mês passado, os preços subiram 1,32%, a maior variação em 12 anos.

O cenário já está dado: o consumo vai diminuir porque as pessoas não têm dinheiro nem para comprar ovos de Páscoa nem para guardar para emergências. Em março, o saldo líquido da poupança (depósitos menos os saques) ficou negativo em R$ 11,43 bilhões, o pior desempenho mensal da história. Para se ter uma ideia, nem o acumulado de todo o ano de 1999 (12 meses), que teve saldo negativo de R$ 8,76 bilhões, foi pior do que apenas março.

Diante de um cenário para o ano melhor traçado: baixo consumo e atividade econômica, os empresários já colocaram o pé no freio. A falta de confiança e expectativas de lucros futuros já levaram muitos a adiarem ou cancelarem investimentos em projetos importantes. O investimento – público e privado – é essencial para o Brasil Futuro. Sem ele, vamos reclamar eternamente de nossas estradas ruins, da falta de portos, da baixa competitividade, produtividade e taxa de inovação.

Os donos de imóveis também já viram que o mar não está para peixes grandes. Levantamento do Secovi mostrou que as vendas de imóveis residenciais novos em São Paulo caíram 26,2% entre janeiro e fevereiro, para 732 unidades. Os preços, segundo a pesquisa FipeZap, também desaceleraram – já sobem menos do que a inflação.

Por fim, a Fitch, agência de classificação de risco, finalmente divulgou o relatório do Brasil – a Moody’s e a Standard&Poor’s já haviam publicado sua opinião sobre o problema fiscal do país. A Ficht, assim como as outras, deu um voto de confiança nas promessas de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, e só rebaixou a perspectiva da nota, uma espécie de alerta que fala “Escuta, país, ou você melhora em até um ano e meio a sua situação fiscal ou eu vou ser obrigada a tirar o selo de qualidade que depositei em você”. E assim ganhamos um pouco mais de tempo para votar o que precisa no Congresso e arrumar a bagunça da mesa. As fichas estão empilhadas a espera de um sinal de melhora, que leve a uma aposta mais alta. Enquanto isso, a gente se contenta com alguma carta já virada na mesa e já pode começar a traçar o futuro.

 

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Naiara Beltrão

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