“Por muitas vezes fiz compras, saí da loja feliz e chorei no caminho para casa”

“Por muitas vezes fiz compras, saí da loja feliz e chorei no caminho para casa”

*Thalita Miranda

Se existe algo difícil na vida de uma consumista é assumir que este hábito é na verdade um problema e encarar as reais motivações que a levaram a desenvolver tal compulsão.

Como sei disso? Pois sou uma ex-consumista assumida! E vou te contar um pouco do que aconteceu comigo até que eu chegasse a …

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Comecei a trabalhar muito cedo, com 17/18 anos eu já tinha um bom emprego, com carteira assinada e um ótimo salário para gastar com o que eu quisesse. Naquela idade eu não tinha muitas obrigações, gastava todo meu dinheiro com roupas, sem nem me perguntar porquê eu fazia aquilo.

O tempo foi passando, minha carreira crescendo e meu salário também. Comecei a faculdade, que eu mesma pagava (minha mãe me ajudava com a condução) e o que restava eu continuava a gastar com roupas.

Lembro como era fácil obter crédito nos bancos naquela época. Eu tinha 3/4 cartões de crédito, talões de cheque e crédito no banco. E é claro que a cada 3 meses eu estourava tudo, e me via num círculo vicioso entre pagar meus acordos e gastar o que podia em roupas, sapatos e cosméticos.

Por muitas vezes fui ao shopping, fiz compras, saí das lojas feliz, apenas para começar a chorar no caminho para casa. Eu comprava, comprava, comprava, mas depois sentia um desespero e um vazio, pois sabia que nada daquilo resolveria meus problemas, na verdade só piorava minha situação financeira.

Para mim, no momento da compra, não havia limite ou comprometimento meu com mais nada. Uma vez comprei uma simples calça jeans de mais de R$450,00 e deixei o boleto da faculdade atrasar naquele mês.

thalita_mirandaAcervo pessoal

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Posso te dizer que essas foram apenas algumas das inúmeras situações de descontrole financeiro que vivi durante aqueles anos, simplesmente por não saber controlar o meu impulso e por não querer encarar meus reais problemas.

Sempre fui uma adolescente com baixa auto-estima e mascarava isso com meu vício em compras. Era como se ao me vestir bem, com roupas novas e caras eu me sentisse mais bonita, e esperava que os outros também vissem isso.

Não posso me recriminar por ter agido assim por tanto tempo, afinal não era apenas um problema meu, era uma situação que se agravava com a pressão que a indústria do consumo faz sobre nós.

Somos vítimas de empresas que nos fazem acreditar que nunca seremos bonitas e felizes o suficiente, se não tivermos aquele sapato, aquela bolsa ou o último vestido de tal marca. É como se nos dissessem que nunca conquistaremos nada, a menos que compremos tudo que não temos e que eles julgam necessário.

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Levei um tempo e muitos meses no vermelho para que eu conseguisse entender isso e finalmente encarar meus reais dilemas. Pude perceber também que o meu descontrole financeiro só piorava meus problemas, pois me sentia sempre insegura e frágil por não poder planejar o meu amanhã.

Hoje, sou contra o consumo por impulso e contra essa sociedade que dita padrões que nós vicia e nos torna doentes e dependentes do consumo. Me permito sim gastar dinheiro com o que quero e comprar algo que gosto, mas quando faço isso penso quantas vezes vou usar tal peça, se ela combina com algo que já tenho e tento passear um pouco antes de me dirigir ao caixa. Isso me ajuda a pensar com mais clareza e a não agir por impulso.

Com essa técnica, já abandonei carrinhos de compras antes de chegar a fila do caixa e pude economizar dinheiro para fazer coisas que realmente me fazem feliz, como viajar e investir no meu próprio negócio.

Garanto para você, que com o guarda-roupas mais vazio eu conquistei uma vida mais cheia de alegrias e um coração mais leve.

Thalita Miranda tem 30 anos, é formada em Publicidade e Propaganda pela São Judas. Empresária, fundadora da Miranda&Co um site voltado para mulheres com estilo de vida ativo e em equilíbrio, onde escreve semanalmente abordando temas de bem estar, auto-estima e qualidade de vida.

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