Por que o governo gasta e a gente que paga a conta?

Por que o governo gasta e a gente que paga a conta?

Na coluna Em $uma desta segunda-feira, Naiara Bertão fala um pouco mais sobre as contas do país, para que a gente entenda um pouco mais sobre essas medidas econômicas que o governo vem adotando.

*Naiara Bertão

Olá, meninas. Bom dia!!!

Quem acompanha um pouquinho o noticiário já percebeu que o ano promete ser difícil. As notícias de economia são pouco animadoras. Na semana passada, no Fórum Econômico Mundial, na Suíça, o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy disse a empresários e autoridades financeiras mundiais que o Brasil deve ter um crescimento ‘flat’ em 2015. Isso quer dizer que a expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto) é de expansão próxima à zero. “Não estamos aqui para fazer remendos”, disse depois a jornalistas, reforçando que as medidas anunciadas recentemente pelo governo visam o longo prazo, o futuro, e que elas devem demorar um pouco para fazer a economia voltar a girar.

Levy já mostrou, em apenas três semanas no cargo, que não tem medo de ‘cara feia’. Ele começou o ano anunciando corte de R$ 1,9 bilhão por mês nos gastos do governo. Depois disse que não vai ajudar mais o setor elétrico este ano – seriam necessários, ao menos, R$ 9 bilhões de ajuda do Tesouro.

Na sequência veio o ‘pacotaço’ de impostos, divulgado no dia 19, quando, de uma só vez, foram anunciados: 1) aumento na alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado em empréstimos bancários para pessoas físicas; 2) retomada da cobrança da Cide (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) sobre os combustíveis; e 3) elevação de 9,25% para 11,75% da alíquota do PIS/Cofins para produtos importados. Além disso, agora o setor de cosméticos pagará o mesmo IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que o setor industrial – antes ele tinha uma tributação diferente por ser considerado atacadista. Tudo isso junto deve aumentar a arrecadação do governo em 20,6 bilhões de reais.

cosmeticos_mais_caros

Apesar de todas as notícias ruins para o bolso do consumidor, Levy quer mostrar aos empresários brasileiros e estrangeiros que está fazendo o dever de casa – algo que já deveria ter sido feito antes. Imagine a sua conta bancária. Se ela está no vermelho, qual banco vai querer emprestar mais dinheiro para você? E se emprestar, não vai cobrar juros maiores do que cobraria de uma pessoa que sempre manteve a conta no azul, que sempre pagou as contas em dia, que conseguia economizar mês a mês para fazer uma poupança? Os países seguem a mesma lógica.

As contas públicas precisam estar em dia para que o mercado financeiro entenda que ele vai pagar os juros dos empréstimos na data certa. Ou seja, o risco de que aquele país pode dar um calote nos credores (bancos e investidores nacionais e internacionais) diminui e o mercado pode cobrar juros menores. Nesse ambiente saudável todos ganham porque há uma relação de confiança no país e em suas instituições, credibilidade. Os juros ficam menores, há mais crédito para investimentos em infraestrutura, os empresários tem confiança na economia para investir e a população consome mais. A economia gira.

Mas, nos últimos três anos, o que o mercado viu acontecer no Brasil foi bem diferente. Os gastos públicos aumentaram muito mais do que as receitas. O governo só conseguiu bater a meta do superávit primário – a ‘poupança’ que o país faz para pagar os juros da dívida – em 2012 e 2013 porque recorreu a manobras contábeis. Em 2014, vendo que nem usando a ‘contabilidade criativa’ – como as manobras ficaram conhecidas –conseguiria economizar 2,3% do PIB (R$ 110,9 bilhões – a meta), o governo enviou ao Congresso um pedido urgente para que pudesse abater ainda mais coisas da meta do superávit e, assim, não ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na sexta-feira desta semana o Banco Central vai divulgar o resultado fiscal de 2014. Entram nessa conta as economias feitas pelo governo central (Previdência, Banco Central e Tesouro), Estados, municípios e empresas estatais. Além de não conseguir economizar, de janeiro a novembro, o setor público acumulou um rombo (resultado negativo) de R$ 19,6 bilhões nas contas públicas. Esta é a primeira vez desde o início da série histórica do BC, há 12 anos, que as contas do setor público registraram um déficit nos 11 primeiros meses de um ano.

Toda a bagunça fiscal, os cortes de gastos e aumento de impostos, a baixa expectativa de crescimento do PIB e o encarecimento dos financiamentos já reflete no setor produtivo. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), o  Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu em janeiro, na comparação com dezembro, para o menor níve desde janeiro de 1999 (quando ela começou a analisar esses dados). Neste ano, apenas 69,3% das indústrias pretendem fazer algum tipo de investimento – o número é menor do que o visto em 2014 (78,1%). É também a menor propensão a investir em cinco anos, de acordo com a CNI. Isso sem falar nas demissões que devem vir no primeiro semestre.

Dica para o ano? Segura no corrimão que a ventania vai ser forte!

 

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

Dúvidas enviadas através desse formulário não serão respondidas individualmente por e-mail.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Naiara Beltrão

Naiara Beltrão

Em Suma

close