Por um carnaval com mais respeito a nós

Por um carnaval com mais respeito a nós

Meninas, o carnaval está prestes a começar e com certeza muita gente já está em clima de folia! Carnaval é uma delícia, é tempo de festa, de descontração e alegria, é uma pena que ainda exista tanta gente confundindo o significado dessa folia com abuso e falta de limites.

Para quem ainda não viu, às vésperas do feriado a Skol lançou uma campanha pelas ruas de São Paulo, em que coloca a seguinte mensagem “Esqueci o não em casa”. A frase é curta, mas o impacto é imenso. A subjetividade da campanha dá brecha para uma série de sentidos negativos, entre eles, a falta de respeito que acontece com as mulheres no período da folia.

Quem pula carnaval na rua já pode ter passado pela situação desagradável de precisar desvencilhar-se de gente abusada, que acha normal “roubar” beijo na marra, agarrar pelo braço, puxar cabelo, enfim, passar por cima do direito de uma mulher dizer “não” a uma investida, tudo sob o véu da desculpa esfarrapada de que “no carnaval pode tudo”. A irresponsabilidade do material é ainda mais alarmante quando atentamos para o aumento dos casos de estupro no período do carnaval.

Indignadas com o conteúdo da campanha, a publicitária Pri Ferrari e a jornalista Mila Alves fizeram uma intervenção nas placas que encontraram, acrescentando “e trouxe o nunca” nos dizeres da campanha.

Pouco mais de sete horas depois da publicação, o post já tinha gerado mais de 4.800 compartilhamentos e muita revolta nas redes sociais.

Vale lembrar que a peça vem na contramão de uma notícia divulgada recentemente, a qual dá conta da condenação de um homem a sete anos de prisão, por ter forçado um beijo na boca durante o carnaval. A sentença foi dada no Tribunal de Justiça da Bahia. Ao passo que a notícia veio como um importante alerta para a população e como exemplo de que situações como essa não devem passar impunes, o material publicitário reforça o comportamento desviado durante a folia. Para quem ainda não sabe, é importante destacar que o beijo forçado caracteriza crime de estupro.

O Finanças Femininas entrou em contato com a assessoria da Skol, que deu o seguinte posicionamento:

“As peças em questão fazem parte da nossa campanha “Viva RedONdo”, que tem como mote aceitar os convites da vida e aproveitar os bons momentos. No entanto, fomos alertados nas redes sociais que parte de nossa comunicação poderia resultar em um entendimento dúbio. E, por respeito à diversidade de opiniões, substituiremos as frases atuais por mensagens mais claras e positivas, que transmitam o mesmo conceito.  Repudiamos todo e qualquer ato de violência seja física ou emocional e reiteramos o nosso compromisso com o consumo responsável. Agradecemos a todos os comentários.”

O recado então é o seguinte: curtam o carnaval, façam muita farra e divirtam-se bastante, mas lembrem-se sempre de não esquecer em casa o respeito com as pessoas e o limite nas atitudes que possam invadir o espaço do outro.

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