Projeto leva renda para mulheres da periferia através de venda de iogurtes

Projeto leva renda para mulheres da periferia através de venda de iogurtes

Assim que descobriu que estava com câncer de colo de útero, Regiane Mota Monteiro viu seu marido sair de casa, deixando-a sozinha para cuidar das três filhas. Ela, que estava desempregada, passou a procurar “bicos” às pressas, afinal, a quimioterapia não a permitia entrar em um trabalho em tempo integral. “Fui ao centro comunitário para fazer um currículo e a atendente me contou que a ong Visão Mundial estava contratando pessoas para um novo projeto, então, me candidatei”, conta.

Era o Projeto Kiteiras, criado em 2011 pela Danone em parceria com as ongs Aliança Empreendedora e Visão Mundial. “A iniciativa visa impactar socialmente as comunidades, sobretudo mulheres, proporcionando uma fonte de renda complementar e profissionalização a partir da venda de iogurtes em kits, no modelo porta a porta”, diz Mauro Homem, gerente de sustentabilidade da Danone. Sua implantação começou em Salvador e, em 2016, chegou nas zonas sul e leste de São Paulo, ABC, Baixada Santista e em cidades como Sorocaba, Itapecerica da Serra e Osasco. Regiane mora no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, que já foi considerado pela ONU o bairro mais violento do mundo.

A princípio, Regiane foi contratada como a primeira mobilizadora da capital paulista, profissional responsável por cadastrar trabalhadoras – que são chamadas de “kiteiras” – no projeto. A boa notícia é que ela poderia trazer dinheiro para casa e, como trabalharia apenas nas horas vagas, não comprometeria o tratamento do câncer. “Abracei a causa. Sou da comunidade e sei como é depender de um marido, sofrer abuso e ser agredida por um homem. Mostrei que elas também poderiam dar o grito de liberdade, sair de relacionamentos abusivos e dar uma condição de vida melhor para seus filhos e para elas mesmas”, desabafa. Conforme ela reunia essas mulheres, também ia se tornando amiga delas, colocando-as para cima toda vez que faltava ânimo para continuar.

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Regiane em sua comunidade

Seu empenho foi tão grande que ela acabou se tornando madrinha, profissional que acompanha as kiteiras, supervisionando as vendas e também dando suporte emocional caso elas precisem. Ela conta o caso de uma participante que foi abandonada pelo marido desempregada, com dois filhos para criar e uma despensa vazia. “Conseguimos cesta básica e cadastrar as crianças em um Centro da Juventude para frequentar depois da escola. Depois de uma semana, ela me ligou de madrugada, chorando, para agradecer, pois o dinheiro da venda dos kits a permitiu comprar arroz, feijão e leite. Nada paga isso”, relata.

Dia após dia, a madrinha foi vendo a vida dessas mulheres mudar para melhor. Uma das grandes vantagens é que, graças à flexibilidade de horários, cada kiteira pode se organizar para trabalhar da melhor maneira para elas, o que as permite se dedicar aos filhos e a si mesmas. “Aquelas que trabalham em média cinco horas por dia podem alcançar renda média de um salário mínimo e meio”, afirma Homem.

Foi o que aconteceu com Regiane, que pode largar todos os trabalhos extras para se dedicar somente ao projeto – e, além de tudo, conseguindo tempo para ficar com suas filhas. “Antes, quando fazia quimioterapia, meu ex-marido dizia que eu estava horrorosa e que eu iria morrer. Hoje tenho uma boa autoestima e me sinto linda, pois agora posso sustentar minhas filhas e ganhei muitas amigas”, relembra. De acordo com a Danone, o objetivo é alcançar duas mil mulheres até o final deste ano, totalizando mais de 200 toneladas de produtos por mês.

Fotos: Shutterstock e Reprodução/vamosmudarahistoria.com

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Ana Paula de Araujo

Ana Paula de Araujo

Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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