Quais investimentos são mais adequados para 2016

Quais investimentos são mais adequados para 2016

*Priscilla Nascimento

Ano novo chegou e com ele renovamos nossas promessas e planos. É hora de repensarmos nos desafios e feitos de 2015 e planejarmos 2016. É bem verdade que o ano que passou não foi positivo para nossa economia. Enfrentamos forte deterioração no âmbito fiscal, inflação alta, aumento do desemprego, recessão, incertezas políticas e como consequências de todos esses fatores a perda do grau de investimento por duas das principais agências de classificação de risco.

Ao que tudo indica essa má fase ainda não terminou e 2016 promete ser um ano de mais desafios, ajustes econômicos e políticos. Apesar disso, sob a ótica de investimentos, oportunidades surgem em períodos de crise, afinal, como diz Warren Buffett “a volatilidade dos mercados é a maior aliada do verdadeiro investidor”. Contudo, cautela, disciplina e paciência serão fundamentais para alcançar resultados financeiros satisfatórios no ano que se inicia. Cautela nas alocações estando atento aos riscos de cada investimento, disciplina para seguir o planejamento e paciência para suportar a volatilidade dos ativos.

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Em ano de incerteza é fundamental mapear os riscos do cenário atual e buscar investir em ativos que ofereçam proteção. A diversificação deve ser a premissa básica para quem busca minimizar riscos e potencializar retornos.

Em 2015 a inflação, medida pelo IPCA, atingiu o patamar de 10,67%, enquanto que o CDI – principal referência das aplicações mais tradicionais/conservadoras que perseguem nossa taxa de juros –  foi de 13,24% bruto no período. Descontando-se o imposto de renda devido de uma aplicação com essas características que após dois anos chega em 15%, o ganho acima da inflação foi de apenas 0,53% a.a.

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Uma das opções encontradas para se proteger desta forte pressão inflacionária é a compra de ativos atrelados a índice de preços, como o Tesouro IPCA (NTN-B) – título público que remunera uma taxa pré-fixada somada a variação da inflação. Dessa forma, independente do resultado da inflação no período o investidor garante seu poder de compra acrescido de juros reais. Outra opção são debêntures – títulos de dívida privada cujo risco de crédito é do emissor, logo requer uma boa avaliação da empresa dado que não contam com a garantia do FGC – Fundo Garantidor de Crédito. As debêntures de infraestrutura são, ao menos por enquanto, incentivadas pelo governo e isentas de imposto de renda para pessoa física. São investimentos normalmente de longo prazo e com pouca liquidez. Importante reforçar que tanto as debêntures quanto o Tesouro IPCA (NTN-B) quando resgatados antes do vencimento podem sofrer perdas por “marcação a mercado”, o que significa dizer que os títulos serão recomprados de acordo com seu preço do dia, o que pode ser favorável ou não ao cliente, porém ficando com os títulos até o seu vencimento o investidor recebe a remuneração da taxa contratada.

Para as alocações de curto e médio prazo e reservas de liquidez o ideal é buscar investimentos pós-fixados, atreladas a variação das taxas de juros diárias (Taxa Selic e Taxa DI), como por exemplo o Tesouro Selic (LFT – Letra Financeira do Tesouro), CDB – Certificado de Deposito Bancário, LCI – Letra de Credito Imobiliário e LCA – Letra de Crédito do Agronegócio. CDB, LCI e LCA são títulos de dívida privada cujo risco de credito é do emissor, assim vale avaliar a instituição financeira em que se pretende investir, lembrando que o FGC garante até R$ 250mil por CPF e por Instituição Financeira caso não honrem com a dívida. As LCIs e LCAs são títulos isentos de imposto de renda para pessoa física, o que faz com que o ganho líquido seja bem interessante. Ambos possuem carência mínima de 90 dias para resgate. Fundos referenciados DI são boas opções, mas atente-se a taxa de administração, ela não deverá ultrapassar 1% a.a.

Outra classe em foco é o pré-fixado, onde o investidor define no presente a taxa que receberá de remuneração no vencimento do título. As projeções do mercado apontam para um novo ciclo de aumento de juros em 2016 com vistas a buscar controlar a inflação, porém é importante considerar que o Brasil é o país com a maior taxa de juros do mundo e para um país em recessão o movimento deveria ser inverso, de queda de juros para estimulo econômico. Nossa atual taxa de juros não é sustentável em um país que deseja crescimento e desenvolvimento, logo há que se considerar que a médio e longo prazo a tendência, em algum momento, provavelmente será de redução da SELIC. Novamente, aqui, a marcação a mercado deverá ser considerada caso o investidor antecipe o resgate.

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Recentemente o Tesouro Pré-fixado (LTN) com vencimento em 01/01/2018 por exemplo estava com taxa próxima de 16% a.a. e o Tesouro IPCA (NTN-B) com vencimento em 15/05/2019 com taxa próxima de 7%a.a.+ IPCA. São ótimas alternativas de investimento para os investidores que tiverem horizonte de longo prazo e paciência. Sugiro efetuar as compras em títulos públicos gradativamente buscando um preço médio melhor já que uma deterioração maior do cenário local pode fazer com que as taxas dos títulos subam ainda mais.

Para investidores mais arrojados considere alocar parte do capital em fundos multimercados e ações locais e internacionais. Com a implementação da nova resolução 555 da CVM aumentaram também as oportunidades para fundos que investem no exterior.

No que diz respeito a recomendações de investimentos não existe uma fórmula ou sugestão ótima que sirva para todos. É importante avaliar o perfil, momento de vida, planos para o futuro e horizonte de tempo do investimento para uma recomendação eficiente. Deve-se ficar atento também a possíveis alterações nas regras tributárias dos fundos e produtos de investimento, já que a chance de uma mudança em um futuro próximo é grande. O planejador financeiro é o profissional ideal para auxiliar neste processo. FELIZ ANO NOVO!

*Priscilla Nascimento, CFP é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner), concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email:priscilla.nascimentocfp@gmail.com

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