Quais os nossos principais desafios econômicos?

Quais os nossos principais desafios econômicos?

Colocamos o pé em 2014 sabendo que seria um ano bem turbulento, mas não imaginávamos que seria tanto. Além do descrédito da população em relação ao cenário econômico, temos ainda o contexto político de um ano eleitoral. E como faltam somente cerca de dois meses para irmos às urnas, vale a pena refletir um pouco sobre o momento que estamos vivendo e como nossas vidas podem ser afetadas com os resultados. Para falar sobre o tema, o Finanças Femininas acompanhou uma palestra dada pelo economista Ricardo Amorim, em evento promovido pelo portal de conteúdo Infomoney.

De um modo geral, a visão do especialista é que independente de quem esteja no cargo de presidente após as eleições, o maior desafio para superar os problemas que estamos enfrentando em nossa economia será recuperar a credibilidade, tanto dos próprios brasileiros quanto dos investidores externos.

As mudanças no jogo político

Se há alguns dias a grande dúvida dos brasileiros era se iria mesmo existir um segundo turno presidencial e, no caso de existir, como seria o resultado da queda de braço entre Dilma e Aécio, a nebulosidade agora é muito maior. A tragédia ocorrida em Santos, que tirou a vida do candidato Eduardo Campos, mudou completamente o cenário político.

Amorim considera que ainda é impossível prever o que pode acontecer, a competição agora tornou-se muito mais acirrada e ganhou um terceiro elemento: Marina Silva. Na visão dele, Aécio tem o risco de nem chegar ao segundo turno. Neste caso, Marina herdaria os votos dele, porque quem votar em Aécio não pretende converter os votos na Dilma, o que deixaria a disputa entre as duas ainda mais acirrada. Na situação inversa, em um segundo turno entre Dilma e Aécio, ele não leva consigo o eleitorado de Marina.

Outro ponto importante destacado por ele, é o perfil das pessoas que devem votar em Marina Silva. Neste sentido, a comoção do momento deram a ela um fator que pode ser decisivo em uma disputa tão acirrada: o voto emocional. Ela pode trazer consigo aqueles eleitores que sonham com uma mudança, que queiram algo diferente do que está ai, ainda que não tenham total clareza de como aconteceriam essas mudanças. Quem antes considerava votar branco ou nulo, agora pode cogitar votar nela. Nas palavras de Amorim, Marina é a “viúva ideal”. No entanto, este apelo emocional da intenção de voto nela pode não sustentar-se durante dois meses.

Ele pontua ainda que tanto Aécio quanto Marina tem mais espaço para crescer em relação a candidata Dilma. Isso porque eles são pouco conhecidos pelo eleitorado, enquanto Dilma tem a rejeição de grande parte dos eleitores. Pesa ainda contra a atual presidente a insatisfação da população quanto ao mercado de trabalho. Segundo o economista, há cerca de um ano a situação ia bem, mas começou a piorar de lá para cá, com menos contratações e mais descontentamento. Em contrapartida, ela pode tirar vantagem do fato de ter mais espaço no tempo da propaganda eleitoral.

 

O próximo ano

Como dissemos no começo deste post, qualquer um dos candidatos enfrentará uma situação amarga em 2015. Se Dilma permanecer, será preciso criar um novo modelo de desenvolvimento, principalmente em relação ao estímulo à produção, tanto no sentido de fortalecer a indústria nacional quanto no incentivo ao trabalho. Na avaliação do especialista, o governo hoje gasta muito dinheiro com auxílio desemprego, tendo em vista que muitas pessoas se acomodaram com a fase de aumento das contratações e passaram a adotar a postura de passar pouco tempo em um emprego e aproveitar o auxílio-desemprego antes de procurarem uma nova posição. Somado a isso, vem a baixa produtividade dos brasileiros em comparação com a mão de obra estrangeira.

A inflação nos últimos meses não vem aumentando, mas ainda segue colada no teto estabelecido pelo governo federal, de 6,5%, e ainda deve sofrer novas pressões a partir do próximo ano, com custos que não vem sendo repassados ao consumidor, mas que em algum momento precisarão ser compensados. Entre eles, está o custo da gasolina – que afeta diretamente a inflação porque incide sobre o custo dos transportes – e da energia elétrica.

Somados as esses fatores, existem cenários na economia externa que também não são muito favoráveis. A China, com toda a influência que tem sobre a economia mundial, corre o risco de ter uma bolha imobiliária muito mais grave da que estourou em 2008 nos Estados Unidos, tendo em vista que tem praticamente o dobro do volume de dinheiro em empréstimos para o setor de construções, em comparação ao volume investido pelos americanos quando a crise deles estourou. Os Estados Unidos também vivem um momento de desaceleração do crescimento, somado a isso ainda temos a crise europeia, que aumentou consideravelmente o desemprego por lá. Não dá para esquecer também a nossa vizinha Argentina, que vem lutando por uma restruturação da dívida. Caso não consiga, isso afetaria diretamente o nosso setor automotivo, tendo em vista que grande parte das peças de veículos vem de lá.

Em todos esses casos, não é possível prever como esses cenários vão evoluir e quanto tempo isso vai levar. No entanto, quem estiver à frente do Brasil precisa preocupar-se não só em fortalecer a nossa economia, que hoje não tem o mesmo fôlego que teve há seis anos, quando conseguiu enfrentar o impacto da crise americana sem sofrer tantos efeitos. É preciso recuperar o ritmo de crescimento e preparar-se para a possibilidade de novas complicações no cenário externo.

divulgação/Infomoney

Os prós

Não vamos nos alongar demais nesta análise, mas vale a pena pontuar alguns fatores que nos mostram que o cenário econômico tem também seus fatores positivos. Assim como costumamos dizer em diversos tipos de situações envolvendo o nosso próprio dinheiro e empreendedorismo, Ricardo Amorim atenta para o olhar que é preciso ter diante de um cenário de crise. E ai vamos aproveitar o momento para destacar uma de suas falas na palestra. “O Brasil tem muitos problemas, mas é justamente ai que aparecem novas oportunidades. Quando ninguém quer investir em alguma coisa, se você tem um diferencial em sua empresa neste setor, você leva vantagem, porque não vai existir ninguém para competir com você”, destacou.

A lógica é parecida com o movimento que acontece com o mercado de ações. O momento que os especialistas sempre indicam para comprar um determinado ativo, é quando ele está em baixa, porque assim crescem as possibilidades de valorização.

Neste sentido, o Brasil tem uma série de setores com grandes possibilidades de crescimento. Entre eles estão o comércio, que há dez anos vem crescendo mais que a indústria. O setor de infraestrutura, que só não expande como poderia devido a entraves burocráticos em nossa legislação. A exploração do petróleo pelo pré-sal, que se não demorar muito para acontecer pode colocar o Brasil como segundo maior produtor do mundo. O agronegócio, que tem alavancado o crescimento das regiões mais pobres do país e com potencial de longo prazo, tendo em vista que a área agricultável do país tem o tamanho de 33 países europeus. Educação e saúde, tendo em vista o desenvolvimento do setor privado nos dois setores, visando atender a demanda que não é suprida com eficiência pelo governo. Além do setor de imóveis, tendo em vista que, ao contrário do que muitos cogitam, o especialista não acredita na possibilidade de uma bolha imobiliária neste momento.

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Karina Alves

Jornalista e editora de conteúdo do Finanças Femininas. Já trabalhou em jornais impressos, online, rádio e com produção. Tem fascínio pela junção entre economia e psicologia, procura explorar cada vez mais esse universo e busca usar esse aprendizado para ajudar as pessoas a levarem uma vida financeira mais saudável! Contato pelo karina@financasfemininas.com.br

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