Quais serão os principais investimentos para 2015

Quais serão os principais investimentos para 2015

Quem acompanha as notícias sobre economia – tanto no nosso país como no cenário internacional – já percebeu que o humor deste ano não é dos melhores. Internamente, empresas de grande porte anunciando demissões em massa (como foi o caso da Volks e da Mercedes-Benz), a indústria nacional ainda sufocada, as consequências dos desdobramentos da investigação acerca do esquema de corrupção da Petrobrás e os desafios da nova equipe econômica do governo surgem como fatores para indicar um ano turbulento. Aliado a isso, o cenário externo também aponta dificuldades, com a indicação de aumento dos juros nos Estados Unidos e perspectiva de manutenção do dólar em alta.

Apesar de assustador, o cenário não é para pânico, mas sim para cautela. É preciso analisar bem a conjuntura em que estamos inseridas para definir nossas estratégias de investimento. Para ajudar a analisar as opções de mercado para este ano, o Finanças Femininas conversou com a planejadora financeira Eliane Habbib, do Instituto Brasileiro de Certificação em Planejamento Financeiro (IBCPF).

Antes de mais nada, vale lembrar que antes de traçar a sua estratégia de investimentos, é preciso entender por quanto tempo você pretende manter seu dinheiro investido (para escolher entre opções com retorno a curto, médio ou longo prazo) e qual é o seu perfil de investidora.

Renda fixa

Diante dos desafios internos na economia brasileira e os fatores externos que surgem neste momento, a especialista avalia que o melhor é manter os investimentos em renda fixa, tendo em vista o cenário de turbulência. Entre as opções que apresentam-se nesta categoria, ela aposta nos investimentos pós-fixados, ou seja, naqueles que acompanham a taxa básica de juros do país, que atualmente está em 11,75% ao ano. Em tempos de dificuldade, a tendência dos juros é permanecer em alta, ou seja, as investidoras com aplicações atreladas aos juros, conseguem uma boa rentabilidade.

Para quem pode manter investimento a longo prazo, a principal indicação de Eliane são as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). A principal vantagem é que além de ser bem seguro, este investimento é isento de Imposto de Renda. Vale ressaltar, no entanto, que o governo estuda rever a isenção do Imposto de Renda para este investimento. A mudança está sendo estudada, mas afetaria somente as novas aplicações, para que não haja prejuízo para quem fez o investimento com as regras vigentes. Os bancos públicos oferecem rentabilidade de 85% a 90% do CDI (que acompanha a taxa básica de juros) e a investidora consegue começar a aplicação a partir de R$ 1.000.

Para que a leitora tenha uma noção de como isso é vantajoso em relação a outras opções de renda fixa, a especialista faz uma comparação com os investimentos feitos em CDB, que também podem ser pós-fixados, mas não contam com isenção de Imposto de Renda. Supondo que o banco pague 90% do CDI em investimentos em LCI, com os juros no patamar de 11,75% a.a., em um ano a rentabilidade bruta é de 10,75%. No caso do CDB, com o desconto de 20% de imposto, a rentabilidade cairia para 8,45%, enquanto na LCI a investidora mantém seus rendimentos perto dos 10,75%.

Para quem necessita de liquidez, o CDB e os Fundos de Renda Fixa são boas opções, mas ela lembra que os fundos contam com taxas de administração. “Se a taxa passar de 1% ou 1,5% os fundos já perdem competitividade até mesmo com a poupança. Para conseguir reduzir essas taxas, é necessário um aporte maior para investir”.

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Dólar

“Pensar em investimentos em dólar só é opção para quem busca diversificar investimentos, neste momento”, ressalta a especialista. Segundo ela, a justificativa para deixar o dólar em segundo plano é o fato de que a moeda já está valorizada, portanto, o momento não é bom para comprar. Como não há previsão de que a moeda volte para um patamar menor a curto prazo, quem busca a moeda somente como forma de diversificar os investimentos pode optar por comprar dólar em dias de oscilação para baixo.

Poupança

Não é preciso nem dizer que as demais opções de renda fixa oferecem retorno melhores que a caderneta de poupança. No entanto, a especialista lembra que não é indicado despreza-la. “É sempre importante ter uma gavetinha para emergências. A poupança tem liquidez, é simples, é fácil de mexer. É bom para quando surge algo urgente e você precisa de dinheiro de imediato”. Na avaliação dela, este instrumento serve para questões mais imediatas, como uma forma de manter um dinheiro extra por segurança.

Ela avalia que 2015 tende a ser mais turbulento que o ano anterior, portanto, é importante fazer uma sólida reserva de emergência. “O ano começou com um humor pesado, com demissões, é importante observar as finanças de perto, que as pessoas tenham reservas em casos emergenciais. Antes de traçar uma estratégia de investimento, é preciso ter aporte para isso. No Brasil, a média de tempo para recolocação no mercado é de seis meses, então o ideal é ter reserva para bancar os custos fixos por este período”, ressalta.

Renda variável

Para quem ainda não ingressou neste mercado, a planejadora reforça que agora não é um bom momento, tendo em vista que a exposição a riscos altos e o momento de crise podem ser uma combinação bem perigosa. “Renda variável agora é para quem tem um bom cardiologista”, brinca. Para quem já tem aportes em renda variável, no entanto, ela orienta que o importante é ter calma e manter a estratégia de investimento. “Se a pessoa já tem uma estratégia de renda variável e possui aplicações, é hora de ter calma. Quando acontece um tsunami, é bom ter paciência para esperar ele passar”.

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