Qual é o preço de ter um filho?

Qual é o preço de ter um filho?

*Priscila Lambach

Há alguns anos, quando comecei a trabalhar com famílias, me deparei com um discurso bastante comum: “preciso acumular muito dinheiro antes de pensar em ter filhos, afinal, filho custa caro, e quero dar para ele tudo o que ele quiser e tudo aquilo que eu não tive”. Cheguei a ouvir pessoas dizerem que só parariam de tomar anticoncepcionais quando tivessem R$ 1 milhão.

O medo de não ter dinheiro para sustentar o filho é um verdadeiro fantasma presente em grande parte das culturas. Acredito que esse receio, de forma moderada, pode até nos ajudar. Pode auxiliar-nos a regularmos nossos gastos, acertarmos prioridades, fazermos boas escolhas. Porém, não podemos deixar que ele tome um espaço maior do que o necessário em nossas vidas.

Qual é o valor da educação? Muitos podem fazer uma planilha e começar a calcular: escola, plano de saúde, babá, objetos de higiene pessoal, quarto do bebê, viagens, vacinas, carrinho, cadeirinha. Chegar a um número é importante para que se possa planejar as finanças para a chegada do bebê. Serão muitas despesas que até então não existiam. Se você estiver organizada para isso, será muito mais tranquilo administrar as contas, acredite.

E quando engravido sem planejar? Quando não guardo dinheiro para isso, não tenho como montar o quarto do bebê e sequer sei quanto custa uma escola. Nem tudo na educação é possível atribuir um preço. Uma mamadeira pode até custar caro, mas o vínculo entre mãe e filho no aleitamento vale ouro. Milhões de fraldas custam bastante. A oportunidade de ver o seu parceiro cuidando do bebê com o maior carinho, limpando-o e deixando-o cheiroso é algo que não tem preço.

Um quartinho bem decorado, com letras de neon, não é para todos os bolsos. Um ambiente tranquilo e acolhedor, com um berço doado pela sua cunhada que tem todo amor do mundo pelo seu filho, pode proporcionar uma deliciosa noite de sono. O carinho dos pais todos os dias tem custo zero.

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Escutar a criança, se abaixar para ouvi-la, estar junto, ser sempre parceira, fazer as brincadeiras mais fascinantes do mundo usando as cadeiras de casa, a grama do parque, as roupas da mamãe -tudo isso não te fará tirar o cartão de crédito da carteira. A criança tem imaginação para fazer de qualquer objeto um universo!

Estar presente inteiramente na educação do seu pequeno te fará cada dia mais rica, mais cheia de amor, de boas lembranças, de sensações de que esse é o caminho. Educar os pequenos vai muito além de uma conta bancária recheada. E para aquilo que precisar investir dinheiro, exercitar a criatividade é a chave. Transformar o que se tem, fazer trocas de brinquedos com outras mães, explorar o mundo.

Os momentos que mais marcaram minha infância não são aqueles em que ganhei bonecas sofisticadas. As primeiras lembranças que me vêm a cabeça são dançar lambada na sala, brincar com água e sabão na varanda da casa da Carla e ver os patos no lago do Ibirapuera.

*Priscila Lambach é administradora de empresas e pedagoga. Fala sobre desenvolvimento humano e formação pessoal feitos com poucos recursos, de forma criativa e eficiente – desfazendo a ideia de que para educar bem é preciso investir muito dinheiro.

Fotos: Shutterstock

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