Qual o seu perfil de consumidora?

Qual o seu perfil de consumidora?

* Maria Angela Nunes Assumpção

Começarei este artigo utilizando as definições do nosso tão conhecido dicionário “Aurélio” para os termos “consumo” e “consumidor”

“Consumo:

1-     Ato ou efeito de consumir; gasto.

2-     Econ. – Utilização de mercadorias e serviços para a satisfação das necessidades humanas”

“Consumidor:

1 – Adjetivo – que consome.

2 – Substantivo – Aquele ou aquilo que consome”

Portanto, de uma maneira ou de outra, queiramos ou não, todos nós somos consumidores e, como cada indivíduo é um ser particular, temos o nosso modo “pessoal” de como nos comportar como tal.

A proposta deste artigo é uma reflexão sobre o tema: O NOSSO PERFIL COMO CONSUMIDORES

Em algum momento você já parou para pensar sobre qual é o seu perfil como consumidora?  Já refletiu em como você lida com um aspecto tão relevante do seu dia a dia?  Como a forma como você decide o que, como, quanto e o por quê consumir tem influenciado a sua vida e de sua família?

Uma observação importante é que esta análise vale mesmo quando alguém paga pelo que você consome.Aqui cabe uma questão relevante: qual o risco que você, como consumidora, traz para a sua vida financeira?

perfil_consumo

É interessante, mas boa parte das pessoas relacionam risco fundamentalmente a investimento. Quando você tem algum recurso para investir, quase que imediatamente, alguém falará que você precisa conhecer o seu “Perfil como Investidora”, pois deverá alocar os seus recursos da forma adequada aos seus objetivos, horizonte de investimento e sua capacidade de assumir eventuais perdas. Será ressaltada a importância de você não assumir riscos inadequados ao seu perfil.

Realmente, analisar e entender o nosso Perfil de Investidora é fundamental para decidirmos os nossos investimentos, pois precisamos ter muito cuidado para não comprometermos as nossas reservas financeiras e o atendimento das nossas necessidades e objetivos presentes e futuros.

Tomando a liberdade de fazer um paralelo com o parágrafo anterior, pergunto: consumir de uma maneira muitas vezes impensada, inadequada, não planejada também não coloca em risco o atendimento das nossas necessidades e objetivos?

Do ponto de vista do Planejamento Financeiro, respondo que sim!

Partindo-se do pressuposto que recursos financeiros são finitos, consumir habitualmente de uma forma não planejada pode ter como conseqüência colocar em risco a nossa sustentabilidade financeira. Citando alguns desses riscos:

–  Para os que estão na fase de geração de renda do trabalho, pode-se perder momentos importantes de geração de capacidade de poupança (receita – despesas) e formação das reservas financeiras necessárias para atender adequadamente as nossas necessidades e objetivos no curto, médio e longo prazo;

–  Viver situações de estresse por consumir além da capacidade financeira e de geração de renda, abalando o patrimônio e/ou levando ao endividamento.

–  Utilizar o patrimônio constituído e/ou herdado de forma muitas vezes inadequada;

Portanto, como consumidor, nos diferentes momentos da vida, sempre vale refletir se:

(i)                estamos lidando com as nossas necessidades (tanto físicas como emocionais) ou com os nossos desejos;

(ii)              estamos agindo por impulso e

(iii)            podemos abrir mão ou mesmo postergar o consumo.

 

Na minha experiência como planejadora financeira tenho observado que muitas pessoas, realmente, não tem um conhecimento claro do “Homo Consumericus” que habita dentro delas.

Os apelos para o consumo são muitos: o marketing é implacável; o desejo de pertencer ao grupo com os quais nos identificamos é um grande motivador; tolerar a frustração de não consumir é muito difícil; a velocidade e o imediatismo atual é anestesiador. Além de tudo isso, para complicar, o crédito está disponível (cheque especial, rotativo do cartão de crédito, parcelamento etc) e o endividamento foi incorporado na vida de boa parte das pessoas.

Realmente, é muito difícil praticar o autocontrole, resistir e ser o tal “consumidor consciente”…

Nesse ambiente “adverso”, muitas vezes, a forma de agir como consumidor pode trazer graves consequências para a vida financeira do indivíduo e de suas famílias, afetando a saúde, o trabalho e as relações pessoais.

Portanto, reforço a proposta de trazer a reflexão sobre uma parte relevante para uma vida financeira saudável:

“A importância de pensar em como lidamos com as decisões sobre o consumo – o que e quem nos influencia.”

 

*Maria Angela Nunes Assumpção é Planejadora Financeira Pessoal, possui a Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). E-mail: angela@moneyplan.com.br.

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

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