Qual plano de saúde devo contratar

Qual plano de saúde devo contratar

*Jean-Michel Lartigue

Pesquisas apontam regularmente a saúde como uma preocupação prioritária dos brasileiros. Não só como sinônimo de ausência de doenças e sim, como um benefício, o de contar com cobertura de assistência médica que nos livre de patologias severas e de dramas financeiros por causa do alto custo dos tratamentos.

Não é para menos, quando se sabe que algumas semanas de UTI ou meses de quimioterapia podem abalar as finanças de muitas famílias! Porém, a Constituição Federal do Brasil é uma verdadeira mãe. Institui no seu artigo 196 que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”.  Basta assistir qualquer noticiário para constatar a situação precária da saúde pública no Brasil. O que fazer então? A salvação de uma porção cada vez maior da população tem sido recorrer aos planos de saúde privados.

O setor de Saúde Suplementar 

Escolher o plano de saúde mais adequado a sua necessidade – e bolso! – poderá parecer uma tarefa árdua! Há mais de mil operadoras ativas no mercado, oferecendo inúmeros planos, entre individuais, coletivos empresariais ou coletivos por adesão! Todos esses atores constituem o setor chamado de “saúde suplementar”. Acima, uma agência reguladora do governo, a ANS, (Agência Nacional de Saúde Suplementar), é a mão do poder público para normatizar e fiscalizar o funcionamento de um setor privado. Com consequências diretas no seu cotidiano de consumidora de saúde! Pois a ANS determina o “rol de coberturas”, que nada mais é que a lista de todos os procedimentos, exames e tratamentos com cobertura obrigatória em todos os planos de saúde suplementar.

Cuidado com o equívoco de achar que o convênio privado deve cobrir tudo… Nem todos os transplantes de órgãos figuram no rol da ANS, por exemplo… Se um método cirúrgico ou exame usando tecnologia novíssima ainda não está relacionado pela ANS, seu plano tampouco terá obrigação de cobrir. Mas, em bom zelador do interesse público, a ANS atualiza regularmente seu rol, incluindo novos procedimentos e tratamentos. Tudo isso tem um custo… que as operadoras repercutem nas suas tarifas!

Que tipos de planos existem?

Há três tipos de planos, basicamente: individual/familiar; coletivo empresarial; coletivo por adesão. No plano individual/familiar, a ANS incluiu dois mecanismos de proteção ao consumidor: a proibição feita à operadora de cancelar o plano do usuário, a não ser em caso de fraude ou inadimplência; e a imposição, por ela, do índice de reajuste tarifário anual, aplicado a todos os planos individuais e familiares. Em tese, uma salutar proteção contra reajustes abusivos…

Mas o setor reclama que os índices da ANS nunca refletem a inflação real de custos médicos, e os principais atores acabaram desistindo de comercializar planos individuais. Hoje, só restam planos direcionados ao topo da pirâmide social – com tarifa a altura! – ou planos de qualidade questionável. Já os planos coletivos são contratos entre pessoas jurídicas (operadora e empresa contratante) com regras de cancelamento e reajuste definidas pelo contrato, não pela ANS (embora essa exerça certo monitoramento). Se a tarifa média dos planos coletivos é mais amigável que a de planos individuais, os reajustes anuais podem não ser tão camaradas, cuidado com isso.

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Quais elementos devo considerar, na hora de pensar em plano saúde?

Seu status profissional lhe dará uma primeira resposta. Você é ou será em breve funcionária de uma empresa que oferece benefício saúde (e talvez odontológico) aos seus colaboradores, ou pode entrar (e seus filhos) como “dependente” no plano da empresa do seu cônjuge? A rigor, não precisa se preocupar então. Bem, será? De fato, é melhor avaliar alguns aspectos: o nível de plano oferecido pela empresa lhe satisfaz?

Se não, você tem como solicitar, a seu custo, um “up grade”, para ter um plano melhor? Se a empresa for pequena e o contrato incluir poucos beneficiários, você provavelmente terá de cumprir carências, em especial, a de dez meses para parto. Se planejar engravidar, vale ajustar bem o seu relógio. Já se a empresa for maior, poderá não haver carências, nem para parto. Melhor se informar junto ao RH. E lembrar que você é locatária dos benefícios oferecidos pelo seu empregador. Via de regra, ao sair do emprego, saem os benefícios também.

Se você não for assalariada, como nos vimos, contratar um plano individual é complicado. Restam as opções de planos coletivos: ou empresarial de padrão PME, que requer que você tenha sua própria PJ e um número mínimo de beneficiários (há várias operadoras propondo planos a partir de duas ou três vidas), ou coletivo por adesão, se você for afiliada a alguma entidade de classe profissional (Crea; OAB; etc.), sabendo que, nesse caso, o leque de planos para escolher será menor.

Mas, justamente, como escolher um plano? 

Primeiro, informando-se sobre a reputação de qualidade das operadoras, antes de pensar nos planos. Todas propõem uma gama ampla de planos, o que pode confundir a compreensão e dificultar a decisão; há planos de nível “básico” numa ponta até de nível “top” na outra. O principal critério de diferenciação é a rede hospitalar e de laboratórios. A escala dos planos reflete a escala qualitativa dessa rede, das unidades carentes de recursos até os estabelecimentos de padrão internacional.

Um plano “básico” lhe permitirá usar somente hospitais de padrão “básico”, pelos critérios do mercado. Já para poder se internar em hospitais de primeira linha, emblemáticos da excelência da medicina brasileira, só você tendo um plano de nível “top”. Mas há muitos hospitais de qualidade reconhecida, listados em planos “intermediários”, portanto, menos onerosos. A localização da rede importa também. Se você conhece um hospital próximo que lhe inspira confiança, verifique em que nível de plano das operadoras ele está relacionado.

Os valores de reembolso de consultas e procedimentos são outro critério importante. Por exemplo, se o seu ginecologista ou pediatra de confiança não for credenciado pelo convênio, você terá de pedir reembolso e assumir a diferença, caso haja. Precisará avaliar, na hora da contratação, se vale a pena pagar o prêmio de um plano superior, para ter reembolsos maiores, ou economizar no prêmio, mas arcar com honorários menos reembolsados. O plano adequado será aquele ao alcance de sua capacidade de caixa e que disponibilize hospitais, laboratórios e médicos que lhe agradem.

*Jean-Michel Lartigue, CFP, é planejador financeiro pessoal e possui a certificação CFP® (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Email: jm.lartigue@partageseguros.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do Finanças Femininas ou do IBCPF. O site e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

 

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